Sob os Holofotes
No hospital, o tempo tinha um barulho próprio: apitos regulares, passos abafados de borracha, cortinas roçando devagar.
Carlos apoiava o jornal no colo quando Eloise entrou com um sorriso contido.
— Oi, pai. O médico disse que logo o senhor vai ter alta. — disse animada, tentando esconder a ansiedade.
— Filha, que bom. Já não aguento mais esse quarto branco. — Ele ajeitou os óculos, observando-a em silêncio por alguns segundos. A mão procurou a dela, firme e terna. — Princesa… vou ser direto e quero a verdade. O que aconteceu entre você e o Augusto?
Eloise engoliu em seco. A pergunta veio com cuidado, mas acertou como flecha. Olhou para o pai, depois para a janela.
— Aconteceu que eu acreditei no conto de fadas em que o ogro muda por amor. — disse, sem drama, mas com a voz baixa. — E depois… tudo desmoronou. — mordeu o lábio. — Mas não quero que se preocupe. Foi um mal-entendido, já está resolvido.
Carlos apertou os dedos da filha com firmeza.
— Eu te conheço, Eloise. E conheço o peso do teu “sim” e do teu “não”. — a voz dele saiu calma, mas carregada de sabedoria. — Só te peço uma coisa: não deixe o orgulho escrever a tua história no lugar do teu coração.
Os olhos de Eloise brilharam. Ela assentiu, pousando o queixo no ombro dele por um instante, como quando era criança.
— Vou tentar, pai. Prometo. — murmurou com doçura, antes de se afastar devagar. — Agora descansa… quanto antes o senhor sair dessa clínica, melhor para todos nós.
Carlos sorriu de canto, fechando os olhos por um instante. O peso da preocupação ainda estava ali, mas, ao sentir a filha perto, ganhou um pouco de paz.
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De volta ao clube, a conversa tinha mudado de temperatura.
Heitor repassava contatos, Thiago rabiscava listas no celular, Thomas já estruturava mentalmente um mandado que ainda não existia.
— A exposição do Navarro vai ser uma boa cortina de fumaça amanhã. — comentou Thiago, o tom meio descontraído. — A coletiva abre caminho.
— O importante é o Louvre acreditar que caímos no jogo dele. — concluiu Thomas, a voz grave. — Assim ninguém espera que a investigação continue em silêncio.
Augusto girou o copo pela metade, observando o reflexo âmbar antes de erguer os olhos para os três homens à sua frente — aliados improváveis de uma mesma guerra.
— Então será assim. — disse baixo, mas a firmeza ressoou. — Eu reconstruo a Monteiro. Mais sólida. E tiramos o Louvre da sombra… nem que tenha que arrancar tijolo por tijolo.
Ninguém brindou. Mas todos beberam.
O jazz seguiu suave ao fundo, indiferente ao peso das palavras.
E, do lado de fora, a Cidade Norte continuava acordada — sem imaginar que um furacão já se formava.
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A manhã nasceu pesada para a Cidade Norte. Os jornais impressos traziam na capa as imagens dos detidos saindo algemados da MonteiroCorp, e as redes sociais ferviam com hashtags que não paravam de subir.
Às nove em ponto, o auditório da empresa estava tomado. Repórteres se acotovelavam com câmeras, flashes estouravam como tempestade de verão. O burburinho só cessou quando as portas laterais se abriram e Augusto Monteiro entrou, acompanhado de Thiago e Nathalia.
De terno impecável, sem gravata, Augusto tinha o semblante frio. Os olhos verdes atravessavam a multidão como lâminas, mas no fundo havia o cansaço de noites maldormidas. Ele caminhou até o púlpito sem pressa, cada passo medido, a autoridade intacta.
Thiago, ajeitou o microfone e anunciou:
— Senhores, a MonteiroCorp vai se pronunciar. E o que temos a mostrar hoje vai surpreender vocês.
— Como fica a MonteiroCorp agora? Há risco de falência?
— O senhor vai processar a Navarro Tech?
— É verdade que um de seus seguranças confessou ser o líder?
— O que acontecerá com os cargos vagos na diretoria?
Augusto respirou fundo, a voz grave e firme como aço:
— Traição não destrói um império. Apenas revela quem nunca mereceu estar nele. A MonteiroCorp não caiu. Vai se reerguer, mais sólida do que nunca.
Enquanto falava, sua mão fechou-se sobre o púlpito com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Era como se não sustentasse apenas uma frase, mas o peso de todo o império e da própria honra nos ombros.
Os flashes voltaram a explodir, iluminando o rosto sério do CEO.
Augusto concluiu, encarando diretamente as câmeras, os olhos verdes faiscando com uma certeza impossível de ignorar:
— Já temos provas suficientes, e todas as medidas legais serão tomadas. Os culpados que estavam ao meu lado já estão na justiça. E a única certeza que posso deixar para vocês hoje é simples: por mais que alguns se escondam atrás de dinheiro e poder… a verdade sempre aparece.
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Na televisão do quarto de hospital, a coletiva de imprensa ainda repercutia. O vídeo exibido rodou em câmera lenta até congelar no rosto de Melissa, a traição estampada diante de todos.
Carlos estava sozinho, recostado nos travesseiros, os óculos no rosto. Respirou fundo, os olhos estreitando-se em silêncio.
— Então era isso… — murmurou, como se confirmasse algo que já temia no coração.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...