Coincidências Perigosas
Quatro figuras atravessaram o salão, como quem comanda o próprio cenário.
Augusto Monteiro, de camisa preta e mangas dobradas, exalava poder em cada passo.
Thiago Albuquerque, sorriso malicioso e olhar que prometia confusão.
Heitor Reis, impecável, casual, com o charme de quem sabe que é observado.
E Thomas Alves, discreto, olhar de caçador que nada deixa escapar.
O quarteto caminhava lado a lado — e bastou isso para o bar inteiro silenciar por alguns segundos.
Os olhares femininos acompanharam o grupo até o fim do salão… até pararem na mesa das quatro mulheres que também os fitavam, surpresas.
Eloise sentiu o corpo reagir antes da mente entender.
O coração acelerou, as mãos gelaram.
Ela tentou parecer natural, mas o olhar de Augusto já a encontrara entre luzes e sombras.
Ele parou.
Só por um segundo — o suficiente para o ar entre os dois mudar de temperatura.
Thiago notou e sorriu de lado.
— O destino tem um senso de humor afiado, hein?
Heitor ergueu o copo.
— Eu prefiro chamar de coincidência divina.
Do outro lado da mesa, Nathalia arregalou os olhos.
— Coincidência? Ah claro, acreditamos sim, senhor Albuquerque. — disse, irônica.
Emma riu, nervosa.
— Eu juro que ele disse que não vinha!
Thiago piscou. — E você acreditou?
As risadas e provocações quebraram o gelo, mas não por muito tempo. Augusto deu um passo à frente, o olhar ainda preso em Eloise.
— Já que todos se conhecem... — disse Heitor, com naturalidade forçada. — Que tal juntarmos as mesas?
Ninguém teve tempo de responder. Em segundos, as cadeiras foram arrastadas e o destino selado:
Thiago se sentou ao lado de Emma, Heitor ao lado de Nathalia, Thomas ao lado da Sofia, e Augusto… ao lado de Eloise — que, por ironia do universo, ficou no meio entre ele e Lucas.
Lucas, sorrindo, ergueu o copo.
— Coincidências agradáveis, não é?
— Nem todas. — retrucou Augusto, o tom baixo, cortante. — Se é noite das meninas, o que ele está fazendo aqui?
O silêncio da mesa foi instantâneo.
Thiago, percebendo o ciúme estampado no rosto do amigo, se inclinou com um meio sorriso.
— Calma, chefe… ninguém aqui assinou contrato de exclusividade. — brincou, tentando aliviar, mas com um toque de provocação. — Ainda.
Heitor levantou o copo, entrando no jogo.
— Relaxa, Monteiro. Ele só tá servindo drinks. — olhou para Lucas e completou, rindo. — Não é, amigo?
Lucas sustentou o olhar de Augusto por um segundo antes de sorrir.
— Só drinks, claro. Mas alguns… causam efeito prolongado.
Eloise quis se enfiar debaixo da mesa.
Nathalia gargalhou. Emma encostou no ombro de Thiago pra conter o riso.
A música subiu, e o clima ficou carregado — entre o fogo do ciúme e o brilho da provocação.
E, pela primeira vez em muito tempo, Eloise percebeu: às vezes, o destino não precisa de ajuda para incendiar uma noite.
O som grave da música vibrava no ar — um ritmo latino, denso, que fazia o chão parecer pulsar junto com os corações.
As luzes âmbar do La Bonita giravam lentamente, e a pista de dança começava a encher.
Na mesa, o clima estava longe de ser neutro.
Augusto e Lucas sustentavam um jogo de olhares que dispensavam palavras.
De um lado, o dono de um império; do outro, o homem que ousava desafiar o seu território.
E no meio, Eloise, distraidamente girando o canudo dentro do copo, tentando ignorar o campo de guerra invisível entre os dois.
— Então, Eloise… — a voz de Lucas quebrou o silêncio, suave, quase inocente. — Me concede uma dança?
Os olhos dele buscaram os dela com calma, confiança e um toque de provocação.
Ela hesitou por um instante, olhou para Nathalia, que já sorria feito cúmplice.
— Vai, mulher. Uma dança não mata ninguém. — sussurrou.
Ela deu um gole no drink e, ao ritmo da música, começou a dançar, sem levantar da cadeira — só o quadril se movendo, sutil, mas suficiente pra fazê-lo perder o compasso por um segundo.
Thomas, por outro lado, mantinha o foco em Sofia, que observava a pista com um sorriso tímido.
— Você parece mais confortável analisando do que participando. — comentou ele, divertido.
— Eu sou boa observando. Dançar exige… — ela hesitou. — Coragem.
Thomas inclinou a cabeça.
— Então vamos fingir que é uma missão de observação em campo. Eu te conduzo.
Ela riu, corando.
— Venha, pode confiar. — retrucou ele, levantando-se e estendendo a mão.
E quando ela aceitou, o sorriso tímido virou luz.
Na mesa, Thiago e Emma já estavam em outro universo.
Riam, trocavam olhares que diziam tudo o que as palavras poupavam.
Ele se inclinou, os dedos brincando com uma mecha do cabelo dela.
— Se continuar me olhando assim, eu vou esquecer que estamos num bar.
— Então esquece. — ela sussurrou, os olhos brilhando.
Ele não precisou de outro convite.
---
De volta à pista, a música mudou.
O ritmo diminuiu, o toque ficou mais próximo.
Augusto girou Eloise devagar, a mão em sua cintura, o olhar firme como promessa.
— Achei que tinha perdido isso. — murmurou.
— O quê? — ela perguntou, sem fôlego.
— O direito de te tocar sem precisar de palavras.
Por um segundo, ela esqueceu de responder.
E quando a música terminou, o silêncio entre eles foi mais alto que qualquer aplauso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...