O Beijo Queimado
O ar frio da noite bateu contra o rosto de Eloise assim que a porta do La Bonita se fechou atrás deles.
O som abafado da música ainda escapava pela fachada, misturando-se ao eco dos saltos dela no asfalto.
— Me solta, Augusto! — ela reclamou, tentando se desvencilhar do braço firme que a guiava pelo estacionamento.
— Não confunda me soltar com deixar você fazer besteira. — ele respondeu, a voz tensa, o maxilar travado.
Eloise se virou bruscamente, o cabelo caindo sobre o rosto.
Os olhos dela ardiam — não só de raiva, mas de tudo o que vinha engolindo há semanas.
— Besteira? Chama de besteira eu tentar esquecer um homem que me fez em pedaços? — rebateu, a voz firme, mas trêmula. — Eu tô tentando respirar, Augusto. Só isso. Respirar sem lembrar do que você me fez sentir… e do que me fez sofrer!
Ele deu um passo à frente. — E é bebendo e dançando com outro que você faz isso?
— Pelo menos ele não duvida de mim! — respondeu rápido, ferida.
Augusto cerrou os punhos, os olhos verdes faiscando no escuro.
Por um segundo, ele não era o CEO calculista — era só um homem que amava e não sabia lidar com o próprio medo.
— Você acha que foi fácil pra mim, Eloise? — a voz dele baixou, grave. — Eu vi o chão sumir quando pensei que tinha perdido você. Eu surtei. Eu errei. Mas não vou ficar assistindo outro tocar no que é meu.
— Meu? — ela riu, incrédula, o gosto da tequila ainda nos lábios. — Eu não sou sua propriedade, Augusto!
— Não, você não é minha. — ele deu mais um passo, a voz agora rouca, o olhar queimando o dela. — Mas também não é de mais ninguém.
Eloise abriu a boca pra responder, mas a fala morreu antes de sair.
O coração batia tão alto que parecia ecoar na calçada vazia.
— Você não pode aparecer do nada e achar que ainda tem esse poder sobre mim. — sussurrou, a respiração acelerada.
Augusto ergueu a mão, encostando-a de leve no rosto dela.
— Não posso… mas tenho. — murmurou.
Ela tentou dar um passo pra trás, mas ele a seguiu.
O perfume dele, a voz rouca, o calor — tudo misturava raiva e saudade, o tipo de mistura que sempre terminava do mesmo jeito.
— Não faz isso, Augusto… — ela pediu, mas a voz já não tinha força.
— Tarde demais. — ele respondeu, antes de colar os lábios nos dela.
O beijo veio intenso, urgente, cheio de raiva e desejo.
Eloise até tentou resistir — as mãos empurraram o peito dele, mas cederam logo depois.
A tequila, a saudade e o coração confuso dissolveram qualquer lógica.
Ele a puxou pela cintura, e o corpo dela respondeu instintivamente, como se reconhecesse o toque antes mesmo da mente aceitar.
Por um instante, o mundo sumiu — só restaram os dois, a respiração entrecortada, o gosto misto de álcool e arrependimento.
Quando se afastaram, os olhos dela estavam marejados.
— Isso… — ela sussurrou, ofegante. — Isso não resolve nada.
— Talvez não. — ele murmurou, a voz baixa, o olhar cravado nos lábios dela. — Mas também não dá pra fingir que acabou.
Eloise desviou o olhar, o coração em chamas e as pernas trêmulas.
— Eu não sei mais o que pensar, Augusto…
Ele passou a mão pelo cabelo, respirando fundo, tentando recuperar o controle.
— Então não pensa. Só sente.
— Eu sei. — disse ele simplesmente, saindo do carro e abrindo a porta pra ela.
— Eu não vou entrar.
— Então fica aqui fora, brigando comigo na calçada. — ele respondeu com calma perigosa. — Ou entra e me diz tudo o que está preso pra dizer.
Eloise hesitou por um segundo — o suficiente pra perder.
Entrou.
O apartamento estava em meia-luz, o perfume amadeirado de Augusto misturado ao cheiro de whisky.
Ele tirou o paletó e o jogou sobre o sofá, o olhar cravado nela.
Como se o universo conspirasse a favor, a chuva começou a cair lá fora — riscando o vidro das janelas, enquanto dentro o ar parecia pesado demais pra respirar.
Eloise e Augusto estavam frente a frente — tão próximos que bastava um suspiro para que se tocassem.
Nenhum dos dois disse uma palavra. O silêncio falava por eles, cheio de tudo o que ainda não tinha sido dito.
Ele ficou a poucos centímetros dela, o olhar percorrendo seu rosto como quem decora um mapa esquecido.
O tempo pareceu suspenso — só havia o som da chuva e o peso da saudade.
Então ele ergueu a mão e afastou uma mecha do cabelo dela, o toque leve como um pedido de perdão.
— Senti sua falta. — murmurou, a voz rouca, carregada de verdade.
Eloise fechou os olhos por um instante, tentando resistir. Mas o coração não sabia fingir.
— Foi você que me afastou. Que me humilhou. — disse quase num sussurro.
Augusto respirou fundo, o olhar queimando.
— Eu sou um idiota. Um burro. Mas eu te amo, Eloise.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...