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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 177

O Beijo Queimado

O ar frio da noite bateu contra o rosto de Eloise assim que a porta do La Bonita se fechou atrás deles.

O som abafado da música ainda escapava pela fachada, misturando-se ao eco dos saltos dela no asfalto.

— Me solta, Augusto! — ela reclamou, tentando se desvencilhar do braço firme que a guiava pelo estacionamento.

— Não confunda me soltar com deixar você fazer besteira. — ele respondeu, a voz tensa, o maxilar travado.

Eloise se virou bruscamente, o cabelo caindo sobre o rosto.

Os olhos dela ardiam — não só de raiva, mas de tudo o que vinha engolindo há semanas.

— Besteira? Chama de besteira eu tentar esquecer um homem que me fez em pedaços? — rebateu, a voz firme, mas trêmula. — Eu tô tentando respirar, Augusto. Só isso. Respirar sem lembrar do que você me fez sentir… e do que me fez sofrer!

Ele deu um passo à frente. — E é bebendo e dançando com outro que você faz isso?

— Pelo menos ele não duvida de mim! — respondeu rápido, ferida.

Augusto cerrou os punhos, os olhos verdes faiscando no escuro.

Por um segundo, ele não era o CEO calculista — era só um homem que amava e não sabia lidar com o próprio medo.

— Você acha que foi fácil pra mim, Eloise? — a voz dele baixou, grave. — Eu vi o chão sumir quando pensei que tinha perdido você. Eu surtei. Eu errei. Mas não vou ficar assistindo outro tocar no que é meu.

— Meu? — ela riu, incrédula, o gosto da tequila ainda nos lábios. — Eu não sou sua propriedade, Augusto!

— Não, você não é minha. — ele deu mais um passo, a voz agora rouca, o olhar queimando o dela. — Mas também não é de mais ninguém.

Eloise abriu a boca pra responder, mas a fala morreu antes de sair.

O coração batia tão alto que parecia ecoar na calçada vazia.

— Você não pode aparecer do nada e achar que ainda tem esse poder sobre mim. — sussurrou, a respiração acelerada.

Augusto ergueu a mão, encostando-a de leve no rosto dela.

— Não posso… mas tenho. — murmurou.

Ela tentou dar um passo pra trás, mas ele a seguiu.

O perfume dele, a voz rouca, o calor — tudo misturava raiva e saudade, o tipo de mistura que sempre terminava do mesmo jeito.

— Não faz isso, Augusto… — ela pediu, mas a voz já não tinha força.

— Tarde demais. — ele respondeu, antes de colar os lábios nos dela.

O beijo veio intenso, urgente, cheio de raiva e desejo.

Eloise até tentou resistir — as mãos empurraram o peito dele, mas cederam logo depois.

A tequila, a saudade e o coração confuso dissolveram qualquer lógica.

Ele a puxou pela cintura, e o corpo dela respondeu instintivamente, como se reconhecesse o toque antes mesmo da mente aceitar.

Por um instante, o mundo sumiu — só restaram os dois, a respiração entrecortada, o gosto misto de álcool e arrependimento.

Quando se afastaram, os olhos dela estavam marejados.

— Isso… — ela sussurrou, ofegante. — Isso não resolve nada.

— Talvez não. — ele murmurou, a voz baixa, o olhar cravado nos lábios dela. — Mas também não dá pra fingir que acabou.

Eloise desviou o olhar, o coração em chamas e as pernas trêmulas.

— Eu não sei mais o que pensar, Augusto…

Ele passou a mão pelo cabelo, respirando fundo, tentando recuperar o controle.

— Então não pensa. Só sente.

— Eu sei. — disse ele simplesmente, saindo do carro e abrindo a porta pra ela.

— Eu não vou entrar.

— Então fica aqui fora, brigando comigo na calçada. — ele respondeu com calma perigosa. — Ou entra e me diz tudo o que está preso pra dizer.

Eloise hesitou por um segundo — o suficiente pra perder.

Entrou.

O apartamento estava em meia-luz, o perfume amadeirado de Augusto misturado ao cheiro de whisky.

Ele tirou o paletó e o jogou sobre o sofá, o olhar cravado nela.

Como se o universo conspirasse a favor, a chuva começou a cair lá fora — riscando o vidro das janelas, enquanto dentro o ar parecia pesado demais pra respirar.

Eloise e Augusto estavam frente a frente — tão próximos que bastava um suspiro para que se tocassem.

Nenhum dos dois disse uma palavra. O silêncio falava por eles, cheio de tudo o que ainda não tinha sido dito.

Ele ficou a poucos centímetros dela, o olhar percorrendo seu rosto como quem decora um mapa esquecido.

O tempo pareceu suspenso — só havia o som da chuva e o peso da saudade.

Então ele ergueu a mão e afastou uma mecha do cabelo dela, o toque leve como um pedido de perdão.

— Senti sua falta. — murmurou, a voz rouca, carregada de verdade.

Eloise fechou os olhos por um instante, tentando resistir. Mas o coração não sabia fingir.

— Foi você que me afastou. Que me humilhou. — disse quase num sussurro.

Augusto respirou fundo, o olhar queimando.

— Eu sou um idiota. Um burro. Mas eu te amo, Eloise.

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