No Ritmo do Coração
O ar frio da madrugada cortava o calor do bar. As risadas se misturavam ao som distante de carros e passos apressados.
Os seis saíram juntos — passos meio tortos de tequila, corações acelerados por motivos diferentes.
Thiago e Emma seguiram primeiro, de mãos dadas e sorrisos cúmplices.
Heitor insistiu em levar Nathalia, alegando que “mulher bonita não anda sozinha à noite”.
E Thomas, sem discutir, apenas olhou para Sofia.
— Eu te levo. — disse, a voz firme, sem espaço para objeção.
Sofia hesitou, mas assentiu.
— Tudo bem… obrigada.
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No carro, o silêncio era quase confortável.
O rádio tocava algo suave, e as luzes da cidade passavam pelos vidros como flashes de um filme lento.
Thomas dirigia com uma calma que não combinava com o homem que costumava intimidar até criminosos.
De vez em quando, lançava um olhar discreto na direção dela — Sofia, pequena no banco ao lado, o rosto voltado para a janela, os dedos brincando com a barra do vestido.
— Você parece tensa. — comentou num tom baixo.
— Não… é só o vinho. — respondeu com um sorriso tímido.
Thomas riu de leve.
— É, o vinho… e a companhia de um policial armado.
Ela o olhou, surpresa, e acabou rindo também.
A risada dela era leve, e aquilo o desarmou mais do que qualquer confissão.
Poucos minutos depois, o carro parou em frente ao prédio dela.
Thomas saiu primeiro e deu a volta, abrindo a porta do lado dela — um gesto simples, mas cheio de respeito.
Sofia desceu devagar, o vestido roçando as pernas, o vento bagunçando os fios ruivos que escapavam do coque.
— Obrigada por me trazer. — disse, com um olhar sincero.
Thomas se aproximou um pouco mais.
— Eu faria isso quantas vezes fosse preciso. — respondeu, e a voz dele soou mais grave do que pretendia.
Por um instante, o mundo pareceu suspenso.
Sofia levantou o olhar e o encontrou — de perto, o homem de expressão dura parecia menos inatingível.
Os olhos castanhos dele tinham algo que ela nunca tinha notado antes: calma e desejo, na mesma medida.
Ele hesitou. Depois, deu um passo à frente.
Os dedos tocaram o rosto dela, o polegar desenhando o contorno do queixo.
— Posso? — perguntou, a voz quase um sussurro.
Ela não respondeu com palavras — apenas fechou os olhos.
O beijo veio lento, firme, cheio de cuidado. Ganhou intensidade.
E no instante seguinte, Thomas sentiu o corpo dela enrijecer.
Ela o segurou pelos ombros, sem força, e se afastou num sobressalto.
— Eu… eu preciso entrar. — disse rápido, a voz trêmula.
Thomas deu um passo atrás, surpreso.
— Ei… tá tudo bem?
Sofia balançou a cabeça, nervosa.
— Sim, é só… é melhor eu subir. Boa noite, Thomas.
Ela entrou apressada, sem olhar pra trás.
A porta do prédio se fechou com um clique leve, deixando-o sozinho na calçada.
Por alguns segundos, ele ficou parado, tentando entender o que acabara de acontecer.
Então, como um estalo, percebeu — o jeito dela, o susto, o tremor.
Sofia não era apenas reservada. Era inexperiente.
Thomas passou a mão pelos cabelos, respirando fundo.
Um meio sorriso cansado surgiu.
— Bonito, Alves… — murmurou pra si mesmo. — Você conseguiu assustar a única mulher que realmente mexeu com você.
Entrou no carro. O motor ronronou baixo na madrugada.
O beijo veio em seguida — quente, intenso, cheio de saudade acumulada.
Ela o agarrou pela camisa, puxando-o com uma fome que não era só desejo, mas entrega.
Thiago respondeu na mesma medida, mas com uma ternura que contrastava com o fogo entre eles.
Cada toque era uma confissão.
Cada suspiro, um “finalmente”.
Ele a conduziu pelo corredor até o quarto, sem pressa — os corpos se encontrando em um ritmo que alternava urgência e carinho.
O beijo entre eles parecia uma conversa longa, feita de promessas silenciosas e perdões não ditos.
Emma riu baixinho quando ele a girou, deitando-a na cama.
— Cuidado…
— Sempre. — ele respondeu, a voz rouca. — Com você, sempre.
As mãos dele exploraram o contorno do corpo dela com reverência, como se memorizassem cada traço.
E quando os olhares se encontraram de novo, não havia mais pressa — apenas o ritmo natural de dois corações que finalmente batiam no mesmo compasso.
A chuva começou a cair lá fora, batendo nas janelas como aplausos suaves.
E dentro do quarto, o mundo se reduziu a pele, respiração e o nome um do outro.
Era desejo, sim — mas era amor em estado bruto.
O tipo de amor que nasce da cumplicidade, cresce na verdade e se consome em silêncio, sem precisar provar nada a ninguém.
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Horas depois, o apartamento estava mergulhado em penumbra.
Emma adormecera com a cabeça sobre o peito dele, os dedos entrelaçados.
Thiago, desperto, traçava linhas imaginárias no ombro dela, como quem desenha um futuro.
Sorriu, baixinho, e murmurou:
— Eu te encontrei no meio do caos… e agora não quero me perder mais.
Lá fora, a chuva continuava.
Mas ali, naquele quarto, só existia calma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...