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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 180

A Sombra na Porta

A madrugada ainda cheirava a perfume e confusão quando o carro de Heitor parou diante do prédio de Nathalia.

As luzes do painel lançavam reflexos dourados no rosto dela — e, por um instante, ele esqueceu como se respirava.

Nathalia virou o rosto devagar, um sorriso preguiçoso nos lábios, os olhos brilhando.

— Obrigada pela carona, doutor VisionLab.

Heitor riu, inclinando-se no banco.

— “Doutor”? Isso foi elogio ou provocação?

— Depende… — ela respondeu, o tom arrastado, divertido. — Se você estiver esperando um beijo, foi provocação.

O sorriso dele se desfez num meio suspiro.

— E se eu disser que tô?

Nathalia o olhou com calma.

— Então vai ter que continuar esperando.

Ela abriu o cinto, pegou a bolsa e parou antes de sair do carro.

O olhar dele prendeu o dela — intenso, confuso, meio perdido entre desejo e curiosidade.

— Nathalia… — ele começou, a voz rouca. — Eu não tô acostumado com mulheres que me deixam no vácuo.

Ela sorriu de canto, inclinando-se próxima o bastante para que o perfume dela o envolvesse.

— Pois é, Heitor. Eu não tô acostumada com homens que acham que um sorriso é senha.

Ele riu, rendido.

— Você é impossível.

— Eu prefiro o termo livre. — disse, piscando antes de sair do carro.

Heitor a acompanhou com o olhar até ela entrar no prédio, o salto marcando o compasso leve no piso.

Por um momento, pensou em chamá-la de volta. Mas o instinto — e talvez o bom senso — o fizeram ficar.

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Lá dentro, Nathalia atravessou o corredor ainda sorrindo.

Jogou as chaves sobre a bancada, tirou os sapatos e foi direto à cozinha.

A sensação de liberdade era seu vício favorito — e, naquela noite, ela se sentia leve, viva, inteira.

Serviu-se de um copo d’água, encostou-se na pia e fechou os olhos por um instante.

O eco das risadas no bar, o toque de Heitor, o olhar dele… tudo girava em sua mente como uma lembrança morna.

Mas o som que veio a seguir não fazia parte da lembrança.

Um estalido seco, quase imperceptível, veio da porta de entrada.

Nathalia abriu os olhos, tensa, virando lentamente o rosto.

O coração acelerou.

Ela tinha certeza de que havia trancado a porta.

Deu dois passos silenciosos em direção à sala, o copo ainda na mão.

A luz fraca do corredor refletiu uma sombra projetada contra a parede — alta, masculina.

Por um instante, o ar pareceu parar.

Nathalia engoliu em seco, o copo tremendo entre os dedos.

Antes que pudesse reagir, a sombra se moveu — devagar, sem pressa, como quem já sabia que seria descoberta.

E então, uma voz grave rompeu o silêncio:

— Boa noite, Nathalia. Eu precisava te ver.

O copo escorregou da mão dela e se espatifou no chão.

O susto foi imediato, mas não de medo — de algo muito mais confuso.

Ela ficou imóvel, o peito subindo e descendo depressa.

A silhueta à frente deu um passo, e a pouca luz revelou apenas parte do rosto.

O choque congelou tudo ao redor.

Nathalia mal respirava.

Não sabia se sorria, se gritava… ou se corria.

“Eu te amo, mas me dói amar você.

Não me procure mais.

Adeus.”

Augusto fechou os olhos, o bilhete ainda preso entre os dedos.

O silêncio do apartamento pareceu gritar.

E pela primeira vez em muito tempo, o homem que controlava tudo percebeu que estava completamente perdido.

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Do lado de fora, o vento da manhã ainda carregava o cheiro da chuva.

Eloise desceu as escadas do prédio com passos apressados, o coração em frangalhos.

Chamou um táxi, e quando a porta se fechou atrás dela, o mundo desabou.

As lágrimas vieram sem aviso — silenciosas, teimosas, impossíveis de conter.

A cada esquina, uma lembrança.

A cada farol, uma promessa quebrada.

Do banco de trás, ela observou a cidade passando, as luzes pálidas refletindo no vidro molhado.

O motorista olhou pelo retrovisor, quis perguntar se estava tudo bem, mas desistiu.

Algumas dores não precisam de explicação.

Eloise encostou a cabeça na janela, os olhos fixos no nada.

O bilhete que deixara para trás ainda queimava em sua mente.

“Eu te amo, mas me dói amar você.

Não me procure mais. Adeus"

Ela fechou os olhos, deixando o choro vir de vez.

Porque, pela primeira vez, a ficha caiu — ela realmente o mandou embora da sua vida.

E perceber que talvez Augusto Monteiro sumisse de sua vida doía mais do que qualquer ferida que ele já tivesse causado.

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