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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 181

Ecos da Madrugada

O sol ainda mal havia nascido quando Eloise desceu do táxi diante do prédio de Nathalia.

O ar da manhã tinha cheiro de chuva antiga e confusão recente.

Ela respirou fundo antes de entrar. Ainda sentia o gosto amargo das lágrimas, o peso das palavras que deixara para trás.

Mas precisava ver a amiga. Precisava de chão.

O elevador subiu devagar, cada andar ecoando como um lembrete de que a vida seguia — mesmo quando o coração insistia em parar.

Assim que as portas se abriram, Eloise deu um passo para fora… e congelou.

Um homem alto, de terno escuro e olhar firme, estava prestes a entrar.

Ele a fitou com naturalidade, mas algo naquele semblante fez o estômago dela revirar.

— Bom dia. — disse ele, a voz grave, polida, quase cortante.

Eloise piscou, tentando disfarçar o desconforto.

— Bom dia. — respondeu, educada, mas sem conseguir esconder o incômodo.

Seguiu pelo corredor, o som dos saltos ecoando no piso frio.

No corredor caminhou até o apartamento 101.

Por um instante, o mundo pareceu girar devagar.

Aquele rosto…

Aquele homem…

Ela o conhecia.

O coração acelerou antes mesmo que o raciocínio alcançasse o nome.

Eloise bateu à porta de Nathalia com mais força do que pretendia.

Demorou alguns segundos até ouvir passos apressados e o som da tranca girando.

A porta se abriu.

Nathalia estava de roupão, os cabelos desgrenhados, o olhar atônito.

A sala estava uma bagunça — copo quebrado no chão, o cheiro de café recém-passado tentando disfarçar o caos.

— Amiga... — Eloise começou, ainda sem fôlego. — Me diz que Ricardo Rocha não passou a noite aqui?

O silêncio que veio depois pesou como chumbo.

Nathalia engoliu em seco, desviando o olhar para os cacos que tentava juntar.

No mesmo instante, o som de notificações ecoou pelo apartamento.

Eloise e Nathalia trocaram um olhar confuso antes de pegarem o celular.

O grupo das quatro piscava no topo da tela: “As Insubstituíveis 💄🔥”

Emma:

> Meninas, preciso ver vocês. Babado. Urgente.

Sofia respondeu segundos depois:

> Eu também preciso falar com vocês. Estou confusa com umas coisas… e não tenho com quem conversar.

Nathalia passou a mão pelos cabelos, tentando disfarçar o nervosismo.

Eloise observava a tela, o coração ainda acelerado — e a cabeça fervendo com a imagem daquele homem no corredor.

— Parece que o dia mal começou e já promete confusão. — murmurou Nathalia, forçando um sorriso.

Eloise guardou o celular, seria.

— Somos amigas, certo? Então explicar.

Nathalia respirou fundo, apoiando as mãos na bancada.

— Ele que veio atrás, amiga. — disse, com a voz firme, mas os olhos denunciando o abalo. — Não vai se repetir de novo.

Eloise ficou imóvel por um instante, tentando processar.

O nome ecoava na sua mente.

Ricardo Rocha.

O pai da Emma.

O choque se misturou ao instinto de proteção.

Não só por Nathalia — mas por todas elas.

— Natha… se a Emma descobrir isso, vai ser um caos. Não sabemos como ela pode reagir, mas podemos imaginar. — murmurou, tensa.

— Eu sei. — respondeu a loira, passando as mãos nos cabelos. — E é por isso que não vai descobrir. Certo? Não vai acontecer de novo, eu prometo.

Eloise apenas assentiu, mas os olhos marejados a traíam.

Nathalia percebeu.

— Ei… — disse, suavizando o tom. — Por que você chorou, hein? O que aquele ogro fez dessa vez?

Eloise tentou sorrir, mas o lábio tremeu.

As lágrimas voltaram antes mesmo que ela conseguisse falar.

— Eu mandei ele não me procurar mais, Natha. — sussurrou, com a voz embargada. — E agora… eu não sei se fiz o certo.

Nathalia suspirou, puxando a amiga para um abraço apertado.

— Você fez o que achou que precisava fazer, Lô. Mas ninguém te culpa por sentir.

As duas ficaram assim por alguns segundos, até o som das notificações vibrar nos celulares.

O grupo das quatro piscava de novo.

Emma:

> A noite rendeu ahahah

Nathalia limpou as lágrimas do rosto da amiga, pegou o celular e digitou rápido:

> SOS também. Onde vamos? Reunião de garotas pra já!

A resposta veio quase instantânea.

Emma:

> Já reservei uma sala privativa no clube. Nos vemos lá em uma hora.

Nathalia jogou o celular no sofá e se levantou.

— Então, bora, princesa. Enxuga esse rosto, troca essa roupa, sair e ver as meninas vai nos fazer bem. - Disse e piscou.

Eloise respirou fundo, tentando conter o choro.

As quatro chegaram ao clube com semblantes distintos — risos contidos, olhares curiosos, mas uma tensão silenciosa pairava no ar.

Eloise, com os olhos inchados e o cabelo preso às pressas, parecia ter deixado metade da alma no travesseiro.

Assim que entraram na sala privativa, Emma se adiantou e fechou a porta.

Virou-se para Eloise, cruzando os braços.

— Lô… o que aconteceu? — perguntou, direta. — O que o Augusto fez dessa vez? Ele não cansa de aprontar?

Antes que ela continuasse, Eloise levantou a mão.

— Desculpa… — murmurou. — Você tá tão radiante, Emma. Não quero que se preocupe comigo.

Emma franziu o cenho.

— A gente ama você. E não tem que pedir desculpas por nada, entendeu?

Sofia assentiu, com doçura.

— Emma tem razão. A gente se preocupa porque te ama, Lô.

Eloise suspirou, emocionada.

— Eu amo vocês também. Obrigada por sempre estarem comigo.

Nathalia, impaciente, cruzou as pernas e arqueou uma sobrancelha.

— Certo, agora desembucha. — disse Emma, dando risada. — O que rolou?

Nathalia respondeu antes que Eloise abrisse a boca:

— Basicamente, ela viveu uma noite sórdida de amor e, ao amanhecer, mandou o homem nunca mais procurá-la.

Sofia arregalou os olhos.

— Puts… amiga, aí é confuso.

Eloise, tentando recuperar o fôlego:

— E o que você fez, hein? — perguntou, divertida. — Você não… perdeu a virgindade, né?

Sofia negou rápido.

— Não! Ele só me beijou, mas foi… diferente. Eu senti tudo, de um jeito que nunca senti antes. E aí eu fiquei nervosa e saí correndo pra entrar em casa.

Emma, rindo, balançou a cabeça.

— Ai, Sofia… Ele sabia que você é virgem? — perguntou com um sorriso.

— Acho que não — respondeu Sofia, encolhendo os ombros. — Fiquei com vergonha. Ele parece ser tão experiente… e se eu contar e ele não quiser mais? Ele tem uma pegada meio… bruta.

Nathalia se endireitou na cadeira, rindo.

— Amiga, você tem que conversar com ele. Se quiser continuar algo, precisa falar. Fala abertamente que é nova nisso e não gosta do jeito bruto.

Eloise completou, doce:

— E se ele for o cara certo, vai entender e respeitar. Mas fala o que sente, sem medo.

Sofia respirou fundo, os olhos abaixados.

— Mas… — murmurou, quase num sussurro — eu gosto.

As três se entreolharam, surpresas.

— Gosta? — Emma repetiu, prendendo o riso.

Sofia, ainda vermelha, assentiu.

— É… me excita, mas também me assusta um pouco.

A mesa explodiu em risadas, mas era uma risada leve, de carinho.

Nathalia secou os olhos de tanto rir.

— Essa “virginzinha” tá me saindo mais danadinha do que parecia!

Sofia cobriu o rosto com as mãos.

— Eu não acredito que tô falando essas coisas com vocês…

Eloise sorriu.

— É pra isso que servem as amigas, ué.

Emma se aproximou, tocando o braço dela.

— Olha, se você acha que gosta, conversa com ele. Uma conversa franca muda tudo.

Nathalia completou com aquele tom debochado, mas sincero:

— Exatamente, So. Conta pra ele que é virgem, mas que gosta dessa pegada. Que quer tentar, do jeito de vocês. E deixa ver como o Thomas reage.

— Ele tá louquinho por você, Sofia. — Emma sorriu. — Aposto que não vai ser isso que vai afastar o homem.

Sofia olhou para as três, com o rosto ainda corado, mas o sorriso abrindo.

— Tá bom… eu vou pensar.

Nathalia piscou.

— Pensa rápido. Porque se você não quiser, eu mesma…

— Nathalia! — Eloise e Emma gritaram juntas, rindo alto.

— Brincadeira, gente! — ela respondeu entre gargalhadas. — Ou quase.

As quatro riram tanto que chamaram a atenção de quem passava do lado de fora da sala.

Eloise suspirou, olhando pra elas com ternura.

— Vocês são o caos mais lindo da minha vida.

Emma ergueu o copo.

— Então, um brinde… à confusão, aos homens que enlouquecem a gente, e às amigas que seguram o tranco!

— Saúde — responderam em coro, brindando.

E, por um instante, o mundo pareceu leve de novo.

O riso ainda pairava no ar quando Nathalia, de repente, mudou a expressão.

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