Verdades e Promessas
Ela apoiou os cotovelos na mesa, respirou fundo e disse com seriedade:
— Então… já que somos amigas de verdade, eu não queria falar isso agora, mas também não vou esconder. E muito menos deixar a Eloise mentir por minha causa.
O silêncio caiu na hora.
Emma franziu o cenho, confusa.
— O que foi, Nathalia?
Nathalia passou a língua nos lábios, nervosa.
— Emma… me desculpa. — disse, olhando-a nos olhos. — Há alguns dias eu me encontrei, por acaso, com o seu pai.
Emma piscou, surpresa.
— O quê? Como assim, com o meu pai?
Eloise estendeu a mão e segurou a dela, em apoio.
Nathalia respirou fundo.
— A gente se encontrou sem querer, de verdade. Não sei se foi coincidência, mas da minha parte foi.
Emma ficou imóvel, o olhar preso nela.
— E… o que aconteceu?
Nathalia abaixou um pouco o olhar.
— A gente conversou muito. — confessou. — Acabamos jantando juntos, bebemos vinho… no fim da noite ele me deixou em casa.
Emma soltou um suspiro, tentando entender.
— Ufa… mas algo me diz que o que eu tô imaginando não para por aí.
Nathalia hesitou. Eloise apertou mais forte a mão dela, em silêncio.
— Naquela noite, não aconteceu nada. — continuou. — Foi bom, divertido… a conversa fluiu. Mas eu sabia quem ele era, e foi estranho. Eu não falei nada, não porque quis esconder… só não soube como.
Sofia, mais recatada, tentou aliviar o clima.
— Acho que seria uma situação esquisita pra qualquer uma.
Nathalia assentiu, a voz saindo trêmula.
— Ontem, quando cheguei no meu apartamento… ele estava lá.
O silêncio ficou mais denso.
— E aconteceu. — disse por fim, sem fugir do olhar das amigas. — Eu tava um pouco bêbada, tinha tensão no ar, tesão… e acabou acontecendo.
Eloise abaixou a cabeça. Emma continuava imóvel, como se o cérebro tentasse digerir as palavras.
Nathalia piscou rápido, nervosa.
— Amiga, me desculpa. Eu não quero esconder nada de vocês. Só quero ser sincera, como sempre fomos umas com as outras.
Emma levou a mão à boca, respirando fundo.
Por um instante, ninguém disse nada.
O ar entre elas pesou — não de raiva, mas de choque, de um silêncio que cabia muita coisa dentro.
Emma ficou em silêncio por alguns segundos, tentando processar o que acabara de ouvir.
Não havia raiva — só um nó apertado no peito, uma mistura de surpresa e preocupação.
Ela respirou fundo e olhou para Nathalia, a voz saindo calma, mas firme:
— É… estranho, sabe? — admitiu. — Mas eu não tô com raiva de você, Nath. Só… preciso digerir tudo isso.
Nathalia abaixou o olhar, parecendo pequena pela primeira vez em muito tempo.
— Foi coisa de uma noite. — disse baixinho, como se tentasse convencer a si mesma. — Não vai acontecer de novo, eu juro.
Emma assentiu, os olhos marejando.
— Eu só quero que você tome cuidado.
Ela respirou fundo, encarando o vazio por um instante antes de continuar:
— Eu amo o meu pai, ele é o melhor pai do mundo. Perfeito… como pai.
A voz falhou um pouco.
— Mas ele não presta pra mulher. Não depois do que aconteceu com a minha mãe. — confessou, com tristeza sincera. — Faz mais de vinte anos, e ainda é vergonhoso dizer isso, mas… ele só usa as mulheres. Nunca me apresentou uma em um relacionamento sério.
O silêncio caiu entre elas.
Sofia e Eloise se entreolharam, surpresas.
Nathalia mordeu o lábio, tentando não chorar.
Emma enxugou discretamente uma lágrima e forçou um sorriso leve:
— Só não quero ver você se machucar, Nath. O senhor Ricardo tem esse costume. Já vi mulheres fazerem loucuras por ele… e não quero ver a minha amiga passar por isso.
Ela estendeu a mão sobre a mesa. — E obrigada por não esconder de mim.
Nathalia soltou um suspiro trêmulo e sorriu fraco.
— Ufa… achei que você fosse me odiar.
— Nem se eu quisesse. — Emma respondeu, rindo baixinho. — A gente é um pacote.
Eloise respirou fundo, olhando para cada uma delas.
— Então vamos prometer uma coisa, todas nós. Mesmo que um dia pareça doer, mesmo que achemos que a outra vai se magoar, a gente sempre fala a verdade. Sempre.
Emma colocou a mão no centro da roda.
— Eu prometo.
Uma a uma, as outras fizeram o mesmo.
— Eu prometo. — disseram, quase em uníssono.
Sofia riu e completou:
— As insubstituíveis.
— As insubstituíveis. — repetiram juntas, entre risos e olhos marejados.
E assim, entre confissões, gargalhadas e um pacto silencioso de amor e lealdade, a tarde seguiu no clube — com as quatro amigas rindo, conversando e lembrando que, no fim, o que as mantinha unidas era exatamente isso:
a verdade e o amor incondicional entre elas.
___
O sol já começava a descer no horizonte quando Augusto mandou a mensagem no grupo dos rapazes:
“Clube, 18h. Rodada por minha conta.”
— Literalmente. — Thomas respondeu, frustrado. — Depois percebi que ela é inexperiente. E o problema é… — fez uma pausa, coçando a nuca — vocês sabem do que eu gosto. E talvez ela não vá gostar.
Heitor tentou disfarçar o riso.
— O policial dominador tá com medo de assustar a ruivinha? Essa é nova.
Augusto apoiou o copo na mesa e falou com firmeza:
— Thomas, se você tá realmente gostando dela, o caminho é simples: conversa.
Thomas franziu o cenho.
— Conversar sobre isso?
Thiago completou:
— Sim, cara. — apontou com o copo. — Se ela nunca teve nada disso do seu mundo, você pode guiá-la. Com calma. Sem pressão. E, se for pra dar certo, vai ser porque ela vai confiar em você.
Thomas assentiu, pensativo.
— Talvez vocês tenham razão.
Heitor, sorrindo, levantou o copo.
— Eita, que vocês tão muito cupidos pro meu gosto.
Thiago virou-se pra ele, provocando:
— Só tá zoando porque a Nathalia tá te fazendo de gato e sapato.
Os outros caíram na gargalhada.
Heitor ergueu as mãos, teatral:
— Eu? Sou um homem paciente. Tô só esperando o momento certo pra ela perceber que resistir a mim é perda de tempo.
Thomas riu baixo.
— Pelo andar da carruagem, ela vai perceber… no Natal.
— Engraçadinho. — Heitor retrucou, jogando um guardanapo nele. — Mas anota aí: essa mulher ainda vai cair de amores por mim.
Thiago levantou o copo em tom de brinde.
— Então brindemos: a mulheres impossíveis, corações complicados e amigos idiotas.
Augusto sorriu de canto e completou:
— E a segundas chances.
Os copos se chocaram, o som ecoando no ar.
O clima voltou a ficar leve — piadas, provocações, histórias de bar e risadas sinceras.
Mas, no fundo, entre os goles e o som do jazz tocando ao fundo, cada um deles sabia que aquela noite era mais do que uma simples confraternização.
Era o início de uma nova fase.
Augusto estava decidido a reconquistar Eloise.
Thiago finalmente entendia o amor.
Thomas enfrentaria seus medos.
E Heitor… bem, ele ainda tinha Nathalia.
E uma aposta silenciosa de que o impossível, às vezes, só precisava de insistência.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...