A Teia se Fecha
O relógio do saguão do Hotel marcava quase oito da noite quando Thamires entrou.
Os saltos ecoavam no mármore como estalos de veneno, e o perfume caro deixava um rastro doce e perigoso.
No bar reservado, um homem já a esperava — terno escuro, olhar calculado e um copo de conhaque na mão.
Ele não gostava de atrasos. Muito menos de surpresas.
— Finalmente. — disse, sem levantar os olhos. — Achei que tivesse desistido.
Thamires sorriu, aquele tipo de sorriso que nunca dizia o que pensava.
— Eu nunca desisto Louvre. Apenas ajusto as jogadas.
Mas antes que ele pudesse responder, uma terceira voz ecoou atrás dela:
— Espero que não se importem com a minha presença.
Louvre levantou os olhos, e o sorriso sumiu.
— O que é isso, Thamires? Eu pedi discrição.
O homem à porta deu dois passos à frente. A postura era arrogante, o terno impecável.
Louvre o reconheceu de vista — empresário, influência razoável, fama duvidosa.
— Calma. — disse Thamires, pousando a mão no braço do parceiro. — Ele é dos nossos. Pode ser útil.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Louvre pousou o copo sobre a mesa, observando o recém-chegado como quem avalia uma ameaça.
— Dos nossos? — repetiu, a voz baixa, cortante. — Eu não tenho “nossos”, Thamires. Tenho acordos. E cada um deles vem com preço e assinatura.
Ela manteve o sorriso.
— E este acordo pode ser o mais lucrativo da sua carreira.
Louvre cruzou as mãos sobre a mesa.
— Fale.
Thamires trocou um olhar com o homem e começou:
— Eu quero destruir Augusto Monteiro. Quero ele rastejando.
As palavras soaram calmas, mas havia veneno nelas. — Quero que ele perca tudo: o nome, a reputação e… — um sorriso lento surgiu — o amor que ele acha que encontrou.
Louvre a observava em silêncio, interessado.
Ela continuou:
— Tenho algo em mente. Uma sequência de movimentações financeiras que podem comprometer as duas empresas — VisionLab e MonteiroCorp.
O escândalo será inevitável. E, quando o caos começar, ela vai ser arrastada junto.
— Ela… — Louvre arqueou uma sobrancelha. — Eloise Nogueira?
Thamires se inclinou, o olhar frio.
— Exatamente. Quero que ele veja ela cair por causa dele.
O homem que a acompanhava — Lorenzo — permaneceu quieto até então. Só então falou, a voz firme e sombria:
— E onde eu entro nisso?
Louvre o fitou com interesse.
— Você tem uma empresa de fachada, não tem?
— Tenho mais de uma. — respondeu, sem disfarçar o orgulho.
Louvre sorriu, satisfeito.
— Então é simples. — disse, pegando uma pasta de dentro da maleta. — Vamos movimentar dinheiro através delas. Faturas frias, contratos fantasmas… o suficiente pra levantar suspeitas.
Ele se inclinou para frente, os olhos faiscando:
— A impressa vai ser avisada, os rastros vão apontar direto pra Monteiro.
E adivinha quem vai aparecer como responsável pelos relatórios e cruzamento de dados?
Thamires sorriu, com malícia.
— Eloise.
— Exato. — Louvre completou, satisfeito. — A secretária modelo, a mulher perfeita. O escândalo vai atingi-la primeiro. E quando ele tentar defendê-la, vai afundar junto.
Um silêncio triunfante pairou na mesa.
Thamires olhou para Lorenzo e depois de volta para Louvre.
— E quanto a ele? — perguntou, referindo-se ao próprio Lorenzo. — Quero que o envolva nas faturas, nas notas. Ele e a empresa dele podem cuidar da parte “técnica”.
Louvre estreitou o olhar.
— Está me pedindo pra colocar o nome dele no meio de um esquema de lavagem milionário?
Thamires manteve o tom calmo.
— Sim. Deixa o resto comigo.
Louvre soltou um riso seco.
— Você é ousada, Thamires. Mas não se esqueça: você não manda em nada.
Ela abriu a boca pra responder, mas ele ergueu a mão, cortando-a.
— Eu posso ajudar. — disse, por fim, voltando o olhar para Lorenzo. — Mas tudo tem um preço.
Louvre se levantou, pegou a pasta e colocou sobre a mesa.
— Espero que tenha vindo com fome. — disse ela, sorrindo.
— Eu vim… mas agora não sei se é de comida. — respondeu ele, num tom baixo, rouco de verdade.
Ela riu e o puxou pela mão.
Na cozinha, o ambiente era puro aconchego: vinho tinto sobre a mesa, panelas fumegando, uma playlist suave tocando ao fundo.
Thiago arregaçou as mangas, aproximando-se do fogão.
— Então é aqui que o príncipe ajuda a princesa?
— Se não quiser passar fome, é melhor ajudar. — respondeu ela, rindo enquanto misturava o molho.
O clima era leve — olhares, toques acidentais, risos entre taças e o barulho do macarrão sendo escorrido.
O tipo de intimidade que nasce sem precisar de palavras.
Emma se virou para pegar o sal, e o braço dele roçou no dela.
Por um instante, o tempo parou.
— Thiago… — ela começou, mas a voz saiu baixa.
Ele se aproximou, devagar, até o corpo dela tocar o dele.
O olhar dos dois se prendeu, e o ar ficou espesso, quase palpável.
— Eu te avisei que era perigoso aceitar um convite meu. — ele murmurou.
— E eu te avisei que adoro perigo. — respondeu ela, antes de se inclinar.
O beijo começou leve, mas logo se transformou em algo mais — denso, quente, inevitável.
O vinho esquecido na bancada, o jantar fumegando, o mundo inteiro desaparecendo ao redor.
Ela deu um passo para trás, encostando-se na bancada, e ele a seguiu, o toque firme nas costas, o sorriso misto de desejo e ternura.
A cozinha, antes simples e iluminada, agora era um cenário de respiração e emoção.
Os dois riram entre beijos, entre tropeços e carícias, perdendo a noção do tempo.
Quando finalmente o molho começou a ferver, Emma murmurou contra os lábios dele:
— Acho que queimamos o jantar.
Thiago sorriu, encostando a testa na dela.
— Ótimo. Eu só queria a sobremesa.
Ela sorriu, cúmplice.
— Então, sorte a sua… que a sobremesa sou eu.
E ali, entre o aroma de vinho, o som baixo e o calor dos corpos próximos, eles se esqueceram de tudo — exceto do sabor de estar juntos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...