Segunda de Recomeços
A segunda-feira amanheceu preguiçosa, com o sol filtrando pelas cortinas e o cheiro de café invadindo o apartamento de Emma.
Ela riu sozinha ao ver Thiago tentando lidar com a cafeteira, o cabelo bagunçado e a camisa meio aberta.
— Isso devia ser considerado perigoso — disse, segurando uma xícara.
— O quê? — ele perguntou, distraído.
— Você, de manhã. — respondeu, sorrindo.
Ele riu, pegando a caneca das mãos dela e puxando-a pela cintura.
— Então se acostuma, porque pretendo repetir esse café mais vezes.
O beijo veio leve, acompanhado do aroma de café e da certeza silenciosa de que, por enquanto, estava tudo bem.
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Próximo dali, Eloise e Nathalia também dividiam o início do dia — uma mesa farta, duas canecas fumegantes e risadas preguiçosas.
O clima era leve, uma pausa rara entre tempestades.
Até que a campainha tocou.
Nathalia foi abrir e encontrou, no corredor, um enorme buquê de flores — rosas brancas e lírios entrelaçados, com um cartão preso entre as fitas douradas.
— Olha, parece que o cupido não tirou folga. — brincou Eloise, arqueando a sobrancelha.
Nathalia riu, surpresa, enquanto abria o bilhete.
> “Nem toda história precisa começar certa para terminar bonita.
— Heitor Reis.
O sorriso dela veio sem esforço.
— Esse homem vai me enlouquecer. — murmurou, com um brilho novo nos olhos.
Eloise riu, balançando a cabeça.
— Você adora um desafio.
— E você também, só finge que não. — retrucou Nathalia, com olhar cúmplice.
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Mais tarde, já na empresa, Eloise estava concentrada diante do notebook.
O código do projeto unindo a VisionLab e a MonteiroCorp avançava, linha por linha.
O coração dela, embora ainda marcado, batia mais calmo.
As palavras das amigas ecoavam em sua mente, leves e sinceras:
"A gente só foge do que teme... e você só teme o que sente."
Eloise suspirou, sorrindo de canto.
Talvez fosse isso.
Não havia mais para onde correr — e, no fundo, ela sabia:
por mais que tentasse, nunca conseguiria fugir de Augusto Monteiro.
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O relógio da sala marcava nove da manhã quando Antônio Mello atendeu a ligação.
O tom da voz do outro lado era frio, profissional — o tipo de conversa que não se tem em viva-voz.
Ele ouvia em silêncio, o olhar distante, tamborilando os dedos sobre a mesa de mogno.
Cada palavra parecia uma peça colocada no tabuleiro: contratos, acordos, faturas, nomes.
Um plano meticulosamente traçado.
Quando a ligação terminou, Antônio encostou-se na poltrona, satisfeito.
O sorriso que surgiu era o mesmo que precedia tragédias.
À mesa, Márcia observava em silêncio, os olhos cansados e o cigarro esquecido no cinzeiro.
Ela conhecia aquele olhar.
Sabia que, sempre que Antônio parecia calmo, era porque alguma coisa terrível estava prestes a acontecer.
— Está muito quieta. — ele comentou, levantando-se.
— É o cheiro da tua consciência queimando. — respondeu ela, amarga.
Ele riu, pegou o paletó, ajeitou o relógio no pulso e caminhou até a porta.
— Hoje estou de ótimo humor, aliás.
— E o motivo? — ela perguntou, com ironia.
— Notícias boas, minha querida. Não quero ficar nessa casa sentindo o cheiro da tua amargura.
Bateu a porta antes que ela respondesse.
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Minutos depois, já no carro, Antônio ajustou o paletó e pegou o celular.
O tom da voz mudou — agora era outro tipo de ligação.
— Quero duas meninas. — disse, direto. — Jovens, bonecas. Preciso comemorar.
Do outro lado, apenas um “sim, querido”.
Demorou menos de quarenta minutos para o telefone da recepção tocar novamente.
Outra entrega.
Pouco depois, o elevador se abriu — e lá estava o segundo buquê.
Dessa vez, lírios azuis e hortênsias, envoltos em papel acetinado e fita de seda.
O bilhete dizia:
> “Vermelho não combina com azul.
— Mas nós dois, sim.”
O escritório inteiro riu, e Eloise levou as mãos ao rosto, sem saber se ria ou chorava.
— Ele é louco.
— Louco por você. — respondeu Patrícia, sorrindo.
Heitor, fingindo inocência, levantou o copo de café:
— Só não diga que o homem não tem estilo. Porque ele acabou de ganhar o prêmio “Gestos de Reconquista do Ano”.
Eloise suspirou, olhando as flores — o vermelho da paixão e o azul da calma.
Dois opostos, assim como eles.
E pela primeira vez desde aquela noite, ela sorriu de verdade.
O fim da tarde chegou, o sol começava a se pôr sobre os prédios de Cidade Norte.
O aromas suaves do café da tarde se misturavam ao som dos teclados, quando Eloise levantou os olhos da tela e respirou fundo.
— Pronto. — murmurou, aliviada. — Projeto finalizado.
Álvaro, que passava por trás da mesa, parou de imediato.
— Terminou?
— Sim. Todas as simulações e ajustes estão prontos. Só falta a apresentação executiva.
Ele abriu um sorriso satisfeito.
— Excelente, Eloise. Eu aviso o Heitor para marcar uma reunião.
Eloise assentiu, tentando parecer calma.
Mas, no fundo, o coração dela acelerou.
Porque agora, depois das flores, dos bilhetes e de tudo o que ainda sentia, ela sabia:
o reencontro com Augusto Monteiro era apenas questão de tempo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...