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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 185

Alianças e Estratégias

A manhã estava silenciosa na VisionLab.

Olores de café fresco e papel recém-impresso preenchiam o ar quando Eloise entrou na sala de reuniões com uma pasta nas mãos e a postura firme de quem se preparou para aquele momento.

Heitor já a esperava, recostado na cadeira, com o semblante curioso e o tablet em mãos.

— Então… é esse o seu projeto? — perguntou, com um meio sorriso.

Eloise pousou os documentos sobre a mesa e abriu a apresentação no notebook.

— Exatamente. — respondeu com calma. — O projeto se chama Integra Vision, e tem como objetivo unir a VisionLab e a MonteiroCorp em uma rede de dados interligada e segura.

Heitor arqueou uma sobrancelha, interessado.

— Unir, como assim?

— Não seria uma fusão — explicou ela, girando a tela em direção a ele. — É uma integração de sistemas e protocolos de segurança.

A proposta é que ambas as empresas compartilhem uma plataforma de monitoramento que garanta a proteção mútua das informações. Assim, se uma for alvo de ataques ou espionagem, a outra age automaticamente como escudo.

Heitor passou os olhos pelos gráficos e relatórios.

— Isso é… ambicioso.

— É. — ela concordou, com um pequeno sorriso. — Mas é viável.

A ideia é criar um sistema de confiança corporativa. No futuro, poderíamos expandir o conceito para outras empresas do grupo, criando uma espécie de rede de blindagem empresarial.

Um empresário que sabe que seus dados estão seguros, tende a investir mais, arriscar mais. E é aí que o mercado cresce.

Heitor balançou a cabeça, impressionado.

— Eloise, isso é genial. Você tem noção do impacto que isso pode gerar?

— Tenho. — respondeu ela, firme. — Testar em parceria com a MonteiroCorp, seria o ideal.

O nome dele — Monteiro — escapou de seus lábios com um peso que ela tentou disfarçar, mas não conseguiu.

Heitor percebeu, mas não comentou. Apenas se inclinou na cadeira e cruzou os braços.

— Eu quero apresentar isso pro conselho ainda essa semana. — disse, animado. — Mas acho que seria interessante você mesma apresentar para o Augusto.

— Para o… senhor Monteiro? — ela perguntou, com a voz ligeiramente trêmula.

— Sim. — respondeu com naturalidade. — Afinal, quem melhor do que você.

Tenho certeza que ele vai querer ouvir a proposta direto de quem criou.

Eloise engoliu em seco, tentando manter a postura.

— Claro. Sem problemas.

Heitor sorriu, notando a mudança sutil no olhar dela.

— Ótimo. Então eu marco a reunião pra amanhã, às nove.

Ela assentiu, mesmo sabendo que o coração já batia mais rápido do que deveria.

Quando Heitor saiu da sala, Eloise ficou sozinha, olhando para o gráfico na tela.

Aqueles números, antes tão técnicos e racionais, agora pareciam dançar diante de seus olhos, misturados à lembrança do homem que ela jurou deixar para trás.

O som do ar-condicionado preencheu o silêncio.

Ela respirou fundo e sussurrou para si mesma:

— Amanhã… é só trabalho.

Mas no fundo, sabia que não era.

Nada que envolvesse Augusto Monteiro jamais seria só trabalho.

___

O tribunal estava cheio, o ar pesado com o murmúrio contido de advogados, jornalistas e curiosos.

No centro, Thomas Alves mantinha a postura firme, o olhar atento ao juiz, as mãos cruzadas atrás das costas.

Mais um caso encerrado — mais uma vitória prestes a ser registrada.

Mas algo, naquela manhã, o desconcentrou.

Do alto das arquibancadas, ele a viu.

Sofia, discreta, sentada na terceira fileira, com um caderno no colo e uma caneta nas mãos.

O cabelo ruivo preso em um coque solto, o olhar focado nas anotações.

Thomas demorou um instante para acreditar no que via.

Ela estava diferente do bar — mais séria, concentrada, com aquele ar doce de quem observa o mundo com curiosidade.

Entre um argumento e outro, os olhos dele fugiam para o alto — e cada vez que ela percebia, corava até a raiz do cabelo.

Ele achava irresistível.

O julgamento seguiu, as palavras ecoando pelo salão até o juiz encerrar a sessão com o som seco do martelo.

Thomas recolheu os papéis, trocou algumas palavras rápidas com o promotor e saiu pela lateral.

Lá fora, o sol de fim de manhã iluminava as escadarias do tribunal.

Sofia descia devagar, o caderno contra o peito, os olhos baixos, imersa nas anotações.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, sentindo o coração acelerar.

E, para quebrar o clima, levantou o caderno e mostrou algumas anotações rabiscadas.

— Eu estava escrevendo tudo o que você dizia.

— Sério? — ele riu. — Espero que tenha registrado o meu charme também.

— Isso não entra no relatório. — respondeu, rindo. — Mas talvez entre nas entrelinhas.

Thomas riu alto dessa vez, balançando a cabeça.

— Sofia, você é uma caixinha de surpresas.

Ela deu de ombros.

— E você é um enigma.

Por alguns segundos, ficaram apenas se olhando — o ruído da rua desapareceu, o vento leve bagunçando o coque dela.

Thomas respirou fundo, e antes que o silêncio ficasse desconfortável, soltou:

— Já que você veio estudar, acho que merece uma pausa.

— Pausa? — ela repetiu, desconfiada.

— É. Um café. Ou um almoço. Qualquer coisa que envolva eu te vendo sorrir de novo.

Sofia mordeu o lábio, pensativa.

— Isso é um convite formal, doutor Alves?

— Considera um mandado. — disse ele, divertido. — E eu não aceito recurso.

Ela riu, o rosto corando de novo.

— Tudo bem, eu aceito… mas só se você prometer que não vai transformar o café num interrogatório.

Thomas ergueu as mãos em rendição.

— Prometo. Só perguntas leves… tipo: qual seu perfume e por que você fica tão bonita quando cora.

Sofia balançou a cabeça, rindo, e desceu o último degrau.

— Thomas.

— Ok. Vou pegar leve. — retrucou ele, abrindo a porta do carro.

Ela entrou, ainda sorrindo.

E enquanto o carro se afastava das escadarias do tribunal, Sofia percebeu que aquele “exercício de observação” estava prestes a virar algo que nem os livros de Direito saberiam explicar.

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