Alianças e Estratégias
A manhã estava silenciosa na VisionLab.
Olores de café fresco e papel recém-impresso preenchiam o ar quando Eloise entrou na sala de reuniões com uma pasta nas mãos e a postura firme de quem se preparou para aquele momento.
Heitor já a esperava, recostado na cadeira, com o semblante curioso e o tablet em mãos.
— Então… é esse o seu projeto? — perguntou, com um meio sorriso.
Eloise pousou os documentos sobre a mesa e abriu a apresentação no notebook.
— Exatamente. — respondeu com calma. — O projeto se chama Integra Vision, e tem como objetivo unir a VisionLab e a MonteiroCorp em uma rede de dados interligada e segura.
Heitor arqueou uma sobrancelha, interessado.
— Unir, como assim?
— Não seria uma fusão — explicou ela, girando a tela em direção a ele. — É uma integração de sistemas e protocolos de segurança.
A proposta é que ambas as empresas compartilhem uma plataforma de monitoramento que garanta a proteção mútua das informações. Assim, se uma for alvo de ataques ou espionagem, a outra age automaticamente como escudo.
Heitor passou os olhos pelos gráficos e relatórios.
— Isso é… ambicioso.
— É. — ela concordou, com um pequeno sorriso. — Mas é viável.
A ideia é criar um sistema de confiança corporativa. No futuro, poderíamos expandir o conceito para outras empresas do grupo, criando uma espécie de rede de blindagem empresarial.
Um empresário que sabe que seus dados estão seguros, tende a investir mais, arriscar mais. E é aí que o mercado cresce.
Heitor balançou a cabeça, impressionado.
— Eloise, isso é genial. Você tem noção do impacto que isso pode gerar?
— Tenho. — respondeu ela, firme. — Testar em parceria com a MonteiroCorp, seria o ideal.
O nome dele — Monteiro — escapou de seus lábios com um peso que ela tentou disfarçar, mas não conseguiu.
Heitor percebeu, mas não comentou. Apenas se inclinou na cadeira e cruzou os braços.
— Eu quero apresentar isso pro conselho ainda essa semana. — disse, animado. — Mas acho que seria interessante você mesma apresentar para o Augusto.
— Para o… senhor Monteiro? — ela perguntou, com a voz ligeiramente trêmula.
— Sim. — respondeu com naturalidade. — Afinal, quem melhor do que você.
Tenho certeza que ele vai querer ouvir a proposta direto de quem criou.
Eloise engoliu em seco, tentando manter a postura.
— Claro. Sem problemas.
Heitor sorriu, notando a mudança sutil no olhar dela.
— Ótimo. Então eu marco a reunião pra amanhã, às nove.
Ela assentiu, mesmo sabendo que o coração já batia mais rápido do que deveria.
Quando Heitor saiu da sala, Eloise ficou sozinha, olhando para o gráfico na tela.
Aqueles números, antes tão técnicos e racionais, agora pareciam dançar diante de seus olhos, misturados à lembrança do homem que ela jurou deixar para trás.
O som do ar-condicionado preencheu o silêncio.
Ela respirou fundo e sussurrou para si mesma:
— Amanhã… é só trabalho.
Mas no fundo, sabia que não era.
Nada que envolvesse Augusto Monteiro jamais seria só trabalho.
___
O tribunal estava cheio, o ar pesado com o murmúrio contido de advogados, jornalistas e curiosos.
No centro, Thomas Alves mantinha a postura firme, o olhar atento ao juiz, as mãos cruzadas atrás das costas.
Mais um caso encerrado — mais uma vitória prestes a ser registrada.
Mas algo, naquela manhã, o desconcentrou.
Do alto das arquibancadas, ele a viu.
Sofia, discreta, sentada na terceira fileira, com um caderno no colo e uma caneta nas mãos.
O cabelo ruivo preso em um coque solto, o olhar focado nas anotações.
Thomas demorou um instante para acreditar no que via.
Ela estava diferente do bar — mais séria, concentrada, com aquele ar doce de quem observa o mundo com curiosidade.
Entre um argumento e outro, os olhos dele fugiam para o alto — e cada vez que ela percebia, corava até a raiz do cabelo.
Ele achava irresistível.
O julgamento seguiu, as palavras ecoando pelo salão até o juiz encerrar a sessão com o som seco do martelo.
Thomas recolheu os papéis, trocou algumas palavras rápidas com o promotor e saiu pela lateral.
Lá fora, o sol de fim de manhã iluminava as escadarias do tribunal.
Sofia descia devagar, o caderno contra o peito, os olhos baixos, imersa nas anotações.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos, sentindo o coração acelerar.
E, para quebrar o clima, levantou o caderno e mostrou algumas anotações rabiscadas.
— Eu estava escrevendo tudo o que você dizia.
— Sério? — ele riu. — Espero que tenha registrado o meu charme também.
— Isso não entra no relatório. — respondeu, rindo. — Mas talvez entre nas entrelinhas.
Thomas riu alto dessa vez, balançando a cabeça.
— Sofia, você é uma caixinha de surpresas.
Ela deu de ombros.
— E você é um enigma.
Por alguns segundos, ficaram apenas se olhando — o ruído da rua desapareceu, o vento leve bagunçando o coque dela.
Thomas respirou fundo, e antes que o silêncio ficasse desconfortável, soltou:
— Já que você veio estudar, acho que merece uma pausa.
— Pausa? — ela repetiu, desconfiada.
— É. Um café. Ou um almoço. Qualquer coisa que envolva eu te vendo sorrir de novo.
Sofia mordeu o lábio, pensativa.
— Isso é um convite formal, doutor Alves?
— Considera um mandado. — disse ele, divertido. — E eu não aceito recurso.
Ela riu, o rosto corando de novo.
— Tudo bem, eu aceito… mas só se você prometer que não vai transformar o café num interrogatório.
Thomas ergueu as mãos em rendição.
— Prometo. Só perguntas leves… tipo: qual seu perfume e por que você fica tão bonita quando cora.
Sofia balançou a cabeça, rindo, e desceu o último degrau.
— Thomas.
— Ok. Vou pegar leve. — retrucou ele, abrindo a porta do carro.
Ela entrou, ainda sorrindo.
E enquanto o carro se afastava das escadarias do tribunal, Sofia percebeu que aquele “exercício de observação” estava prestes a virar algo que nem os livros de Direito saberiam explicar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...