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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 186

O Outono dos Recomeços

O café escolhido por Thomas era pequeno, aconchegante, com mesas de madeira escura e o aroma inconfundível de grãos torrados no ar.

Sofia olhou em volta, encantada com o ambiente. Luz baixa, música suave — algo entre o jazz e o som da chuva que começava lá fora.

Ele puxou a cadeira para ela, num gesto instintivo de cavalheirismo que a fez corar de leve.

— Gosta de café forte ou doce? — perguntou, sentando-se à frente.

— Forte. — respondeu, sorrindo. — Doce já tem demais aqui.

Thomas arqueou uma sobrancelha, divertido.

— Essa foi boa. Está pegando o jeito das provocações, hein?

Ela riu, ajeitando o caderno sobre a mesa.

— Só aprendi com o mestre.

A conversa começou leve, natural.

Falaram de tudo — livros, música, filmes antigos. Sofia contou que amava caminhar de madrugada ouvindo The Weeknd, e Thomas revelou que preferia o silêncio das noites em plantão.

Depois de alguns minutos, ela o encarou com curiosidade sincera.

— Posso te fazer uma pergunta pessoal?

— Claro. — respondeu, recostando-se na cadeira.

— Por que escolheu Direito… e depois acabou se tornando policial?

— São caminhos diferentes, mas parecem se cruzar de propósito.

Thomas ficou em silêncio por alguns segundos, olhando para a xícara antes de responder.

— No começo, foi por justiça. — disse baixo. — Eu queria consertar o mundo. Mas aí percebi que o mundo não queria ser consertado.

Ele ergueu o olhar, o tom sereno mas com algo de dor por trás.

— Então virei policial pra, pelo menos, impedir que ele piorasse.

Sofia o observava com atenção, os olhos marejando sem perceber.

— Isso é… bonito. Triste, mas bonito.

— Bonito é ver alguém ainda acreditando que vale a pena. — retrucou ele, sorrindo de leve. — Você tem esse olhar, sabia? O de quem acredita.

Sofia desviou o olhar, corando.

— Acho que acreditar é a única coisa que ainda me mantém de pé.

O silêncio que veio depois não foi desconfortável — era denso, carregado de algo que ambos entendiam sem precisar dizer.

Thomas passou o polegar pelo aro da xícara, pensativo, até erguer o olhar novamente.

— Sofia… — começou, a voz mais grave. — Eu preciso te dizer uma coisa, mas esse não é o lugar certo.

Ela o olhou, confusa.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não. — respondeu rápido, mas o olhar era firme. — Só quero ter uma conversa importante com você e prefiro fazer isso com calma. Amanhã à noite?

Sofia piscou, surpresa, o coração batendo um pouco mais rápido.

— Amanhã?

— É. — ele confirmou, o sorriso voltando, mais suave. — Hoje eu não posso, por mais que queira. Tenho muito trabalho na delegacia. Mas amanhã… prometo que sou todo ouvidos — e talvez um pouco palavras demais.

Ela riu, meio tímida, meio nervosa.

— Tudo bem. Amanhã então.

Thomas assentiu, e por um instante o olhar dele se prendeu no dela — intenso, quase protetor.

Sofia respirou fundo e, antes de perder a coragem, confessou:

— Vai ser bom, porque também tenho algo importante que quero contar para você.

Thomas franziu o cenho, curioso.

— Algo bom ou ruim?

Ela sorriu, misteriosa.

— Ainda não decidi.

Ele riu, balançando a cabeça.

— Tá bom, ruivinha. Amanhã eu descubro.

Quando o garçom trouxe a conta, Sofia olhou o relógio e percebeu que o tempo tinha passado sem que notassem.

Lá fora, a chuva ainda caía fina, e o reflexo das luzes da rua desenhava um brilho dourado no vidro.

Eles se despediram na porta, o guarda-chuva dividindo espaço entre os dois.

E, enquanto Thomas se afastava para o carro, Sofia ficou parada por um momento, com o coração leve e a mente cheia — tentando entender por que, em tão pouco tempo, aquele homem parecia ter bagunçado tudo dentro dela.

___

Enquanto Sofia deixava o café com o coração leve, do outro lado da cidade, o outono começava a mudar o rumo da história de Eloise.

O fim da tarde trouxe consigo o vento típico de outubro.

As folhas secas dançavam pela calçada, pintando a cidade com tons de cobre e dourado.

Eloise caminhava em silêncio, o casaco fechado até o pescoço, o olhar perdido entre as árvores que se despia do verão.

A brisa fria batia contra o rosto, e, por um instante, ela respirou fundo — como se o ar do outono limpasse o que ainda restava de confusão dentro dela.

Quando o prédio do hospital surgiu à frente, o coração apertou e, ao mesmo tempo, se acalmou.

Aquele lugar misturava lembranças de medo, esperança e gratidão.

Assim que entrou, o som constante dos monitores e o cheiro de antisséptico a envolveram.

A enfermeira sorriu ao reconhecê-la.

— Boa tarde, senhorita Nogueira. O doutor pediu pra avisar que tem boas notícias.

Eloise sentiu o estômago se revirar, o coração disparando.

— Boas… notícias?

Poucos minutos depois, o médico surgiu no corredor, com o mesmo sorriso discreto de sempre.

— Seu pai reagiu melhor do que esperávamos. Já estamos começando a desmamar ele dos aparelhos.

Se tudo continuar assim, em mais uma semana ele deve receber alta.

Ela sentiu os olhos marejarem.

Eloise o olhou, os olhos marejando.

— E se isso te machucar de novo?

— Então eu me levanto. — respondeu, firme. — Porque foi isso que ela me ensinou.

A viver. A tentar.

Ela respirou fundo, a voz falhando:

— Eu tenho medo de te perder de novo.

Carlos apertou suas mãos.

— Você nunca vai me perder, Eloise.

Mas eu preciso que me deixe seguir. Assim como eu vou te deixar seguir o seu coração.

Mesmo que ele te leve para lugares que te assustam.

O olhar dela se suavizou, o orgulho dando espaço para o carinho.

— Eu tô sendo egoísta, né?

— Não. — respondeu, sorrindo. — Tá sendo filha. E eu amo isso.

Eloise riu baixinho, enxugando as lágrimas com as costas da mão.

— Acho que a mamãe gostaria de ver você feliz.

— Tenho certeza que sim. — disse ele, beijando a testa dela.

Por um instante, ficaram apenas ali, abraçados, como se o tempo tivesse desacelerado.

Do lado de fora, o vento de outubro balançava as árvores, espalhando folhas pelo pátio do hospital.

Eloise o observou pela janela, com o coração leve.

Talvez, pensou, o amor tivesse mais de uma forma de recomeçar.

___

Fora do hospital, antes de entrar no carro, o telefone vibrou dentro da bolsa de Cláudia.

Ela olhou o visor e atendeu de imediato.

— Thomas?

A voz dele soou firme do outro lado.

— Tenho algumas novidades sobre a investigação. Estou te enviando um dossiê com tudo o que já descobrimos até agora.

Cláudia ajeitou os óculos, o semblante ficando sério.

— Entendido. Obrigada, Thomas.

Houve uma breve pausa antes dele continuar, o tom mais grave:

— Cláudia… isso é só a ponta do iceberg. Ainda tem muita coisa podre escondida — e o pior, tem peixe grande envolvido, uns tubarões grandes jogando nesse mar.

O aviso pairou no ar como um peso.

Quando a ligação terminou, Cláudia permaneceu parada por alguns segundos, o olhar distante.

Sabia que o que viria a seguir não seria fácil — E pela primeira vez em muito tempo, sentiu que o outono também podia anunciar tempestades.

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