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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 187

O Reencontro.

Como de costume, Eloise e Nathalia começaram o dia juntas.

O cheiro de café fresco tomava conta do apartamento, misturado ao som suave da torradeira e das risadas preguiçosas que ecoavam pela cozinha.

Nos últimos dias, aquele pequeno ritual se tornara quase sagrado — uma rotina que carregava o gosto agridoce da despedida.

Os dias de Eloise morando com Nathalia estavam contados; em breve, voltaria para casa, para cuidar do pai e retomar a própria vida.

Mas, entre uma xícara e outra, havia saudade antecipada.

— Vai ser estranho não ouvir você xingando o despertador todo dia — brincou Nathalia, mordendo um pedaço de pão.

Eloise riu, mexendo o café.

— E vai ser estranho acordar sem alguém me chamando de “vaca” antes das oito da manhã.

— Ah, mas essa tradição eu mantenho por mensagem. — Nathalia piscou. — Só pra você não sentir falta.

Riram juntas, cúmplices como sempre foram.

Pouco tempo depois, já na entrada do prédio, se despediram com aquele tipo de carinho que não precisa de muito para dizer tudo.

— Boa sorte, vaca. — disse Nathalia, segurando o braço da amiga. — E arrasa lá em cima.

Eloise sorriu, ajeitando a bolsa no ombro.

— Obrigada. Vou precisar. Te amo, vaquinha.

— Também te amo. Agora vai. Antes que eu me emocione e borre o rímel caro.

As duas riram de novo antes de se afastarem, cada uma seguindo seu rumo — uma para o trabalho, a outra para o próprio destino.

___

O relógio marcava nove em ponto quando Álvaro apareceu na porta da sala de Eloise.

— Bom dia, Elô. Heitor pediu que você subisse com ele para a apresentação do projeto.

Eloise levantou o olhar, o coração acelerando por instinto.

Respirou fundo, ajeitou a blusa azul-clara e o cabelo solto sobre os ombros.

— Bom dia, obrigado. Já estou indo.

No elevador, o som metálico do motor parecia amplificar o ritmo do coração dela.

Era só trabalho, ela repetia mentalmente. Só uma apresentação. Só um projeto.

Mas cada andar que passava trazia junto a lembrança das flores, dos bilhetes… e da voz dele.

As portas se abriram no último andar.

O corredor estava silencioso, iluminado pelos raios de sol que atravessavam as janelas panorâmicas.

Ao fundo, a sala de reuniões exalava o aroma fresco de café e papel recém-impresso.

Eloise entrou com passos firmes, mas o estômago apertado.

Heitor estava de pé, conversando com André, seu secretário.

Do outro lado da mesa, Thiago e Nathalia analisavam algumas pastas.

E no centro, de terno cinza e olhar impassível, Augusto Monteiro.

A presença dele era quase física — preenchia o espaço.

Mesmo em silêncio, ele comandava o ambiente.

Eloise respirou fundo e cumprimentou, começando pelos lados.

— Bom dia, pessoal.

Por último, virou-se para ele.

— Bom dia, senhor Monteiro.

Augusto levantou o olhar devagar, o canto da boca traindo um leve sorriso.

— Não precisa de formalidade, Eloise. — disse, a voz rouca, carregada de ironia suave. — Aqui somos todos da mesma equipe.

A garganta dela secou, mas manteve o tom profissional.

— Certo. Então vamos direto ao ponto.

Heitor sorriu, satisfeito com o foco dela.

— Pode começar, Eloise. O projeto é seu.

Ela assentiu, conectando o notebook à tela principal.

O painel se acendeu, exibindo gráficos, diagramas e linhas de código.

— O Projeto Integra Vision tem como base a proteção conjunta entre as empresas VisionLab e MonteiroCorp. — começou, o tom firme. — Cada transação financeira, cada repasse interno, passa a ter uma camada dupla de verificação.

Thiago se inclinou para frente, interessado.

— Dupla de verificação?

— Exatamente. — respondeu Eloise, abrindo o slide seguinte. —

A primeira camada é automatizada — ela analisa os dados, confirma origem, destino e valores.

A segunda é humana, feita por um núcleo misto das duas empresas.

Isso evita falhas de sistema e bloqueia possíveis fraudes, já que tudo precisa passar por uma dupla auditoria cruzada.

Heitor sorriu, orgulhoso.

— E a ideia dela é que, mesmo se houver invasão ou tentativa de golpe, o sistema se fecha sozinho, como uma rede blindada.

Eloise continuou:

— Além disso, toda movimentação gera um código rastreável, impossível de apagar.

Se alguém tentar mascarar pagamentos ou criar faturas falsas, o sistema detecta e envia alerta direto para os dois setores de segurança.

Augusto cruzou os braços, o olhar fixo nela.

— A segurança de quem criou tudo isso. — respondeu, o olhar preso nela. — Um sistema como esse desperta interesse de muita gente perigosa.

Por um instante, Eloise ficou sem reação.

Aquela frase, dita com tom técnico, carregava outra camada — uma que só ela reconhecia.

Heitor quebrou o clima, batendo palmas de leve.

— Então estamos todos de acordo?

Thiago assentiu.

— Totalmente.

— Ótimo. — concluiu Heitor. — Eloise, finalize os relatórios e envie a versão executiva. E… — olhou para Augusto — talvez vocês dois possam ajustar os últimos detalhes juntos.

Eloise piscou, surpresa.

— Juntos?

— Sim. — respondeu Heitor, despreocupado. — Afinal, é o projeto que une as duas empresas. Faz sentido que também una os responsáveis.

Thiago disfarçou o riso, e Nathalia quase deixou escapar um “ixi”.

Augusto apenas se levantou, abotoando o paletó com calma.

— Sem problema algum. Tenho tempo livre hoje à tarde. — fez uma breve pausa, o olhar preso nela. — Almoçamos juntos?

Juntos?

Eloise quase perdeu o ar. A mão ficou gelada, e as malditas borboletas no estômago despertaram como se esperassem por esse convite desde sempre.

Ele arqueou uma sobrancelha, divertido com a reação dela.

— Calma, Eloise. Nada casual… apenas trabalho, certo? — disse, no tom calmo e rouco que só piorava a situação.

Ela engoliu em seco, tentando manter a compostura.

—Tudo bem. Eu… estarei pronta.

Augusto inclinou levemente a cabeça, o canto dos lábios denunciando um sorriso contido.

— Ótimo. — respondeu. — Então até o almoço.

Eloise apenas assentiu.

Enquanto a reunião era encerrada, ela recolheu os papéis, evitando olhar diretamente para ele.

Mas antes de sair, sentiu o olhar de Augusto cravado em suas costas — intenso, firme, impossível de ignorar.

E, por um breve segundo, antes de a porta se fechar atrás dela, ouviu a voz dele, baixa, quase imperceptível:

— Você ainda me tira o fôlego, Eloise.

Ela fingiu não ouvir.

Mas o coração… ouviu cada sílaba e já batia em ritmo de caos.

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