Os Recomeços
O restaurante escolhido por Augusto era um refúgio discreto no centro da cidade — mesas de madeira escura, taças alinhadas e uma janela ampla que deixava o sol do meio-dia invadir o ambiente com suavidade.
Eloise chegou pontualmente, o coração em descompasso desde o momento em que ele dissera “Almoçamos juntos?”.
Não havia como fingir que era apenas trabalho.
Mas ela tentava, e tentava com todas as forças.
Quando o maître a conduziu até a mesa reservada, Augusto já estava lá. Terno cinza, mangas dobradas, o celular sobre a mesa e aquele ar de calma que só servia para deixar tudo mais difícil.
— Pontual como sempre — disse ele, levantando-se para puxar a cadeira.
— Aprendi com o melhor — respondeu ela, tentando manter o tom leve.
Ele sorriu de canto, satisfeito com a resposta.
Eloise se sentou, tentando manter o tom profissional, mas cada gesto de Augusto parecia testá-la.
Ele puxou a cadeira para ela, e quando seus dedos se tocaram por acaso, um arrepio subiu-lhe pelos braços. Tentou disfarçar o impacto, mas ele percebeu.
— Você está bem? — perguntou em voz baixa, como se tivesse medo da resposta.
— Estou, só... cansada — respondeu, desviando o olhar para o cardápio.
Ele assentiu, observando-a com atenção. — E o seu pai? — a pergunta veio num tom mais brando, quase cuidadoso.
Eloise levantou os olhos, surpresa pela delicadeza. — Está se recuperando bem. Graças a Deus.
— Fico feliz — disse ele, e um leve sorriso curvou-lhe os lábios, genuíno, sem a arrogância habitual.
Os dois se acomodaram, e por alguns segundos, o silêncio pareceu confortável — um silêncio maduro, quase cúmplice.
O garçom serviu água, e o aroma do prato principal se espalhava pelo ar.
— Então… — começou Augusto, apoiando os cotovelos na mesa. — Fale mais sobre o seu sistema.
Eloise se ajeitou na cadeira, o olhar ganhando brilho profissional.
Era o tipo de assunto que fazia seus olhos acenderem.
— O núcleo do projeto é simples — explicou. — Segurança e transparência total. Cada transação rastreável, sem chance de manipulação. O sistema pode rodar em fase de teste, assim alinhamos pontos na prática.
Augusto a observava com atenção, o semblante entre orgulho e admiração.
— É impressionante. — Ele fez uma pausa breve. — E é por isso que quero você de volta na empresa.
Ela o olhou, surpresa. — De volta?
— Sim. — respondeu calmo. — O cargo de secretária executiva ainda está vazio. E sinceramente, não consigo imaginar ninguém mais preparado que você.
Eloise desviou o olhar por um instante, brincando com o guardanapo.
— Não sei se é o momento ainda, Augusto.
Ele inclinou a cabeça, curioso. — Ainda? — repetiu, com um meio sorriso. — Então existe uma chance?
Ela mordeu o lábio, disfarçando o riso. — Talvez. Mas não vou te dar uma resposta agora.
— Eu nunca gostei de coisas fáceis. — respondeu, provocante. — Quero você ao meu lado de novo.
Eloise riu, balançando a cabeça. — Continua impossível.
— Ou persistente — retrucou ele. — Depende do ponto de vista.
O clima ficou leve, natural.
Eles conversaram sobre viagens, música, sobre o que ela mais sentia falta da antiga rotina.
Assim que saiu do restaurante, Augusto entrou no carro. O motorista já aguardava, e o silêncio confortável foi quebrado apenas pelo som do motor. Ele pegou o celular e ligou para Heitor.
— Estou mais do que satisfeito — disse, apoiando o cotovelo na janela. — Eloise mencionou a fase de testes. Estou convencido, Heitor. Vamos fechar a parceria.
Do outro lado da linha, o tom animado de Heitor soou firme.
— Ótimo. — Augusto assentiu, com um meio sorriso. — Marque a assinatura do projeto ainda esta semana. É crucial começar os testes imediatamente.
Desligou o telefone, recostando-se no banco. Pela primeira vez em dias, sentia que as coisas — profissionais e pessoais — começavam a entrar nos eixos.
___
O resto do dia passou rápido.
Entre reuniões e relatórios, Eloise ainda se pegava sorrindo sozinha.
Mas quando o relógio marcou o fim do expediente, e ela desceu até a portaria, o coração acelerou de novo.
Ali estava Augusto, encostado no carro, esperando por ela.
Na mão, uma pequena caixa com um laço simples.
— Como você adora e agora trabalha longe, trouxe para você. — disse, entregando o pacote.
Eloise abriu, curiosa.
Dentro, um chocolate da lanchonete dos pais da Sofia, que ela sempre comprava quando precisava de conforto.
Ela sorriu, o olhar suave. — Você lembrou.
— Eu nunca esqueço o que me importa. — respondeu ele.
E naquele instante, entre o brilho da rua e o cheiro doce de chocolate, Eloise teve a certeza de que o “ainda” que dissera no almoço começava, de fato, a mudar de sentido — e talvez, de destino.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...