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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 188

Os Recomeços

O restaurante escolhido por Augusto era um refúgio discreto no centro da cidade — mesas de madeira escura, taças alinhadas e uma janela ampla que deixava o sol do meio-dia invadir o ambiente com suavidade.

Eloise chegou pontualmente, o coração em descompasso desde o momento em que ele dissera “Almoçamos juntos?”.

Não havia como fingir que era apenas trabalho.

Mas ela tentava, e tentava com todas as forças.

Quando o maître a conduziu até a mesa reservada, Augusto já estava lá. Terno cinza, mangas dobradas, o celular sobre a mesa e aquele ar de calma que só servia para deixar tudo mais difícil.

— Pontual como sempre — disse ele, levantando-se para puxar a cadeira.

— Aprendi com o melhor — respondeu ela, tentando manter o tom leve.

Ele sorriu de canto, satisfeito com a resposta.

Eloise se sentou, tentando manter o tom profissional, mas cada gesto de Augusto parecia testá-la.

Ele puxou a cadeira para ela, e quando seus dedos se tocaram por acaso, um arrepio subiu-lhe pelos braços. Tentou disfarçar o impacto, mas ele percebeu.

— Você está bem? — perguntou em voz baixa, como se tivesse medo da resposta.

— Estou, só... cansada — respondeu, desviando o olhar para o cardápio.

Ele assentiu, observando-a com atenção. — E o seu pai? — a pergunta veio num tom mais brando, quase cuidadoso.

Eloise levantou os olhos, surpresa pela delicadeza. — Está se recuperando bem. Graças a Deus.

— Fico feliz — disse ele, e um leve sorriso curvou-lhe os lábios, genuíno, sem a arrogância habitual.

Os dois se acomodaram, e por alguns segundos, o silêncio pareceu confortável — um silêncio maduro, quase cúmplice.

O garçom serviu água, e o aroma do prato principal se espalhava pelo ar.

— Então… — começou Augusto, apoiando os cotovelos na mesa. — Fale mais sobre o seu sistema.

Eloise se ajeitou na cadeira, o olhar ganhando brilho profissional.

Era o tipo de assunto que fazia seus olhos acenderem.

— O núcleo do projeto é simples — explicou. — Segurança e transparência total. Cada transação rastreável, sem chance de manipulação. O sistema pode rodar em fase de teste, assim alinhamos pontos na prática.

Augusto a observava com atenção, o semblante entre orgulho e admiração.

— É impressionante. — Ele fez uma pausa breve. — E é por isso que quero você de volta na empresa.

Ela o olhou, surpresa. — De volta?

— Sim. — respondeu calmo. — O cargo de secretária executiva ainda está vazio. E sinceramente, não consigo imaginar ninguém mais preparado que você.

Eloise desviou o olhar por um instante, brincando com o guardanapo.

— Não sei se é o momento ainda, Augusto.

Ele inclinou a cabeça, curioso. — Ainda? — repetiu, com um meio sorriso. — Então existe uma chance?

Ela mordeu o lábio, disfarçando o riso. — Talvez. Mas não vou te dar uma resposta agora.

— Eu nunca gostei de coisas fáceis. — respondeu, provocante. — Quero você ao meu lado de novo.

Eloise riu, balançando a cabeça. — Continua impossível.

— Ou persistente — retrucou ele. — Depende do ponto de vista.

O clima ficou leve, natural.

Eles conversaram sobre viagens, música, sobre o que ela mais sentia falta da antiga rotina.

Assim que saiu do restaurante, Augusto entrou no carro. O motorista já aguardava, e o silêncio confortável foi quebrado apenas pelo som do motor. Ele pegou o celular e ligou para Heitor.

— Estou mais do que satisfeito — disse, apoiando o cotovelo na janela. — Eloise mencionou a fase de testes. Estou convencido, Heitor. Vamos fechar a parceria.

Do outro lado da linha, o tom animado de Heitor soou firme.

— Ótimo. — Augusto assentiu, com um meio sorriso. — Marque a assinatura do projeto ainda esta semana. É crucial começar os testes imediatamente.

Desligou o telefone, recostando-se no banco. Pela primeira vez em dias, sentia que as coisas — profissionais e pessoais — começavam a entrar nos eixos.

___

O resto do dia passou rápido.

Entre reuniões e relatórios, Eloise ainda se pegava sorrindo sozinha.

Mas quando o relógio marcou o fim do expediente, e ela desceu até a portaria, o coração acelerou de novo.

Ali estava Augusto, encostado no carro, esperando por ela.

Na mão, uma pequena caixa com um laço simples.

— Como você adora e agora trabalha longe, trouxe para você. — disse, entregando o pacote.

Eloise abriu, curiosa.

Dentro, um chocolate da lanchonete dos pais da Sofia, que ela sempre comprava quando precisava de conforto.

Ela sorriu, o olhar suave. — Você lembrou.

— Eu nunca esqueço o que me importa. — respondeu ele.

E naquele instante, entre o brilho da rua e o cheiro doce de chocolate, Eloise teve a certeza de que o “ainda” que dissera no almoço começava, de fato, a mudar de sentido — e talvez, de destino.

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