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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 190

Verdades à Luz do Jantar

Sofia estava nervosa desde o momento em que terminou de se arrumar.

O espelho refletia uma versão dela que quase não reconhecia — o vestido azul-marinho com as costas nuas e um laço delicado na base da coluna parecia ter sido feito sob medida.

Os cabelos estavam soltos, as pontas levemente onduladas, e o perfume de baunilha e chocolate pairava suave no ar.

Quando a campainha tocou, ela respirou fundo antes de abrir a porta.

Do outro lado, Thomas Alves — terno escuro impecável, barba bem-feita, o olhar firme que fazia qualquer palavra parecer desnecessária.

Mas, naquele instante, ele pareceu perder o fôlego.

— Você… está linda. — disse baixo, quase rouco.

O olhar dele percorreu o vestido devagar, respeitoso e, ao mesmo tempo, cheio de desejo contido. — Azul. Eu devia ter imaginado. É uma cor que combina com você — forte, mas serena.

Sofia corou, tentando disfarçar o nervosismo. — Obrigada… você também está… — ela procurou uma palavra — perigoso.

Thomas sorriu de canto. — É o efeito do terno ou da sua presença?

Ela riu, e o clima leve se formou.

O restaurante escolhido era elegante e intimista — iluminação baixa, mesas de mármore negro e taças que refletiam o brilho das velas.

No ar, o aroma de vinho tinto e especiarias.

Quando o garçom se aproximou, Thomas respondeu com tranquilidade:

— Reserva em nome de Thomas Alves.

O funcionário sorriu e os conduziu até uma sala reservada, isolada por cortinas de linho branco e decorada com flores discretas.

O tipo de lugar onde o tempo parecia desacelerar.

Sofia se acomodou, cruzando as pernas de leve.

Ele a observava com um misto de admiração e curiosidade — como quem tentava decifrar um livro que não queria terminar.

— Costuma vir aqui? — ela perguntou, brincando com a taça de vinho.

— Raramente. — respondeu. — Só quando quero impressionar alguém.

Ela arqueou uma sobrancelha. — E está conseguindo?

— Ainda estou tentando. — retrucou com um sorriso breve, o olhar preso nela.

A conversa fluiu leve.

Falaram sobre o trabalho, sobre a faculdade dela, sobre o que os fez escolher caminhos tão diferentes e, de alguma forma, complementares.

— Eu sempre quis fazer justiça, ajudar alguém que só vê saída no tribunal. — contou ela, com um sorriso tímido. — Acho que é por isso que escolhi Direito.

Thomas apoiou o queixo na mão, observando-a com atenção.

— Então você acredita que ainda dá pra mudar o mundo pelas leis?

— Quero acreditar. — respondeu, sincera. — Mesmo que seja só um pedacinho dele.

Ele sorriu de leve.

— Engraçado… eu comecei pelo mesmo motivo. Mas o mundo me mostrou que a justiça nem sempre cabe no papel.

— E ainda assim, você não desistiu. — ela disse.

— Não. — respondeu, olhando para ela. — Só mudei a forma de lutar por ela.

Sofia o observou por alguns segundos. — Então você caça os malvados?

— Às vezes. — respondeu, com um meio sorriso. — Mas a maioria das vezes, eles usam terno.

Ela riu, encantada com o jeito calmo dele de misturar ironia e verdade.

Quando o garçom trouxe as sobremesas — mousse de chocolate e tiramisù —, Sofia brincou:

— Acho que o universo está conspirando pra me deixar mais nervosa. Chocolate é minha fraqueza.

Thomas se inclinou um pouco, o olhar firme nos dela.

— Não é o chocolate que me deixa sem defesa hoje.

Ela desviou o olhar, corando.

---

O jantar terminou entre risadas e olhares que diziam mais do que palavras.

No carro, o silêncio era diferente — confortável, mas cheio de algo prestes a acontecer.

Sofia olhava pela janela, o coração acelerado.

Precisava reunir coragem.

Tinha algo que precisava contar.

Quando o carro estacionou diante do prédio dela, Thomas desligou o motor e se virou para ela.

O ar ficou denso, quase palpável.

— Sofia… — começou, com a voz baixa. — Eu gostei da sua companhia. Faz muito tempo que não saio com alguém assim, com quem a conversa simplesmente flui. Mas antes de seguir com isso, eu preciso ser sincero.

Ela sentiu o estômago revirar.

— Thomas, eu também gostei do nosso jantar… —

Mas ele levantou a mão, gentil.

— Calma. Me deixa terminar. — respirou fundo. — Eu sei que você não é tão experiente quanto eu. Você tem vinte e dois anos, é nova. E talvez essa diferença assuste um pouco.

Ela o olhou, tensa, mas sem desviar o olhar.

— O meu estilo… — continuou ele, buscando as palavras certas. — É mais intenso. Mais físico. Eu sigo uma linha de prática chamada BDSM. Dentro dela, existe um termo chamado DS — dominação e submissão.

Sofia sentiu o rosto corar.

Durante o estágio na faculdade, uma paciente havia relatado uma relação parecida — lembrava das marcas, das palavras, da intensidade.

Ela sabia o que aquilo significava.

Thomas notou o olhar dela.

— Sei que parece estranho pra quem nunca viveu isso. Mas não é dor. É entrega, confiança. É controle mútuo.

— E se você… tiver interesse, Sofia — disse mais baixo — eu queria isso com você.

Ela engoliu em seco.

— Eu… nunca tive nenhuma experiência assim.

Ele sorriu, calmo. — Tudo bem. Não tem problema. Já é um passo você conhecer o conceito.

— Não, Thomas… — ela hesitou, a voz falhando. — Você não entendeu. Eu nunca… fiz.

O silêncio se instalou no carro.

Por um instante, ele pensou ter ouvido errado.

Mas o olhar dela, tímido e verdadeiro, não deixava dúvidas.

— Sofia… — murmurou, como quem testa a própria voz. — Você é virgem?

Ela assentiu devagar.

Thomas ficou em silêncio por longos segundos, observando-a com uma mistura de surpresa e ternura.

A rigidez habitual deu lugar a um olhar calmo, quase protetor.

— Tudo bem… estarei lá, pode deixar.

— Ótimo. Até mais tarde, então.

— Obrigada, senhor Álvaro.

Ao desligar, Eloise ficou por um momento olhando para o celular, o coração batendo mais rápido do que o normal.

Aquele nome outra vez — Augusto Monteiro — parecia persegui-la, como sua sombra.

O consultório era pequeno, com paredes em tons suaves de verde e um leve aroma de lavanda no ar.

Eloise folheava distraidamente uma revista qualquer, mas a mente estava longe dali.

Entre uma página e outra, flashes da noite com Augusto atravessavam os pensamentos — a pele quente, os sussurros, a entrega.

Tentou afastar as lembranças, mas era inútil.

— Eloise Nogueira? — chamou a recepcionista.

Ela levantou-se, ajeitando a blusa e o cabelo preso de qualquer jeito.

A médica a recebeu com um sorriso profissional e acolhedor.

— Faz tempo que não te vejo por aqui. O que te trouxe hoje? — perguntou, enquanto anotava algo na ficha.

— É… — Eloise hesitou. — Tenho sentido um desconforto, e achei melhor vir verificar se está tudo certo com o DIU.

A médica assentiu.

— Fez bem. Vamos dar uma olhada.

Minutos depois, já na sala de exame, o silêncio era cortado apenas pelo som metálico dos instrumentos sendo preparados.

Eloise respirava fundo, tentando relaxar, mas o corpo parecia tenso demais.

— Hum… — murmurou a médica, analisando a tela do ultrassom. — Aqui está o problema.

Eloise levantou o olhar, preocupada.

— Problema?

— O DIU está fora do lugar. Está um pouco deslocado, o que pode causar dor e… falhas na proteção.

— Falhas? — repetiu, sentindo o coração acelerar.

— Sim. Vou precisar remover e deixar o corpo descansar antes de avaliarmos o que fazer.

Mas, por segurança, quero pedir alguns exames. Só pra garantir que está tudo bem.

Eloise engoliu em seco, o ar preso entre os lábios.

“Falhas na proteção.”

As palavras ecoaram como um trovão silencioso dentro dela.

Saiu da sala alguns minutos depois com um envelope de pedidos nas mãos e o olhar perdido.

No corredor, o cheiro de álcool e o som distante de passos pareciam se misturar com o turbilhão dentro dela.

— Está tudo bem? — perguntou a enfermeira ao ver o semblante pálido.

Eloise forçou um sorriso.

— Está, sim. Só… um pouco surpresa, eu acho.

Lá fora, o vento frio de outubro a fez estremecer.

E, por algum motivo que ela não conseguia explicar, uma pontada de pressentimento percorreu o peito.

Como se o corpo, mais uma vez, soubesse antes dela que algo estava prestes a mudar.

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