Jardim de Amor
A manhã na VisionLab começou com uma energia diferente.
O clima era de expectativa — a assinatura do contrato entre as duas maiores empresas da Cidade Norte marcava não apenas um acordo de negócios, mas também um novo começo.
Eloise entrou na sala de reuniões com o coração acelerado.
Na mesa, documentos perfeitamente alinhados, xícaras de café ainda soltando fumaça e o logotipo da MonteiroCorp refletido na tela ao fundo.
Heitor já estava lá, trocando flertes com Nathalia, Thiago e André achava graça, enquanto Augusto observava tudo em silêncio, de pé junto à janela.
A luz do sol atravessava o vidro e caía sobre ele, destacando o terno cinza e o olhar sereno — o tipo de presença que tornava o ar mais denso, mais vivo.
Mesmo com todos ali, ela só conseguia sentir o peso do olhar dele — e o coração respondeu com um tropeço discreto.
— Tudo pronto? — perguntou Heitor, com um sorriso.
— Tudo pronto — respondeu Augusto, desviando o olhar para Eloise. — Faltava apenas a peça principal.
Ela corou de leve.
Heitor se aproximou da mesa e pegou a caneta.
As assinaturas foram feitas, e o som da caneta riscando o papel pareceu selar não só um contrato… mas uma parceira de vida.
Heitor foi o primeiro a aplaudir. — Parabéns à equipe.
Thiago acrescentou, rindo: — Agora sim, o império está completo.
Mas Augusto não disse nada — apenas caminhou até Eloise e estendeu um lindo buquê de flores delicadas, envoltas em fita branca.
Eloise piscou, surpresa.
— Augusto… o que é isso?
Ele manteve o olhar firme, a voz mais baixa e quente que o habitual.
— Um lembrete. — fez uma breve pausa. — Eu quero regar o que a gente tem como se fosse um jardim. Todos os dias. Com cuidado, paciência… e amor.
Eloise ficou em silêncio, o coração apertado, o buquê tremendo em suas mãos.
O perfume das flores se misturava ao café, criando uma atmosfera suave, quase mágica.
— Você está falando de amor como quem fala de rotina. — brincou ela, tentando esconder a emoção.
— Porque amor também é rotina, Eloise. — respondeu ele, sorrindo. — É acordar e escolher a mesma pessoa de novo, todos os dias.
Heitor tossiu, quebrando o clima. — Acho que alguém aqui está se declarando em horário de expediente.
Thiago riu, e até Nathalia, que acompanhava, soltou baixinho um “eu shippo!”.
Eloise balançou a cabeça, rindo.
— Você é impossível, Augusto Monteiro.
Ele se aproximou um pouco mais, baixo o suficiente para que apenas ela ouvisse:
— Não. Eu sou insistente. E dessa vez, não vou deixar o nosso jardim morrer.
Ela não respondeu — apenas segurou as flores contra o peito, como quem guarda algo precioso.
Do lado de fora, o vento do outono balançava as árvores, espalhando pétalas douradas pela rua.
Eloise olhou pela janela, sentindo-se leve, como se pela primeira vez tudo estivesse no lugar certo.
O amor, pensou Eloise, não precisava de promessas grandiosas.
Bastava um gesto simples — e alguém disposto a regar todos os dias.
___
O relógio marcava quase meio-dia quando Eloise saiu do escritório.
O sol de outubro estava ameno, e o vento leve fazia o cabelo solto dançar sobre os ombros.
Ela seguiu rumo ao hospital.
A cada passo, sentia o coração mais calmo — e, ao mesmo tempo, ansioso.
Queria ver o pai, mas havia algo mais que precisava fazer naquele dia: acertar as contas com o próprio orgulho.
Ao atravessar o corredor principal, avistou Cláudia saindo do quarto do seu pai.
A mulher carregava uma pasta contra o peito, o blazer dobrado sobre o braço e o mesmo sorriso sereno de sempre.
Cláudia estendeu a mão sobre a dela, apertando-a com ternura.
— Eloise, nós erramos. É parte do que somos. — disse, com a voz calma. — O importante é reconhecer e ter coragem de voltar atrás.
Nem todo mundo consegue pedir perdão. Você conseguiu — e isso é uma dádiva.
Eloise sorriu entre as lágrimas. — Obrigada por ser tão paciente.
Cláudia balançou a cabeça, emocionada. — Eu gosto muito do seu pai. Ele é um homem bom… e você é o maior reflexo disso.
— Ele também gosta muito de você. — disse Eloise, rindo leve. — Aliás, já combinei com ele: você tem que ir jantar lá em casa.
Você tem que provar o famoso strogonoff do Carlão.
Cláudia riu alto dessa vez, enxugando os olhos.
— Ah, esse eu conheço bem! Ele faz desde a época em que trabalhávamos juntos. Pode deixar, vou cobrar esse jantar.
As duas se levantaram, e Eloise, num gesto espontâneo, a abraçou.
Foi um abraço sincero — daqueles que encerram o passado e abrem espaço para o que vem depois.
— Obrigada por me ouvir, Cláudia.
— Obrigada por me procurar, Eloise.
Ficaram assim por alguns segundos, até que Cláudia se afastou e ajeitou a bolsa.
— Preciso ir, tenho um compromisso importante agora à tarde.
— Tudo bem. — respondeu Eloise, sorrindo.
— E você… — Cláudia fez uma pausa, tocando o braço dela — não se culpe por amadurecer. Às vezes, perdoar é a forma mais bonita de amar.
Eloise apenas assentiu, o coração leve.
Viu Cláudia se afastar pelo corredor e, por um instante, percebeu que aquele simples café tinha significado mais do que qualquer conversa anterior.
Era o recomeço — silencioso, sincero e cheio de paz.
O amor florescia — simples, paciente, e finalmente livre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...