Sofia passou o cartão na catraca da MonteiroCorp tentando parecer normal.
Tentando.
Mas cada passo lembrava do que tinha acontecido na noite anterior — no toque, no ritmo, na entrega.
A ardência discreta era um lembrete vivo… e impossível de ignorar.
Ela ajeitou a bolsa no ombro e respirou fundo.
“Finge costume, Sofia.”
Era isso ou desmaiar na entrada do halls.
Caminhou até o elevador e, quando as portas se abriram no andar da presidência, Eloise surgiu na recepção com um copo de café na mão — e parou.
Parou mesmo.
Como quem vê algo fora do lugar.
— Oi… — Sofia tentou sorrir como se nada estivesse acontecendo.
Eloise estreitou os olhos.
— O que aconteceu com o seu jeito de andar?
Sofia travou.
— Nada!
Eloise ergueu uma sobrancelha. Uma só.
— Sofia… eu sou mulher. — ela apoiou a mão na cintura. — Eu SEI quando alguém teve uma noite… intensa.
Sofia quase engasgou no próprio ar.
— Eloise! Eu… — ela sussurrou. — Para! Não fala assim alto.
Eloise riu, dando um gole no café.
— Então, vamos na copa tomar café, todos estão em reunião.
Eloise sentou na mesa com a xícara na mão.
Sofia largou a mochila numa cadeira e afundou os ombros, sem coragem de olhar para Eloise.
— Ok… — Sofia respirou fundo. — É que… eu tô sentindo uma ardência. Nada insuportável, mas… incômoda.
Eloise assentiu de imediato, como quem já sabia.
— É normal. — disse com a calma de quem já viveu aquilo. — Especialmente depois da primeira vez. E principalmente com um homem intenso.
Sofia ficou vermelha da cabeça ao pé.
Eloise continuou:
— Mas normal não significa que você deve ignorar.
Sofia mordeu o lábio.
— Eu… nunca fui ao ginecologista. Nem sei como funciona consulta. E… eu não tenho com quem falar sobre isso.
Eloise pousou o café na mesa.
— Tem sim. Comigo e tenho certeza que as meninas também — disse com firmeza suave. — Eu vou te ajudar.
Sofia sentiu o peito afrouxar.
— Obrigada… de verdade.
— Você quer que eu marque com a minha médica? — Eloise ofereceu. — Ela é ótima. Delicada, atenciosa. Explica tudo.
— Se quiser, eu vou com você na primeira consulta.
Os olhos de Sofia marejaram um pouquinho — não de tristeza.
De alívio.
— Seria… bom. Eu aceito.
Eloise sorriu.
— E outra coisa… — ela deu um passo mais perto. — Ardência é comum no início. Mas se persistir, a gente vai lá sem pensar duas vezes. Cuidado não é exagero. Cuidado é maturidade.
Sofia assentiu, olhando para as mãos.
— Eu só fiquei com vergonha.
— Sofia… vergonha é o que nos faz sofrer sozinhas. — Eloise suspirou, tocando o ombro dela. — Mas você não tá sozinha.
Sofia respirou fundo, sentindo o peso sair do peito.
— Obrigada mesmo. Eu precisava ouvir isso.
Eloise sorriu com carinho.
— E agora vou te dar um conselho como amiga, marca logo a consulta antes que o Thomas resolva marcar uma sem você saber.
Sofia arregalou os olhos.
— Ele faria isso.
Eloise riu.
— Ele FARÁ isso.
Sofia riu também, envergonhada.
— Eu vou mandar mensagem pra médica agora.
— Boa ideia. — Eloise piscou, brincando.
Sofia se sentiu completamente acolhida.
Segura.
Viva.
E pronta para lidar com o que viria — inclusive com um policial dominador que mexia mais com ela do que ela ousava admitir.
___
Thomas estacionou a Hilux preta em frente à delegacia, respirou fundo e saiu do carro com a postura de sempre: firme, focada, eficiente.
Entrou no prédio cumprimentando cada um dos colegas com um aceno curto.
— Bom dia.
— Bom dia, Alves.
— Cedão hoje, hein?
Thomas apenas respondeu:
— Vamos trabalhar, que tem muita coisa acumulada.
A energia dele era diferente.
Não bruta, mas afiada.
E todo mundo sabia que, quando Thomas chegava assim, “no modo operação”, nada tirava ele do foco.
Quase nada.
— Thomas! — o delegado Rodrigues chamou da porta da sala dele. — Entra aqui um minuto.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...