O celular ainda vibrava na mão de Alana quando ela finalmente conseguiu recuperar a própria respiração. Porque, honestamente, aquele quase beijo tinha bagunçado completamente sua capacidade de raciocinar.
Ela limpou discretamente o canto da boca antes de atender, afastando-se alguns passos da bancada enquanto tentava parecer minimamente normal.
— Alô?
Do outro lado da linha, Sofia falou imediatamente assim que ouviu sua voz:
— Por que eu preciso te ligar em trinta minutos? O que você aprontou?
Alana fechou os olhos por um segundo antes de responder:
— Eu estou ocupada em um compromisso pessoal, mas… — lançou um olhar rápido para Enzo antes de abaixar a voz — se não tiver mais ninguém para resolver, tudo bem. Eu vou.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha.
Então Sofia perguntou lentamente:
— Você bebeu?
Outro segundo em silêncio foi suficiente para tudo fazer sentido.
— Meu Deus… você está tentando fugir do Enzo.
A gargalhada de Sofia foi tão alta que Alana precisou afastar o celular do ouvido.
— Ah, agora eu entendi tudo.
Alana passou a mão no rosto, derrotada.
— Ok. Tudo bem. Estou indo. Em vinte… no máximo trinta minutos chego aí.
Sofia continuava rindo.
— Eu não quero nenhuma fugitiva dentro da minha casa não.
— Até já.
— Covarde!
Alana desligou antes que a amiga piorasse ainda mais a situação. Respirou fundo e tentou organizar os pensamentos.
Falhou miseravelmente.
Porque quando voltou a se aproximar da bancada, encontrou Enzo encostado nela observando-a atentamente, como se estivesse tentando entender exatamente o que tinha acabado de acontecer entre os dois.
— Desculpa… vou precisar ir — falou tentando soar normal. — O dever me chama.
Enzo sustentou o olhar dela por alguns segundos antes de responder:
— Uma pena.
A voz saiu baixa. Perigosa.
— Eu estava gostando de dividir a sobremesa.
O coração de Alana tropeçou ridiculamente outra vez.
Ela abriu um pequeno sorriso.
— Eu adorei o jantar.
Enzo aproximou-se devagar. Devagar demais. Até deixar apenas poucos centímetros de distância entre os dois.
O ar ficou pesado instantaneamente.
— Alana… você não está fugindo, está?
A pergunta fez ela prender a respiração.
— Fugindo de quê?
Enzo segurou sua cintura com uma mão enquanto a outra subia lentamente até seu pescoço. O toque quente fez o corpo dela inteiro arrepiar antes que ele a guiasse suavemente até encostá-la na bancada atrás de si.
— Disso — respondeu perto demais do ouvido dela, com a voz rouca.
Alana tinha certeza de que dava para ouvir seu coração batendo.
Porque ela conseguia.
— Não estou fugindo de nada — respondeu, mas a própria voz saiu baixa e sem firmeza.
Mentira.
Ela estava fugindo exatamente daquilo. Da forma como ele olhava para ela. Da tensão. Do desejo.
E principalmente da sensação perigosamente boa de estar começando a baixar a guarda.
Antes que perdesse completamente o controle, Alana escapou rapidamente por baixo do braço dele, afastando-se alguns passos.
— Eu preciso ir antes que isso saia do meu controle.
E então saiu quase rápido demais da cozinha.
Enzo ficou parado observando-a atravessar o restaurante vazio, com a respiração pesada, o maxilar travado e um sorriso incrédulo aparecendo lentamente no rosto.
Porque nenhuma mulher fugia dele.
Nenhuma.
Mas Alana Duarte parecia empenhada em fazer exatamente isso.
Ela pegou a bolsa quase correndo e atravessou a saída do restaurante apressada demais para perceber uma mulher loira tentando entrar no mesmo instante.
Os ombros bateram com força suficiente para fazer as duas recuarem um passo.
— Olha por onde anda — a loira falou automaticamente.
Alana respirou fundo tentando recuperar o fôlego.
a mulher loira.
Alana abriu os olhos lentamente enquanto a lembrança voltava com força.
O vestido preto elegante.
O jeito confortável demais ao entrar no restaurante.
E principalmente o olhar que ela tinha dado depois de ouvir:
“Chef Enzo.”
Aquilo não parecia coincidência.
Parecia reconhecimento.
Intimidade.
O pensamento fez seu estômago apertar levemente.
— Não. É coisa da minha cabeça — tentou convencer a si mesma enquanto desligava o chuveiro.
Mas a dúvida já tinha começado a crescer.
Porque… e se Enzo fizesse aquilo com todas?
Mostrar a cozinha.
Os pratos especiais.
O olhar intenso.
O toque cuidadoso.
A voz baixa.
Será que ela realmente era diferente?
Ou só mais uma mulher vivendo exatamente o mesmo roteiro bonito?
Alana pegou a toalha devagar enquanto encarava o próprio reflexo no espelho embaçado.
— Enzo Rocha… você não vai brincar comigo.
Só que nessa altura, ela já não sabia mais quem estava realmente no controle.
Porque agora não era só curiosidade.
Nem apenas atração.
Tinha sentimento começando a se misturar no meio do jogo.
E isso tornava tudo muito mais perigoso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...