O barulho do celular cortou o silêncio da madrugada.
00h08.
Sofia abriu os olhos ainda confusos, tateando o criado-mudo até conseguir atender.
— Alô…? — a voz saiu arrastada, sonolenta.
Do outro lado, apenas respiração.
E então…
O choro.
Sofia sentou na cama tão rápido que o mundo girou.
O coração dela pareceu bater no estômago.
— O quê? Nat… calma — ela tentou controlar a própria respiração. — Onde vocês estão? Me manda a localização, vou encontrar vocês aí agora.
A mensagem chegou segundos depois.
Thomas, que já tinha despertado com o toque e estava sentado ao lado dela, encarou o celular.
— Amor… a Emma perdeu o bebê. — Sofia murmurou baixinho.
Mas a dor da frase tomou o quarto inteiro.
Até Thomas — tão firme, tão centrado — sentiu o peito apertar.
— Vamos. — ele disse simplesmente, levantando e vestindo a primeira camiseta que achou.
Não era hora de pensar.
Era hora de estar lá.
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A manhã chegou pesada.
O sol entrou pela janela como se não tivesse conhecimento de nada do que aconteceu.
Por volta das 9h, Sofia, Nathalia e Laís já estavam na cozinha do apartamento da Emma, preparando um café da manhã que ninguém sabia se ela teria forças para comer.
Silêncio.
Silêncio de medo, de cuidado, de luto.
Nathalia mexia a panela com chocolate quente, sem perceber que mexia sempre para o mesmo lado, devagar.
Laís cortava frutas com os olhos marejados.
Sofia arrumava a mesa, respirando fundo para não chorar de novo.
A campainha tocou.
Nathalia correu para abrir.
Eloise entrou rápido, com o rosto abatido e a barriga já grande sob a blusa larga.
Assim que viu as meninas, seus olhos encheram na hora.
— Onde ela está? — Eloise perguntou, a voz baixa, como se tivesse medo de quebrar algo.
— Ainda dormindo — Nathalia respondeu, abraçando Eloise como quem segura alguém para não desabar.
Eloise afagou o braço da amiga.
— E… como ela está?
Sofia foi até as duas e também abraçou Eloise.
— Calada — disse Laís, aproximando-se. — Ela não fala nada desde que chegou em casa. Thiago foi pro escritório antes do sol nascer. Nem sei se ele dormiu.
O silêncio que veio depois pesou ainda mais.
Augusto apareceu na porta alguns segundos depois, com a expressão séria e vulnerável.
— Vou até ele — disse. — Ver o que posso fazer.
Eloise segurou a mão dele.
— Vai, amor. Eles precisam sentir que a gente tá aqui.
Augusto assentiu e saiu.
Sofia respirou fundo.
— Por isso estamos fazendo isso aqui — ela disse, olhando as amigas. — Pra que quando ela acordar… ela sinta amor. Só amor.
Eloise sorriu com os olhos marejados.
— Ela precisa. E a gente tem para dar.
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Os minutos passaram devagar, como horas.
Mas estavam todas ali.
Todas juntas.
Lavando louça. Mexendo panela. Arrumando a sala.
Cuidando da casa de Emma como se fosse a delas.
A dor parecia dividir peso entre muitas mãos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...