O apartamento de Sofia parecia pequeno demais quando ela entrou.
Mas não estava vazio.
Nada disso.
Assim que a porta abriu, o mundo inteiro dela correu em sua direção.
— RUIVINHA! — Eloise foi a primeira a abraçá-la, apertando forte, quase tirando o ar, mesmo com a barriga pesada.
Emma veio atrás, agarrando o rosto de Sofia com cuidado para não machucar.
Laís estava com um cobertor em mãos, como se pudesse protegê-la do mundo inteiro.
A mãe se emocionou ao vê-la cercada pelas amigas.
O pai — ainda desconfiado, ainda desconsertado — simplesmente virou o rosto, enxugando uma lágrima que fingiu não existir.
— Estamos aqui, tá? — Eloise disse, beijando a testa dela. — Todas nós.
Sofia respirou fundo.
O cheiro do apartamento.
O sofá.
Os quadros tortos na parede.
Tudo igual.
Mas nada igual.
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Os dias seguintes
A casa ficou cheia por quase uma semana.
As meninas revezavam para dormir com ela.
As tias ligavam.
Os vizinhos levavam comida.
A mãe limpava compulsivamente qualquer canto como se pudesse apagar o que aconteceu.
O pai checava trancas e janelas de cinco em cinco minutos.
Sofia…
Sofia não chorava.
Não tremia.
Não se quebrava na frente de ninguém.
Ela acordava cedo, estudava o TCC, marcava horário com o orientador, lia códigos e resoluções como sempre.
Mas quando precisava sair para a faculdade ou para o estágio…
ela travava.
Não conseguia simplesmente caminhar sozinha.
O coração acelerava.
O ar sumia.
As mãos suavam.
E sempre, sempre, ela mandava mensagem:
> “Thomas, você pode vir me buscar?”
E ele vinha.
Sempre vinha.
Chegava rápido demais.
Com a Hilux.
Com o olhar atento.
Com o corpo inteiro pronto para proteger.
Mas…
Não a tocava.
De nenhuma forma.
Nem segurava sua mão na rua.
Nem beijava sua testa ao deixá-la no prédio do estágio.
Nem a puxava para perto no carro.
Apenas dirigia.
Observava.
Vigiava.
Cuidava.
Distante.
Tenso.
Preso em algo que ela ainda não entendia.
Sofia sentia aquilo como um corte fino no peito.
Uma dor silenciosa.
E não sabia dizer o que machucava mais:
O sequestro.
Ou o afastamento dele.
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Na delegacia
Thomas estava diferente.
Obcecado.
Implacável.
As paredes da sala dele estavam cobertas por:
• fotos do galpão
• mapas da região
• horários de câmeras
• rotas marcadas com caneta vermelha
• relatórios da divisão de tráfico infantil
• anotações feitas à mão com letra pesada e trêmula
Ele não comia direito.
Não dormia.
Não sorria.
Bruna observava cada movimento dele com aquela mistura estranha de pena e vaidade.
Alex e Nelson trocavam olhares preocupados — o tipo de olhar de quem sabe que alguém está prestes a quebrar.
O delegado passava na porta e dizia sempre a mesma coisa:
— Alves, você não pode trabalhar 24h por dia.
Mas Thomas apenas respondia:
— Ele encostou nela.
E voltava para o quadro.
Voltava para as fotos.
Voltava para a investigação.
Até que Nelson, sem querer, disse a frase que calou toda a sala:
— Esse caso do “Dom”… não é só sobre tráfico.
— Parece que tem alguém novo no comando.
— Alguém que conhece você e quer vingança.
Thomas ficou imóvel.
Só respirando.
Fundo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...