A delegacia estava estranhamente silenciosa para uma manhã de um Domingo.
O relógio marcava 08h47.
Thomas estava sozinho na própria sala, sentado diante de uma pilha de documentos do caso “Dom”. Mapas, rostos, horários.
Setas vermelhas marcando rotas.
Linhas ligando nomes que ainda não tinham rosto.
Ele esfregou o rosto com força, tentando afastar o cansaço.
Mas o que voltava…
não era o cansaço.
Era o passado.
Sempre o passado.
Sempre aquela cena.
Sempre eles.
Ele tentou ignorar. Respirou fundo. Pegou outra pasta.
Mas a mente não obedeceu.
A lembrança veio como um tiro.
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FLASHBACK ANOS ATRÁS
O som da chave no trinco ainda ecoava quando Thomas empurrou a porta da casa dos pais.
Ele tinha voltado antes da viagem — três dias antes — porque queria fazer uma surpresa para Gisele.
Ele tinha até ensaiado o discurso.
O anel estava no bolso do casaco.
O coração dele estava leve, ansioso.
Mas assim que entrou… alguma coisa estava errada.
Muito errada.
Os pais estavam na sala.
O pai, sentado.
A mãe, rígida.
Guilherme — o irmão — em pé, perto da lareira.
E Gisele.
Gisele estava lá.
De vestido claro.
Maquiagem leve.
Rosto iluminado.
Segurando o braço de Guilherme… com intimidade.
A intimidade de quem já estava junto.
A intimidade que antes era dele.
Thomas parou.
O estômago afundou até tocar o chão.
— O que está acontecendo aqui? — a voz dele saiu baixa, quase um sopro.
Gisele abriu um sorriso pequeno, nervoso, mas… satisfeito.
Guilherme deu um passo à frente, como para protegê-la.
Proteger Gisele… dele.
Como se Thomas fosse o problema.
O pai pigarreou, desconfortável.
Antonieta desviou o olhar.
E ninguém — NINGUÉM — teve coragem de responder.
Thomas sentiu o mundo rachar por dentro.
A mão apertou a caixa do anel no bolso até quase destruir o veludo.
Gisele abaixou os olhos, mas não soltou Guilherme.
Era isso.
A traição.
Não só dela.
Mas da família inteira.
O abandono.
A mentira.
O segredo.
A troca.
Ele abriu a mão devagar e colocou o currículo na mesa do pai com uma calma assustadora.
— Pronto. Esse é meu currículo. Só tava esperando formar pra entregar.
— Agora… vou atrás das minhas vontades. Não das de vocês.
E saiu.
Sem olhar para trás.
O anel ficou no bolso.
Por meses.
Até o dia em que ele finalmente jogou no lixo.
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DE VOLTA AO PRESENTE
— Alves?
A voz de Bruna cortou o ar e arrancou Thomas do passado com um tranco.
Ele piscou, voltando para a sala da delegacia.
O ar pareceu voltar aos pulmões.
Bruna entrou sem pedir permissão, segurando uma prancheta.
— Temos novidade. O infiltrado da Cidade Sul mandou mensagem agora.
Thomas endireitou o corpo na cadeira.
— Fala.
Bruna consultou as anotações.
— O grupo descobriu que… o novo chefe do esquema não é um homem.
Ela levantou o olhar, séria:
— É uma mulher.
Thomas ficou imóvel.
Um segundo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...