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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 312

A delegacia estava estranhamente silenciosa para uma manhã de um Domingo.

O relógio marcava 08h47.

Thomas estava sozinho na própria sala, sentado diante de uma pilha de documentos do caso “Dom”. Mapas, rostos, horários.

Setas vermelhas marcando rotas.

Linhas ligando nomes que ainda não tinham rosto.

Ele esfregou o rosto com força, tentando afastar o cansaço.

Mas o que voltava…

não era o cansaço.

Era o passado.

Sempre o passado.

Sempre aquela cena.

Sempre eles.

Ele tentou ignorar. Respirou fundo. Pegou outra pasta.

Mas a mente não obedeceu.

A lembrança veio como um tiro.

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FLASHBACK ANOS ATRÁS

O som da chave no trinco ainda ecoava quando Thomas empurrou a porta da casa dos pais.

Ele tinha voltado antes da viagem — três dias antes — porque queria fazer uma surpresa para Gisele.

Ele tinha até ensaiado o discurso.

O anel estava no bolso do casaco.

O coração dele estava leve, ansioso.

Mas assim que entrou… alguma coisa estava errada.

Muito errada.

Os pais estavam na sala.

O pai, sentado.

A mãe, rígida.

Guilherme — o irmão — em pé, perto da lareira.

E Gisele.

Gisele estava lá.

De vestido claro.

Maquiagem leve.

Rosto iluminado.

Segurando o braço de Guilherme… com intimidade.

A intimidade de quem já estava junto.

A intimidade que antes era dele.

Thomas parou.

O estômago afundou até tocar o chão.

— O que está acontecendo aqui? — a voz dele saiu baixa, quase um sopro.

Gisele abriu um sorriso pequeno, nervoso, mas… satisfeito.

Guilherme deu um passo à frente, como para protegê-la.

Proteger Gisele… dele.

Como se Thomas fosse o problema.

O pai pigarreou, desconfortável.

Antonieta desviou o olhar.

E ninguém — NINGUÉM — teve coragem de responder.

Thomas sentiu o mundo rachar por dentro.

A mão apertou a caixa do anel no bolso até quase destruir o veludo.

Gisele abaixou os olhos, mas não soltou Guilherme.

Era isso.

A traição.

Não só dela.

Mas da família inteira.

O abandono.

A mentira.

O segredo.

A troca.

Ele abriu a mão devagar e colocou o currículo na mesa do pai com uma calma assustadora.

— Pronto. Esse é meu currículo. Só tava esperando formar pra entregar.

— Agora… vou atrás das minhas vontades. Não das de vocês.

E saiu.

Sem olhar para trás.

O anel ficou no bolso.

Por meses.

Até o dia em que ele finalmente jogou no lixo.

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DE VOLTA AO PRESENTE

— Alves?

A voz de Bruna cortou o ar e arrancou Thomas do passado com um tranco.

Ele piscou, voltando para a sala da delegacia.

O ar pareceu voltar aos pulmões.

Bruna entrou sem pedir permissão, segurando uma prancheta.

— Temos novidade. O infiltrado da Cidade Sul mandou mensagem agora.

Thomas endireitou o corpo na cadeira.

— Fala.

Bruna consultou as anotações.

— O grupo descobriu que… o novo chefe do esquema não é um homem.

Ela levantou o olhar, séria:

— É uma mulher.

Thomas ficou imóvel.

Um segundo.

— Ótimo. — Moura virou-se para sair. — Espero um relatório até amanhã às oito.

A porta se fechou com um clique seco.

O silêncio voltou.

Thomas passou as mãos no rosto, respirou fundo… e voltou ao quadro.

Linhas. Datas. Fotos. Rotas.

Cada marca em vermelho parecia gritar:

> Quem é ela?

Por que agora?

O que ela quer comigo?

A pressão era gigantesca.

Mas Thomas não ia recuar.

Ele nunca recuava.

___

O apartamento estava silencioso demais.

Nathalia caminhava de um lado para o outro, prendendo o cabelo num coque torto enquanto observava Sofia largada no sofá, abraçada a uma almofada.

— Tá me deixando nervosa desse jeito — Nathalia avisou. — Fala logo: o que tá acontecendo?

Sofia suspirou, afundando o rosto na almofada antes de encarar a amiga.

— A noite foi incrível, Nat. Incrível de verdade. Eu senti ele de volta. Parecia que tudo tinha se encaixado de novo…

Nathalia se sentou ao lado dela.

— …mas?

Sofia mordeu o canto do lábio.

— Mas quando amanheceu… parecia que nada tinha acontecido. Ele ficou doce, carinhoso, mas… distante. Como se tivesse arrependido. Como se estivesse tentando apagar tudo.

Nathalia segurou a mão dela.

— Sofia, o Thomas é um poço de trauma ambulante. Ele te ama, isso é óbvio. Mas ele também morre de medo.

Sofia respirou fundo.

— Eu só tenho medo… desse afastamento virar espaço pra outra pessoa.

Nathalia levantou a sobrancelha.

— Você quer dizer Bruna, né?

Sofia desviou o olhar.

O silêncio respondeu por ela.

— Nat, ela vive procurando brecha. Vive tentando se aproximar. E desse jeito… sei lá. Parece que eu tô vendo ele escorregar pelos meus dedos. Parece que eu voltei a andar em ovos.

Nathalia puxou Sofia para um abraço apertado.

— Ei. Não cria cenário na cabeça. Você passou por coisa demais. Ele também. E Bruna pode até querer… mas ele não quer ela.

Sofia fechou os olhos, apoiando a testa no ombro da amiga.

— Eu só… não quero perder ele. Não depois de tudo.

Nathalia sorriu de canto, fazendo carinho no braço dela.

— Então luta pelo que é seu. Mas sem se machucar no processo. O Thomas precisa te alcançar também… não é só você correndo atrás.

Sofia respirou fundo, absorvendo cada palavra.

Mas ainda assim, a dúvida ficou ali, presa no peito:

> E se ele estiver se afastando… por causa dela?

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