O silêncio depois da saída de Antonieta ficou pesado demais para aquele apartamento.
Sofia ficou parada na entrada da cozinha, segurando o pano ainda sujo de café, sem saber se dava mais um passo… ou recuava.
Thomas estava de pé no meio da sala, mãos na cintura, ombros tensos, olhar perdido no chão. O ar inteiro ao redor dele parecia carregado de coisas não ditas — de anos não ditos.
Sofia respirou fundo.
— Thomas… — chamou baixinho.
Ele levantou o olhar.
E o que Sofia viu ali… não era raiva.
Era dor.
Ferida antiga, funda, aberta de novo sem aviso.
— Ela sempre foi assim? — Sofia perguntou com cuidado. — Tinha outra visão da grande Antonieta.
Thomas soltou um riso curto, amargo.
— Ela é pior.
Sofia se aproximou, devagar.
Como se ele fosse um animal ferido que ela temesse assustar.
— Por que você nunca me contou que ela era sua mãe?
Ele apertou a mandíbula.
— Porque não faz diferença. — Thomas virou o rosto. — Nem pra mim… nem pra eles.
Aquilo atingiu Sofia como um tapa mudo.
— Thomas… você sabe que isso não é verdade.
— Sofia… — ele interrompeu com a voz baixa, pesada. — Meu pai não fala comigo direito desde que eu tinha vinte e um anos. Minha mãe tenta… tenta remendar as coisas, tenta fazer parecer que a família está intacta, mas… — ele fechou os olhos. — Não está. E não vai estar.
Sofia franziu o cenho.
— Porque? Porque você desistiu do direito?
O silêncio dele foi resposta suficiente.
Sofia respirou fundo.
— Você devia ter me contado. Para que não confia em mim.
Thomas olhou para ela então, finalmente.
O olhar daquele homem que a amava, mas que vivia com medo de machucar.
— Eu não queria arrastar você para isso. Nem para o que aconteceu antes… nem para o que está acontecendo agora.
Sofia deu um passo para perto dele.
— Thomas, eu não sou de vidro.
— Eu sei que não é — ele respondeu, rouco. — Mas eu sou. Quando o assunto é você.
Ela parou.
Porque aquilo… foi diferente.
Foi honesto.
Cru.
Real.
— Thomas… — ela sussurrou, tocando o braço dele. — Você pode confiar em mim. Eu estou aqui.
Thomas fechou os olhos por um instante, como se estivesse reunindo coragem para algo que nunca dizia.
— Eu fiquei com medo, Sofia.
Ela sentiu o corpo todo gelar.
— Medo… de mim.
Medo de virar meu pai.
Medo de repetir tudo que eu jurei que nunca faria.
Sofia encostou a mão no rosto dele.
— Você nunca faria isso comigo. Nunca.
Thomas respirou fundo e segurou a mão dela, pressionando-a contra a própria pele.
— Eu espero que não. Mas… o jeito que eu surtei depois do sequestro, a obsessão, o trabalho, as paredes cheias, as noites acordado… — a voz dele falhou. — Eu me vi ficando igual a ele. Igual ao homem que eu aprendi a odiar.
Sofia sentiu o coração doer.
— Thomas… você não é seu pai.
Ele olhou para ela como se precisasse desesperadamente acreditar.
— Não sou?
— Não. — Sofia afirmou, firme, como uma sentença. — Seu pai se afastou do filho. Você faria de tudo para proteger quem ama. Isso já te torna completamente diferente.
Thomas respirou fundo.
Parecia mais calmo.
Só que…
O elevador apitou novamente.
Sofia arregalou os olhos.
— Meu Deus… não é ela de novo, né?
Thomas levou a mão à testa.
— Se for… eu finjo que morri.
Mas não era Antonieta.
Era Thiago com o crachá ainda no bolso e um saco de padaria na mão.
— Bom dia, casal do caos! — ele anunciou, entrando sem cerimônia. — Trouxe pão de queijo e informações. E fofoca, claro. Sempre tem fofoca.
Sofia riu nervosa.
— Você entra assim? Sem bater?
Thiago:
— Sou praticamente síndico desse prédio. Além disso, Thomas nunca tranca a porta. Homem que acha que é imortal.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...