Os dias seguintes passaram como cópias malfeitas um do outro.
Ele já não buscava mais ela.
O motorista levava Sofia ao estágio.
E garantia que ela estivesse segura.
Era como se tivesse colocado uma parede de concreto entre os dois.
Eles conversavam o mínimo.
Sempre mensagens curtas ao longo do dia:
> "Chegou bem?"
> "Sim."
> " Ok. Não esquece de almoçar."
Era isso.
Isso… e o silêncio.
O pior tipo de silêncio:
aquele que corta… sem fazer barulho.
Sofia se dividia entre o estágio, os estudos e o pânico crescente:
TCC perto da apresentação
Prova da OAB chegando
E o coração dela em queda livre
Ela conseguia discorrer páginas e páginas sobre Direito Constitucional…
mas não conseguia arrancar uma palavra honesta de Thomas.
Às vezes, ele aparecia com olheiras profundas.
Sempre dizia:
> “Está tudo bem. Só trabalho.”
E ela respondia:
> “Eu sei.”
Mesmo não sabendo.
Mesmo doendo.
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Nathalia percebeu antes de Sofia admitir.
— Você está pálida. Vai cair dura qualquer dia — ela disse, cruzando os braços na porta do quarto.
Sofia forçou um sorriso.
— Estou só cansada…
— Sofia… até a sua mentira está cansada — Nathalia rebateu, sem humor.
Então decidiu:
— Você vem comigo ver a Eloise e a Cecília hoje. Sem discussão.
Sofia tentou protestar, mas os olhos marejaram antes que a boca pudesse reagir.
— Brigadeiro e amigas curam quase tudo — Nathalia declarou. — Ou pelo menos… adormecem a parte ruim.
A casa de Eloise estava iluminada com cheirinho de bolo no forno.
Emma, Laís e Eloise conversavam animadas, cada uma com um copo de café na mão, e Cecília dormia tranquila no bebê conforto — um suspiro de paz no meio do caos do mundo.
Elas riram, falaram mal dos ex-namorados, planejaram o que iriam vestir nas formaturas…
O clima era leve.
Sofia tentou se encaixar nessa leveza.
Tentou mesmo.
Mas a cabeça dela insistia em voltar para:
o sofá do Thomas vazio
o celular silencioso
o beijo distante
o medo constante
Laís colocou um brigadeiro na mão dela.
— Come. A gente precisa te deixar nutrida para brigar com a vida — brincou.
Sofia riu. De verdade até.
Mas o riso morreu cedo.
Emma percebeu a falta de brilho nos olhos dela.
— Sofi… quer conversar?
Sofia respirou fundo.
Por um segundo… ela pensou em dizer tudo.
Tudo mesmo.
Abrir o peito.
Deixar as amigas segurarem os pedaços.
Mas ela engoliu.
— Eu só tô cansada — respondeu baixo.
Ninguém acreditou. Mas respeitaram.
Elas decidiram falar sobre outras coisas…
porque às vezes o melhor jeito de cuidar… é distrair.
Sofia olhou para Cecília dormindo e sentiu algo esquentar o peito:
> se o amor ainda existia — estava ali
forte
quieto
lutando para sobreviver
Naquela noite, ao chegar em casa…
Sofia não recebeu nenhuma mensagem.
O celular ficou iluminando a mesa — esperando.
Ela também esperou.
Esperou até a esperança adormecer.
E quando finalmente deitou…
um único pensamento latejou:
> Ele está aqui… mas não está comigo.
E essa era a dor mais silenciosa que ela já sentiu.
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A quinta-feira começou agitada
Na delegacia.
Thomas fechou a porta da sala, girando a chave.
A luz do monitor era o único brilho ali dentro.
Fotos do sequestro espalhadas na mesa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...