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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 319

O sol ainda nem tinha nascido quando Thomas cruzou a divisa entre uma cidade e outra.

A emboscada que deveria ser uma apreensão tranquila virou guerra em minutos.

Sirenes. Armas. Grito no rádio.

Thomas estava dentro do carro da Divisão, colete ajustado, ouvido grudado no comunicador.

— Iniciar abordagem.

O som das sirenes cobriu qualquer pensamento.

A operação na Cidade Sul tinha começado — e ele varreria cada endereço em busca de qualquer rastro da nova chefe do esquema.

Foi no meio do caos que o celular vibrou no bolso dele.

Uma notificação acesa na tela:

> “Vai começar.” — Sofia

Ele não viu.

Não ouviu.

Não sentiu.

A missão engoliu tudo.

---

Ao mesmo tempo, o relógio apontava 9h02 no pulso de Sofia.

As mãos tremiam tanto que ela precisou segurá-las uma com a outra.

O auditório cheirava a café e nervos em ebulição.

Nathalia ajeitou sua franja pela quinta vez.

Emma deu um tapinha no ombro dela:

— Vai arrasar, doutora.

Laís segurava a garrafinha d’água, como se fosse um amuleto.

Era o grande dia.

O maior dia.

E… ele não estava lá.

Sofia piscou várias vezes, tentando impedir que o coração interferisse na voz que ela precisava sustentar dali a pouco.

Ela respirou fundo, endireitou os ombros…

E entrou na sala.

Era hora de provar para si mesma que tudo — noites em claro, crises, medo — tinha valido a pena.

Emma e Enzo apareceram quase na correria, entrando discretamente.

Emma abanou pra ela com entusiasmo e Enzo levantou o punho fechado em sinal de “vai dar certo”.

Sofia sorriu de volta.

Mesmo com aquele sorriso, faltava alguém ali.

Mas ela não podia deixar o buraco falar mais alto.

Precisava focar.

E então apresentou o trabalho que estudou nos últimos anos com uma paixão que ninguém poderia tirar dela.

O olhar firme.

A voz segura.

A mente… brilhando.

Quando a banca deu o veredito e o grupo saiu do auditório, as meninas explodiram em comemoração.

— Fui aprovada! — Sofia anunciou, e todas gritaram juntas, abraçando-a em rodinha.

Emma saltou duas vezes, vibrando e chorando.

Nathalia rodopiou Sofia pelos braços.

Laís gravou tudo.

Eloise gritava “EU SABIA! EU SEMPRE SOUBE!"

Enzo apareceu, com um sorriso sincero e um buquê de girassóis nas mãos.

— Parabéns, doutora. — disse, entregando as flores com um brilho no olhar que não tentou esconder.

Sofia riu, emocionada:

— Obrigada, Enzo…

Ela sentiu o coração aquecer.

Mas ainda faltava o abraço que ela mais queria.

E foi exatamente quando ouviu a única voz que faria seu coração vacilar mesmo de longe:

— Sofia!

Thomas, ainda fardado.

O sorriso dele sumiu por um segundo, rápido demais para alguém além dela notar.

Ele atravessava a calçada rápido, ainda com o distintivo pendurado no pescoço, suado, o respiração sem fôlego.

— Desculpa… — disse, ofegante. — Eu tentei chegar antes, mas… a operação…

Sofia respirou fundo, puxando o melhor sorriso possível.

— Tudo bem. Eu entendo.

Thomas engoliu seco.

— E? — perguntou, com ansiedade infantil nos olhos.

— E deu tudo certo.

— Fui aprovada.

Por um segundo, o mundo parou.

Ele sorriu — cansado, mas verdadeiro.

E então a puxou para um abraço.

Um abraço forte.

Um abraço cheio de orgulho.

Um abraço longo…

…mas que já não queimava como antes.

Era o abraço de quem ainda se ama…

…mas está exausto de sofrer.

Ao redor, as meninas pararam.

Até Enzo parou.

Todos perceberam:

o reencontro estava ali…

…mas o amor deles parecia em algum outro lugar.

Thomas beijou o topo da cabeça dela, devagar.

— Eu tô muito orgulhoso de você, ruivinha.

— Obrigada… — Sofia murmurou, sem conseguir esconder a dor no peito. — Mas… às vezes… eu só queria que você tivesse chegado um pouquinho antes.

Thomas fechou os olhos.

Ele queria dizer tanta coisa.

Mas nenhuma palavra saiu.

Ele apenas a abraçou mais forte…

Como quem segura algo que está escorregando pelos dedos.

Como quem tenta impedir que o fim chegue.

— A última visita que Carla recebeu na penitenciária foi de Nicole… há dez meses. E depois disso, nada. Nenhuma pista da filha desde então.

Thomas apoiou as mãos na mesa, tenso.

— Sabemos que é uma mulher.

Se a filha está sumida… começamos por ela.

Alex trocou um olhar com Bruna antes de dizer:

— Thomas… já pensou que pode ser alguém… próximo?

Alguém que sabe da sua vida. Da sua intimidade.

Do seu “Dom”.

Bruna franziu a testa, confusa.

— Dom? Que história é es—

Ela parou.

Bem no meio da frase.

Quando o olhar dela se fixou no colar de Thomas.

Na postura dele.

No silêncio carregado.

Ela entendeu.

Dominador.

Dom.

Mas Thomas não moveu um músculo.

— Eu já pensei nisso. — respondeu, voz baixa e controlada. — Por isso… nenhuma ponta vai ficar solta.

Bruna e Alex se entreolharam, tensos.

Thomas virou uma foto sobre a mesa.

Olhou fixamente para o rosto da menina nela.

Olhos frios.

Fúria contida.

— Quero tudo.

Endereço real.

Movimentos recentes.

Segredos.

E onde quer que ela esteja…

…ela não vai se esconder por muito tempo.

Nunca mais.

Era promessa.

Era ameaça.

Era as duas coisas.

Naquele dia,

Sofia realizava o sonho.

Thomas perseguia o pesadelo.

E os dois…

davam cada passo da vida em direções opostas,

sem perceber que o amor deles

já estava ficando para trás.

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