O sol ainda nem tinha nascido quando Thomas cruzou a divisa entre uma cidade e outra.
A emboscada que deveria ser uma apreensão tranquila virou guerra em minutos.
Sirenes. Armas. Grito no rádio.
Thomas estava dentro do carro da Divisão, colete ajustado, ouvido grudado no comunicador.
— Iniciar abordagem.
O som das sirenes cobriu qualquer pensamento.
A operação na Cidade Sul tinha começado — e ele varreria cada endereço em busca de qualquer rastro da nova chefe do esquema.
Foi no meio do caos que o celular vibrou no bolso dele.
Uma notificação acesa na tela:
> “Vai começar.” — Sofia
Ele não viu.
Não ouviu.
Não sentiu.
A missão engoliu tudo.
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Ao mesmo tempo, o relógio apontava 9h02 no pulso de Sofia.
As mãos tremiam tanto que ela precisou segurá-las uma com a outra.
O auditório cheirava a café e nervos em ebulição.
Nathalia ajeitou sua franja pela quinta vez.
Emma deu um tapinha no ombro dela:
— Vai arrasar, doutora.
Laís segurava a garrafinha d’água, como se fosse um amuleto.
Era o grande dia.
O maior dia.
E… ele não estava lá.
Sofia piscou várias vezes, tentando impedir que o coração interferisse na voz que ela precisava sustentar dali a pouco.
Ela respirou fundo, endireitou os ombros…
E entrou na sala.
Era hora de provar para si mesma que tudo — noites em claro, crises, medo — tinha valido a pena.
Emma e Enzo apareceram quase na correria, entrando discretamente.
Emma abanou pra ela com entusiasmo e Enzo levantou o punho fechado em sinal de “vai dar certo”.
Sofia sorriu de volta.
Mesmo com aquele sorriso, faltava alguém ali.
Mas ela não podia deixar o buraco falar mais alto.
Precisava focar.
E então apresentou o trabalho que estudou nos últimos anos com uma paixão que ninguém poderia tirar dela.
O olhar firme.
A voz segura.
A mente… brilhando.
Quando a banca deu o veredito e o grupo saiu do auditório, as meninas explodiram em comemoração.
— Fui aprovada! — Sofia anunciou, e todas gritaram juntas, abraçando-a em rodinha.
Emma saltou duas vezes, vibrando e chorando.
Nathalia rodopiou Sofia pelos braços.
Laís gravou tudo.
Eloise gritava “EU SABIA! EU SEMPRE SOUBE!"
Enzo apareceu, com um sorriso sincero e um buquê de girassóis nas mãos.
— Parabéns, doutora. — disse, entregando as flores com um brilho no olhar que não tentou esconder.
Sofia riu, emocionada:
— Obrigada, Enzo…
Ela sentiu o coração aquecer.
Mas ainda faltava o abraço que ela mais queria.
E foi exatamente quando ouviu a única voz que faria seu coração vacilar mesmo de longe:
— Sofia!
Thomas, ainda fardado.
O sorriso dele sumiu por um segundo, rápido demais para alguém além dela notar.
Ele atravessava a calçada rápido, ainda com o distintivo pendurado no pescoço, suado, o respiração sem fôlego.
— Desculpa… — disse, ofegante. — Eu tentei chegar antes, mas… a operação…
Sofia respirou fundo, puxando o melhor sorriso possível.
— Tudo bem. Eu entendo.
Thomas engoliu seco.
— E? — perguntou, com ansiedade infantil nos olhos.
— E deu tudo certo.
— Fui aprovada.
Por um segundo, o mundo parou.
Ele sorriu — cansado, mas verdadeiro.
E então a puxou para um abraço.
Um abraço forte.
Um abraço cheio de orgulho.
Um abraço longo…
…mas que já não queimava como antes.
Era o abraço de quem ainda se ama…
…mas está exausto de sofrer.
Ao redor, as meninas pararam.
Até Enzo parou.
Todos perceberam:
o reencontro estava ali…
…mas o amor deles parecia em algum outro lugar.
Thomas beijou o topo da cabeça dela, devagar.
— Eu tô muito orgulhoso de você, ruivinha.
— Obrigada… — Sofia murmurou, sem conseguir esconder a dor no peito. — Mas… às vezes… eu só queria que você tivesse chegado um pouquinho antes.
Thomas fechou os olhos.
Ele queria dizer tanta coisa.
Mas nenhuma palavra saiu.
Ele apenas a abraçou mais forte…
Como quem segura algo que está escorregando pelos dedos.
Como quem tenta impedir que o fim chegue.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...