A noite terminou antes de acabar.
Sofia tinha bebido mais vinho do que pretendia — o suficiente para sentir o rosto quente, o corpo leve e o coração solto.
Thomas ficou ao lado dela o tempo todo, mas não colado… apenas perto o bastante para impedir que ela tropeçasse.
Quando todos se despediram no portão da casa da Eloise, Sofia abraçou as meninas uma por uma e então caminhou até a camionete dele.
— Eu vou com você… né? — ela perguntou, com aquele sorriso torto de quem já estava meio bêbada.
Thomas hesitou por meio segundo.
Mas abriu a porta.
— Vamos.
A estrada foi silêncio.
Não o silêncio confortável de antes…
mas aquele silêncio que machuca, que pesa, que preenche o carro como se tivesse corpo próprio.
Sofia estava encostada no banco, olhando a rua passar como quem vê o mundo com o atraso do vinho.
Não percebeu o nó na garganta dele.
Não percebeu o volante apertado com força.
Não percebeu nada.
Talvez fosse melhor assim.
Quando chegaram ao apartamento, Thomas a segurou pela cintura antes que ela tropeçasse no tapete.
— Thomas… — ela riu baixinho. — Me leva pro quarto escuro… por favor… eu quero ser sua.
Mas ele não levou.
Ele a levou para a própria cama, com cuidado — aquele cuidado que parece amor, mas no fundo é despedida.
Tirou os sapatos dela.
Arrumou o travesseiro.
Cobriu-a com o edredom como quem protege algo precioso.
Ela tentou puxar o braço dele quando ele se afastou:
— Fica… só um pouco.
Ele não ficou.
— Dorme, ruivinha. Vou trabalhar um pouco.
A voz saiu baixa, quase falhando.
Sofia fechou os olhos, entregue ao torpor do vinho.
Thomas saiu do quarto sem olhar para trás.
A porta se fechou num clique suave, quase inexistente…
E ele passou o resto da madrugada no escritório, sentado no chão, encostado na parede, encarando o próprio refleto na janela escura.
Até o amanhecer.
Quando Sofia finalmente despertou, a cabeça latejava e o quarto girava um pouquinho.
A primeira coisa que ela fez foi esticar a mão para o lado dele.
Nada.
Nenhum amasso no lençol.
Nenhum cheiro.
Nenhum calor.
O outro lado da cama estava intacto.
Frio.
Como se ele nunca tivesse dormido ali.
Ela se levantou devagar, o coração estranhamente inquieto, a cabeça aínda pesada do vinho da noite anterior.
Fez a higiene matinal no piloto automático — rosto, água fria, pasta de dente — como se esse ritual fosse a única coisa no mundo que ainda estava no lugar.
Quando levantou o rosto e encarou o espelho, viu:
olhos inchados,
cabelos bagunçados,
e uma mulher cansada de segurar tudo sozinha.
Sofia apoiou as duas mãos na pia, respirou fundo…
E sussurrou para si mesma — não como promessa, mas como pedido:
— Eu preciso organizar essa parte da minha vida.
Sofia foi até o escritório e, ao abrir a porta, encontrou Thomas ali.
As olheiras profundas.
O olhar cortado.
A postura rígida — como se segurasse o próprio corpo para não desmoronar.
Ele não sorriu.
Nem tentou.
— Você dormiu aqui? — Sofia perguntou, a voz baixa.
— Nem percebi.
Sofia entrou e se aproximou devagar.
— Thomas… não tem mais como fugir. A gente precisa conversar. Eu te amo, eu quero muito fazer isso dar certo, mas você precisa se abrir…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...