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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 345

O carro de Sofia ainda estava no estacionamento.

Ela estava imóvel, as mãos no volante, o peito subindo e descendo rápido.

Respira.

Só trabalho.

Só trabalho.

O celular vibrou no console.

Thomas.

Sofia olhou para o nome na tela como se fosse uma provocação.

Atendeu sem colocar no ouvido.

— O quê? — a voz saiu mais fria do que ela pretendia.

Do outro lado, o tom dele estava controlado… mas havia algo quebrado ali, por baixo.

— Eu só… — ele respirou. — Eu não quero que você ache que foi um jogo. Que foi impulso. Ou que eu tentei jogar charme.

Sofia fechou os olhos por um instante.

— Thomas, eu já ouvi o suficiente hoje.

— Sofia… — ele insistiu, mais baixo. — A gente precisa manter isso profissional. Eu sei. Eu vou respeitar. Mas eu não vou fingir que não existe nada.

Ela apertou o volante.

— Profissional é exatamente o que eu quero. E é o que você vai me dar.

Silêncio.

— Ok. — a voz dele ficou mais séria. — Então volta. A gente recebeu uma atualização do laboratório.

O coração de Sofia deu um salto involuntário.

— Eu estou indo.

Ela desligou antes que ele dissesse mais alguma coisa.

E, quando saiu do carro, sabia:

Aquele beijo não tinha sido só um erro.

Tinha sido um aviso.

Na sala de Thomas, a atmosfera estava diferente.

Mais pesada.

Como se a delegacia inteira tivesse percebido que alguma coisa tinha mudado ali dentro — e ninguém soubesse dizer o quê.

Alex estava de pé perto do quadro branco, com um envelope aberto nas mãos. O rosto dele tinha aquela expressão de quem não está confortável com o que está prestes a mostrar.

Thomas estava encostado na mesa, braços cruzados, o maxilar rígido.

Quando Sofia entrou, ele olhou rápido — só rápido — e desviou.

Profissional. Frio. Como ela exigiu.

— O que houve? — Sofia perguntou, indo direto ao ponto.

Alex levantou o envelope.

— Laudo preliminar do caderno.

Sofia estendeu a mão.

Alex entregou.

Ela leu em silêncio. Uma vez. Duas.

E a terceira leitura foi a que realmente importou.

Thomas quebrou o silêncio:

— Não tem digitais consistentes da “Nicole”.

Sofia levantou o olhar devagar.

— Tem de mais alguém?

Alex assentiu, desconfortável.

— Tem fragmentos de uma impressão parcial. Muito bem limpa. Mas o laboratório conseguiu pegar micro resíduos.

Ele respirou fundo antes de completar:

— Tinta e cola industrial. Do tipo usada em… gráfica de fachada. Impressão clandestina. E o mais estranho…

Sofia inclinou a cabeça.

— Fala.

Alex apontou para uma linha no laudo.

— O papel das páginas não tem desgaste natural de uso. Não tem marcas de dedo repetidas nos cantos. Não tem óleo de pele acumulado.

Thomas completou, com a voz mais baixa:

— Não foi “vivido”.

Sofia fechou o laudo devagar.

— Foi produzido.

O silêncio na sala ficou quase físico.

Sofia caminhou até o quadro branco e pegou uma caneta.

Escreveu em letras firmes:

CADERNO = PEÇA

Depois, abaixo:

QUEM GANHA COM “NICOLE VÍTIMA”?

Alex deu um passo à frente.

— A imprensa. A opinião pública. A comoção.

Thomas encarou o quadro, tenso.

— E alguém que precise que a gente olhe para o lado errado.

Sofia virou-se para eles, a expressão afiada.

— Ou ela não quer ser vista.

Ela apontou para o quadro.

— Ela fugiu. Foi vista. Agora, o próximo passo natural seria: caçada. Mandado. Pressão.

E então ela bateu com a caneta na palavra “peça”.

— Mas se ela vira vítima… a narrativa vira escudo. Então precisamos de provas para que não deixe brechas.

Thomas ficou quieto por um instante longo demais.

Sofia percebeu.

— O que mais? — ela perguntou a Alex.

Alex hesitou, como se não quisesse dar a notícia.

— Tem uma coisa… que eu achei melhor vocês verem juntos.

Ele colocou o celular em cima da mesa e abriu uma foto.

Era um print de uma câmera de rua.

Um carro escuro.

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