O carro de Sofia ainda estava no estacionamento.
Ela estava imóvel, as mãos no volante, o peito subindo e descendo rápido.
Respira.
Só trabalho.
Só trabalho.
O celular vibrou no console.
Thomas.
Sofia olhou para o nome na tela como se fosse uma provocação.
Atendeu sem colocar no ouvido.
— O quê? — a voz saiu mais fria do que ela pretendia.
Do outro lado, o tom dele estava controlado… mas havia algo quebrado ali, por baixo.
— Eu só… — ele respirou. — Eu não quero que você ache que foi um jogo. Que foi impulso. Ou que eu tentei jogar charme.
Sofia fechou os olhos por um instante.
— Thomas, eu já ouvi o suficiente hoje.
— Sofia… — ele insistiu, mais baixo. — A gente precisa manter isso profissional. Eu sei. Eu vou respeitar. Mas eu não vou fingir que não existe nada.
Ela apertou o volante.
— Profissional é exatamente o que eu quero. E é o que você vai me dar.
Silêncio.
— Ok. — a voz dele ficou mais séria. — Então volta. A gente recebeu uma atualização do laboratório.
O coração de Sofia deu um salto involuntário.
— Eu estou indo.
Ela desligou antes que ele dissesse mais alguma coisa.
E, quando saiu do carro, sabia:
Aquele beijo não tinha sido só um erro.
Tinha sido um aviso.
Na sala de Thomas, a atmosfera estava diferente.
Mais pesada.
Como se a delegacia inteira tivesse percebido que alguma coisa tinha mudado ali dentro — e ninguém soubesse dizer o quê.
Alex estava de pé perto do quadro branco, com um envelope aberto nas mãos. O rosto dele tinha aquela expressão de quem não está confortável com o que está prestes a mostrar.
Thomas estava encostado na mesa, braços cruzados, o maxilar rígido.
Quando Sofia entrou, ele olhou rápido — só rápido — e desviou.
Profissional. Frio. Como ela exigiu.
— O que houve? — Sofia perguntou, indo direto ao ponto.
Alex levantou o envelope.
— Laudo preliminar do caderno.
Sofia estendeu a mão.
Alex entregou.
Ela leu em silêncio. Uma vez. Duas.
E a terceira leitura foi a que realmente importou.
Thomas quebrou o silêncio:
— Não tem digitais consistentes da “Nicole”.
Sofia levantou o olhar devagar.
— Tem de mais alguém?
Alex assentiu, desconfortável.
— Tem fragmentos de uma impressão parcial. Muito bem limpa. Mas o laboratório conseguiu pegar micro resíduos.
Ele respirou fundo antes de completar:
— Tinta e cola industrial. Do tipo usada em… gráfica de fachada. Impressão clandestina. E o mais estranho…
Sofia inclinou a cabeça.
— Fala.
Alex apontou para uma linha no laudo.
— O papel das páginas não tem desgaste natural de uso. Não tem marcas de dedo repetidas nos cantos. Não tem óleo de pele acumulado.
Thomas completou, com a voz mais baixa:
— Não foi “vivido”.
Sofia fechou o laudo devagar.
— Foi produzido.
O silêncio na sala ficou quase físico.
Sofia caminhou até o quadro branco e pegou uma caneta.
Escreveu em letras firmes:
CADERNO = PEÇA
Depois, abaixo:
QUEM GANHA COM “NICOLE VÍTIMA”?
Alex deu um passo à frente.
— A imprensa. A opinião pública. A comoção.
Thomas encarou o quadro, tenso.
— E alguém que precise que a gente olhe para o lado errado.
Sofia virou-se para eles, a expressão afiada.
— Ou ela não quer ser vista.
Ela apontou para o quadro.
— Ela fugiu. Foi vista. Agora, o próximo passo natural seria: caçada. Mandado. Pressão.
E então ela bateu com a caneta na palavra “peça”.
— Mas se ela vira vítima… a narrativa vira escudo. Então precisamos de provas para que não deixe brechas.
Thomas ficou quieto por um instante longo demais.
Sofia percebeu.
— O que mais? — ela perguntou a Alex.
Alex hesitou, como se não quisesse dar a notícia.
— Tem uma coisa… que eu achei melhor vocês verem juntos.
Ele colocou o celular em cima da mesa e abriu uma foto.
Era um print de uma câmera de rua.
Um carro escuro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...