No hospital, a menina estava sentada, cobertor nos ombros, olhar baixo.
Quando viu Sofia, não sorriu.
Só puxou o ar, como se reunir coragem doesse.
Sofia se aproximou devagar e sentou ao lado, sem invadir espaço.
— Oi. — Sofia disse, suave. — Eu estou aqui.
A menina olhou para os próprios dedos, mexendo nas bordas do cobertor.
— Eu... — a voz saiu quase inaudível. — Eles falaram...
Sofia ficou imóvel.
— Respira, você está segura.
A menina assentiu.
— Ela não gritou. Não ameaçou. — engoliu seco. — Ela só… olhou. Como se eu fosse… nada.
Sofia sentiu um gelo por dentro.
— Você reconheceria se visse de novo?
A menina respirou fundo, e os olhos se encheram de algo que não era choro — era medo velho.
— Eles chamaram de… “Senhora Martins.”
Sofia travou por um segundo.
Senhora Martins.
Nicole.
Sofia apertou a mão da menina com cuidado.
— Você fez muito bem em falar comigo.
A menina piscou rápido.
— Eles disseram… — a voz tremeu. — Que os policiais são burros,nunca descobrir quem manda. Que essa senhora é inteligente.
Sofia ficou em silêncio por um instante.
Depois levantou, devagar.
— Obrigada. Você foi corajosa.
Ao sair do quarto, encontrou Thomas do lado de fora, encostado na parede, sério.
Ele leu o rosto dela na mesma hora.
— Fala.
Sofia respirou fundo.
— “Senhora Martins.”
Thomas endireitou o corpo.
— Merda.
— Agora não é mais só cheiro. — Sofia disse. — É direção.
Thomas a encarou.
E, por um segundo, o homem que ela conhecia — o Thomas inteiro, vivo — apareceu ali.
— Então ela vai cair. — ele disse, baixo.
Sofia sustentou o olhar.
— Vai.
E, pela primeira vez desde que voltou para a Cidade Norte…
ela sentiu que não estava lutando sozinha.
Quando saíram do hospital, o vento frio bateu no rosto dos dois.
Thomas caminhou um passo ao lado dela.
Perto o suficiente para aquecer.
Longe o suficiente para respeitar.
Sofia olhou para frente.
— A partir de agora, nada de quase. — ela disse.
Thomas respondeu sem hesitar:
— Nada de quase.
E, em algum lugar da cidade…
alguém também estava lendo os movimentos.
E sorrindo.
Porque a “Senhora Martins” sempre preferiu vencer antes do jogo começar.
Mas dessa vez…
Sofia e Thomas estavam aprendendo a jogar juntos.
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A sala de Thomas estava mergulhada em silêncio outra vez.
Não aquele silêncio confortável de concentração, mas o tipo que pesa nos ombros, que faz o ar parecer mais denso. O relógio marcava quase nove da noite, e nenhum dos dois parecia disposto a ir embora.
— Até eu aparecer.
O ar parecia mais pesado, como se a sala tivesse diminuído.
Foi perigoso.
Thomas respirou fundo.
— Você vai virar o alvo principal.
— Eu sei. — ela respondeu, sem drama. — E é por isso que estamos chegando perto.
Ela apagou parte do quadro, mantendo apenas uma palavra sublinhada:
PONTE
— Quando a ponte cai… — Sofia continuou — todo o esquema desmorona.
Thomas assentiu lentamente.
— E eles vão tentar impedir isso.
— Já estão tentando. — ela respondeu. — A diferença é que agora sabemos onde olhar.
Sofia fechou o notebook.
Sentia aquele pressentimento antigo se instalar no estômago.
O de que alguém, em algum lugar, acabara de falar seu nome.
Ela respirou fundo.
— Thomas… — disse, sem olhar para ele. — A partir de agora, nada de rotinas previsíveis.
— Concordo. — ele respondeu. — E nada de você sozinha.
Ela o encarou.
Por um segundo longo demais.
— Isso vai nos colocar em risco.
Thomas respondeu sem hesitar:
— Já colocou.
Sofia assentiu.
E ali, sem alarde, sem promessas…
ficou claro para ambos:
o jogo tinha subido de nível.
E não havia mais como voltar atrás.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...