"Isabella"
— Não entendi… por que você quer trabalhar lá? — Camila perguntou, um pouco incrédula, quando soube que eu agora era secretária do Augusto.
— Não quero ficar em casa, sem fazer nada — respondi. Era uma meia-verdade e, pelo olhar dela, Camila sabia muito bem que havia mais por trás disso, mas ainda não era o momento de falar.
Minha prima andava meio deprimida nos últimos dias. A acusação de roubo na boate seria resolvida em breve, mas ela havia perdido o emprego e, como as notícias corriam rápido, dificilmente conseguiria trabalho em outro lugar do mesmo nível.
— O que você falou para a sua mãe? — perguntei, mudando de assunto.
— Inventei uma desculpa. Disse que tinha chegado a hora de mudar de ares. No fim, ela ficou feliz, porque agora estou em casa à noite. Nem chega a ser uma mentira… quando tudo isso se resolver, vou mesmo precisar mudar de ares. Aí posso mandar currículo sem me preocupar com a minha ficha criminal.
— Eu sinto muito por tudo isso. Não queria que nada disso tivesse acontecido.
— Não é culpa sua — ela respondeu, com amargura. — A culpa é daquele gerente bosta e de algum desgraçado que armou tudo para mim. Inveja, isso sim.
Eu não tinha contado à minha prima sobre o envolvimento de Marco Aurélio. Camila seria capaz de ir até lá, fazer um escândalo na porta da empresa ou da mansão, e isso não ajudaria em nada. Pensei em César, que tinha sumido por aí, e a raiva voltou com força, mas não adiantava despejar isso em Camila.
— Já está pensando em qual área vai seguir depois que tudo se resolver?
— Ainda não achei nada que eu queira fazer. Tenho um dinheiro guardado, dá para aguentar mais um pouco sem trabalhar.
— Qualquer coisa, não hesite em me pedir ajuda.
— Não precisa, é sério, eu consigo me virar.
— Tudo bem, mas me avisa. E a minha irmã querida, tem notícias dela?
— Ela liga de vez em quando para a minha mãe, faz videochamada por causa do filho. Minha mãe não comenta nada comigo, porque sabe que eu fico com raiva. Pelo que sei, ela ainda está morando em outra cidade com o Carlos, vivendo uma vida de milionária.
Minha irmã tinha ficado em segundo plano, mas eu não tinha a menor intenção de deixá-la me esquecer.
— Quer dar um passeio? — sugeri.
— O que você está aprontando? — Camila arqueou a sobrancelha.
— Nada demais. Só uma visitinha. Tenho certeza de que, se você procurar na rede social dela, vai saber onde ela está aproveitando o sábado.
Camila entrou no carro comigo, e segui dirigindo até a cidade onde Karen morava. Eu já tinha aparecido no restaurante, agora, pretendia aparecer na rua. Minha irmã não era do tipo que ficava em casa, jogada no sofá, ainda mais vivendo em um bairro como aquele, de alto poder aquisitivo, com lojas caríssimas espalhadas pela avenida.
Estacionei a alguns metros de uma das lojas mais caras da região, e Camila não demorou a encontrar a minha irmã. Ela tinha postado uma foto minutos antes, com algumas amigas, sem o filho, fazendo compras.
— Olha ela lá — Camila murmurou, quando encontramos a rua onde ela estava.
Desci do carro antes que pudesse pensar duas vezes.
— Isabella? — Karen parou no meio da calçada ao me reconhecer. O sorriso automático apareceu… e morreu no instante seguinte. Ela olhou para os lados, claramente com medo de um escândalo perto das novas amigas.
— Oi, irmã — respondi, tranquila demais. — Que coincidência.
Ela engoliu em seco.
— De novo isso? Claro que eu sei com quem estou mexendo. São vocês dois que não sabem. Minha irmã querida, ainda estou fazendo o favor de te avisar. Podia ser pior. Você também poderia ir presa, e seu filho ficar sozinho.
Ela não respondeu, apenas me encarou, incrédula.
— Você não faria isso com o seu sobrinho… — Lágrimas surgiram nos olhos dela. Ainda assim, não ousou fazer um escândalo no meio da rua, eu não sentia nem um pouco de pena, na verdade o sentimento era de satisfação por fazer Karen chegar o limite.
— Eu não deixaria ele desamparado, pode ter certeza — respondi, fria. — Não se preocupe com isso. Preocupe-se apenas com o que vem por aí, um bom advogado importante.
Voltei para o carro com calma, sentindo o olhar de Camila cravado em mim.
— Você viu a cara dela? — minha prima sussurrou. — Ela ficou com medo. O que você falou para ela?
— Ela ainda não sabe o que é medo — respondi, ligando o carro. — Mas vai descobrir.
— Isa, você não está fazendo nada criminoso, não é? Eu sei que os dois merecem uma lição, mas não vale a pena você se sacrificar por isso. Às vezes o karma resolve.
Eu não tinha a menor intenção de esperar o karma resolver.
— Claro que não, tudo é apenas a consequência do que os dois fizeram. Em breve você vai saber.
Camila me olhou em dúvida, mas não disse mais nada.
Arranquei devagar, certa de uma coisa, Karen tinha entendido o recado. Sabia que eles tinham apenas duas opções esperar para ver ou fugir.
Mas não haveria tempo para fugir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...