"Diana"
Ícaro me tratava como uma princesa, e eu gostava de ser tratada como uma.
Até aquele ponto da minha vida, eu realmente vivia como uma princesa, mas apenas no que dizia respeito a dinheiro. Ninguém jamais havia cuidado de mim do jeito que Ícaro cuidava: com atenção, presença e delicadeza, o que me deixava cada dia mais apaixonada.
A notícia de que Oliver era o responsável pelo meu acidente me deixou assustada, mas não surpresa. Ele era covarde a esse ponto. Ele já sabia do meu envolvimento com Ícaro e, com certeza, sabia onde ele morava;.
Eu tentava não pensar em onde Oliver poderia ter se metido, nem se voltaria para terminar o que havia começado. Ícaro fazia o possível para me acalmar, mas, com a perna quebrada e grávida, eu me sentia extremamente frágil e dependente.
Era nesse estado de espirito que em encontrava quando minha avó e minha mãe apareceram para me visitar. Fiquei genuinamente feliz ao ver minha avó, que me abraçou forte e perguntou como eu estava, preocupada de verdade. Ícaro havia saído por causa do trabalho e não estava em casa. Valentina estava na escola e só a enfermeira permanecia comigo.
A presença da minha mãe foi uma surpresa, mas era evidente que tinha sido obrigada pela minha avó. Ela olhava em volta, analisando a casa com um desprezo mal disfarçado.
— Mãe, senta um pouco. Quer alguma coisa? — pedi, já sentindo a irritação crescer. Ela continuava em pé.
— Diana, isso é um absurdo. É sério que você quer morar aqui? Olha esse lugar…
— Úrsula — advertiu minha avó, em tom firme.
Minha mãe bufou, contrariada, e se sentou no sofá, deixando bem claro o que pensava de tudo aquilo.
Ignorei o comentário e voltei a conversar com minha avó, colocando os assuntos em dia. Ninguém ainda sabia do pedido de casamento. Apenas Isabella. Eu pretendia contar quando minha perna melhorasse, quando me sentisse mais forte.
— Não se preocupe — disse minha avó em dado momento. — Seu pai uma hora vai se ajeitar. Você acha mesmo que vou deixar ele renegar a própria filha assim?
— Claro que não! — minha mãe respondeu, exaltada. — A senhora não pode concordar com isso. É um absurdo! Ela está jogando a vida no lixo. E pra quê? Para ser uma esposa pobre, morando nessa casinha velha?
— Mãe — fui mais rápida que minha avó em interrompê-la. — Por favor. Não posso permitir que a senhora ofenda o Ícaro e a casa dele, que agora é a minha casa também.
Minha mãe apelou para o sentimentalismo. Seus olhos se encheram de lágrimas, como se eu estivesse à beira da morte.
— Para de ser cabeça-dura, Úrsula — minha avó retrucou. — Isso é infinitamente melhor do que aquele traste do Oliver, que ainda por cima tentou matar a minha neta.
Minha mãe fungou e virou a cara.
— Vocês sabem? — Encarei a minha mãe.
— Claro que sim — respondeu minha avó. — Mas não se preocupe. Me garantiram que ele saiu da cidade. O pai vai abafar tudo, como sempre, mas pelo menos ele não está mais aqui. Espero que o mande para bem longe.
Olhei para minha mãe e já imaginava que ela não concordava. Era até capaz de defendê-lo na minha frente.
— Ela vai destruir as nossas vidas — resmungou minha mãe.
— Quem? — perguntei sem entender a mudança de foco.
— Aquela mulher do Augusto. Fiquei sabendo que agora ela está trabalhando com ele. Vai destruir tudo, e ninguém percebe. Augusto é teimoso demais para se livrar dela. Tudo isso é por causa dela.
— Úrsula, pelo amor de Deus — minha avó suspirou, exausta. — Será que você não consegue esquecer isso nem por um momento? É sua filha aqui, grávida, precisando de apoio. Espero mais de você.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido