"Isabella"
Não esperava ficar nervosa no meu primeiro dia de trabalho, mas, quando nos aproximamos do prédio, senti o estômago embrulhar.
Augusto me olhava de um jeito estranho, eu podia imaginar que ele queria perguntar, ter certeza do que eu estava fazendo. Pretendia explicar tudo em breve, mas ele me acharia louca. Aliás, se eu dissesse tudo o que se passava na minha cabeça, ele certamente teria certeza da minha loucura.
Entrei no prédio da empresa com a postura ensaiada de quem sabe exatamente onde pisa. Era mentira. Mais uma vez, me vi em dúvida sobre minhas ideias, meus planos, que até aquele momento não tinham dado o resultado esperado. Mas, dessa vez, precisava dar certo.
A recepção estava mais movimentada do que eu imaginava. Alguns rostos curiosos, outros claramente indiferentes. Sorri para a recepcionista, que devolveu um sorriso protocolar antes de me entregar o crachá provisório.
Subi com Augusto, ainda em silêncio. No andar dele, haviam colocado uma mesa para mim. Assim que chegamos, Augusto me deu um selinho rápido e entrou na sala. Fiquei do lado de fora por alguns segundos, confusa, sem saber exatamente como reagir.
A secretária de Augusto já estava no posto, com certeza já sabia da minha chegada.
— Bom dia, você deve ser a Isabella — disse ela, sem tirar totalmente os olhos do computador.
— Sou, sim. Bom dia — respondi, pousando a bolsa com cuidado. — Você é a…
— Maria — respondeu. O tom era educado, mas havia algo ali. Uma pausa curta demais para ser casual. — Secretária do Augusto… há anos.
O complemento não foi gratuito. Sorri do mesmo jeito.
Maria era uma mulher mais velha e, sendo sincera, eu nunca tinha prestado muita atenção nela antes. Mas, como secretária do Augusto há tanto tempo, com certeza sabia mais do que aparentava.
— Ótimo. Fico aliviada em saber que vou aprender com alguém experiente.
Maria me analisou de cima a baixo, rapidamente. Não foi um olhar ofensivo, mas avaliador. O vestido social cinza, o cabelo preso, a maquiagem discreta, tudo dentro do esperado. Eu queria passar despercebida, o que era difícil sendo a esposa do chefe.
— Você poderia me explicar como o Augusto prefere organizar a agenda? Sei que cada executivo tem suas manias. Não quero me impor… pode me passar tudo o que for necessário que eu me adapto.
— Ele… — pigarreou — prefere blocos longos de reunião. Não gosta de interrupções desnecessárias. Vou te passar a agenda. Ele tem muitas reuniões esta semana. Tenho algumas coisas para resolver, você pode acompanhá-lo, em geral essas reuniões são longas e um pouco chatas.
— Perfeito, pode deixar comigo. E relatórios? Ele prefere impresso ou digital?
— Impresso. Sempre.
— Perfeito. Vou anotar.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido