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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 154

"Augusto"

A primeira reunião do dia era simples demais para justificar a quantidade de gente envolvida, isso até descobrir que o assunto era um pouco mais sério.

Diretores, membros do conselho, alguém do jurídico “apenas para acompanhar” e minha secretária oficial, sentada à minha direita, com um tablet e um caderno à mão. Isabella ocupava a mesa menor, um pouco atrás de mim. Discreta. Silenciosa. Exatamente onde ninguém prestaria atenção.

Todos ali sabiam que ela era minha esposa. Disso eu tinha certeza.

Tentei fingir naturalidade quando meu pai entrou na sala. Ele caminhou até a cabeceira como a autoridade que sempre fora. Não olhou para mim — ou fingiu não notar a minha presença, menos ainda a de Isabella.

A pauta girava em torno da expansão da SEG29 para o mercado internacional. Eu não fazia ideia do que ele pretendia agora que o casamento de Diana não aconteceria mais. Ele precisaria encontrar outro acordo.

— Vamos ter que mudar de planos. Receio que o acordo com Paulo não vá adiante — disse meu pai logo no início da reunião. — Isso não invalida nosso projeto de expansão, mas pode atrasá-lo um pouco.

Consegui ouvir o som suave da caneta de Isabella anotando, enquanto meu pai lançava um olhar rápido em minha direção. Havia ódio ali. Para ele, admitir diante da diretoria que seus planos haviam fracassado era confessar uma falha. Sustentei o olhar e permaneci em silêncio.

— Mesmo com os custos acima da média? Acho que esse pode ser um bom momento para avaliar se a SEG29 tem capacidade de inserir no mercado internacional de fato, se alguma coisa der errado, seremos massacrados — questionou um dos conselheiros.

Meu pai fuzilou com o olhar o dono do comentário, deixando um clima desconfortável na sala. O representante do jurídico pigarreou antes de responder:

— São custos históricos que já estavam previstos e incluídos no projeto.

A reunião se arrastou por horas. Terminou sem mais conflitos.

Não tive participação alguma. Estava ali apenas como um enfeite.

Ao final, seguimos para minha sala. Isabella caminhava ao meu lado, ainda em silêncio.

Assim que a porta se fechou, virei-me para ela. Era hora de me dizer exatamente o que pretendia.

— Isabella, o que você está fazendo aqui?

Ela me encarou sem surpresa.

— Não entendi.

Soltei um suspiro impaciente.

— Você não está trabalhando aqui porque está entediada em casa. O que veio fazer? O que pretende? E por que meu pai não disse uma palavra sobre isso? — Era nisso que pensava enquanto a reunião acontecia.

Ela me observou por alguns segundos, como se organizasse os pensamentos.

— Você se casou comigo para ter mais poder — disse, enfim. — Acho que chegou a hora de conquistar esse poder.

— Do que você está falando? — perguntei, confuso.

— Está na hora de você assumir o controle dentro da empresa. É a melhor forma de acabar com esse terrorismo do seu pai. Destruir o império por dentro. Estou aqui porque posso ajudar nas camadas mais baixas, alianças certas, acordos obscuros… e, claro, chantagem.

Ela falou com uma naturalidade que me chocou. Não tanto pela palavra “chantagem”, mas pela convicção com que a pronunciou. A mulher que meses antes propusera um casamento por conveniência definitivamente não era mais a mesma.

— Você está falando sério…?

— Foi assim com o seu pai.

— Você chantageou meu pai?! — não consegui disfarçar o choque.

— Na verdade, não, um membro do conselho. Mas falei com seu pai e deixei claro que trabalharia aqui.

Era ousado. E tinha funcionado.

Ainda assim, meu pai não era o tipo de homem que aceitava ser encurralado. Uma sensação estranha se instalou no meu peito. Em todas as brigas, desafios e confrontos, eu nunca tivera medo dele. Mas agora era diferente. Isabella estava cruzando uma linha perigosa.

— Isso é loucura. Meu pai pode até ter aceitado, mas não vai deixar barato.

— Não tenho medo.

— Isabella…

— Não, Augusto. Eu não vou ficar em casa, assustada, enquanto ameaçam a minha vida. Já mexeram demais comigo. Você vai ter o que sempre quis desde o início: poder — Ela se aproximou e ajustou a minha gravata — Claro que para isso vamos ter que destruir seu pai.

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