"Isabella"
Com uma semana de trabalho, eu já estava bem adaptada à rotina da empresa e à rotina de Augusto.
Maria ainda me observava com desconfiança, mas consegui, ao menos nesse primeiro período, mostrar que eu era mais do que apenas a mulher do chefe. Estava alinhada com ela, profissionalmente e no dia a dia.
Aos poucos, comecei a conhecer as pessoas pelo nome, a me aproximar dos grupos e a circular entre eles, sempre com atenção às fofocas, principalmente as que envolviam o conselho, claro que todo mundo se fechava quando me aproximava e ninguém em sã consciência fofocaria comigo, o ideal era achar os oportunistas que venderiam informações por dinheiro ou vantagens.
Diana havia me passado alguns nomes importantes, mas eu precisava agir com cautela. Era essencial circular de forma natural, sem parecer alguém em busca de informações. Ainda assim, ao fim da primeira semana, decidi procurar Karina, a secretária de César.
Segundo Diana, Karina era alguém de interesse. Pessoa de confiança de César, que sabia muita coisa. A dúvida era se ela seria digna da minha confiança ou eu da dela, já que nem me conhecia.
Arrumei uma desculpa qualquer e fui até o andar dele. O objetivo era simples, observar a reação dela à minha presença e, se possível, puxar uma conversa rápida.
Mas Karina me surpreendeu.
Assim que me viu, abriu um sorriso espontâneo.
— Você deve ser a Isabella, já te em algumas fotos. Prazer, eu sou a Karina — disse, levantando-se da cadeira e apertando minha mão.
Ela parecia simpática, tinha poucos anos a mais do que eu e uma barriga de grávida já evidente.
— Está gostando de trabalhar aqui?
— Ainda é a primeira semana, estou em fase de adaptação — respondi. — Mas, por enquanto, o trabalho tem sido tranquilo.
Ela riu.
— Eu não conseguiria trabalhar com o meu marido. Com certeza terminaríamos em gritos… e divórcio.
— Por enquanto está tudo bem — devolvi, entrando no clima. — Se surgirem gritos, pelo menos vai ser um espetáculo para o pessoal.
— Aqui o povo já viu de tudo — disse ela. — Estão acostumados com gritos, acontece quando se trabalha em empresa familiar.
Fez uma breve pausa antes de continuar:
— Então… em que posso ajudar? O doutor César avisou que você poderia falar comigo sobre alguma coisa. Não explicou o quê exatamente, mas também não imaginava que você viria trabalhar aqui.
Então ela já esperava por mim. Aquilo confirmava o que Diana dissera, Karina era, de fato, alguém da confiança de César e ele pelo jeito tinha repassado a situação para ela.
— O que ele disse exatamente? — perguntei.
Karina respirou fundo e baixou um pouco a voz, mesmo estando sozinhas na sala dela, e andar todo parecer meio morto e sem movimento.
— Eu sempre soube que o doutor César iria embora um dia. Na minha opinião, ele não volta mais. Não sei se posso confiar em você, mas sei que ele te enviou algumas coisas. Não faço ideia do que pretendia com isso.
Ela fez uma pausa curta.
— Eu gosto do meu emprego. É um bom lugar para trabalhar, tem bons benefícios… — continuou. — Ele sempre manteve um olho no andar do pai, se é que você me entende. Gostava de saber o que se falava por lá. Quando você se casou com o Augusto, foi uma loucura. Depois, todo mundo acabou se acostumando. A questão do contrato do casamento nem foi surpresa por aqui, agora o foco é a debandada dos filhos… e o retorno do Augusto.
Eu quase a interrompi. Não fazia ideia de onde ela queria chegar, mas deixei que continuasse.
— Você confia em mim para falar tudo isso? — Eu tinha chegado a cinco minutos e a mulher não parava de falar.
— Sei que você não tem um bom relacionamento com o chefão — respondeu. — E o doutor disse que você é de confiança, é o suficiente. Lá em cima, as coisas parecem bem… mas estão divididas. A expansão para o mercado internacional, resumidamente, pode ser um tiro no pé. O conselho teme isso. Muitas empresas grandes investem pesado e acabam quase falidas. A confiança anda minguando, com o sumiço do doutor César e a fofoca de que a Diana também não volta depois do acidente. Some isso aos problemas familiares, irmãos brigando, saindo e voltando… é uma loucura.
Karina despejou tudo de uma vez, já me entregava exatamente o que eu precisava saber.
— Você sabe quem é contra a expansão? — Na primeira reunião, tinha notado uma tensão, principalmente depois da pergunta de um dos conselheiros, mas como era meu primeiro dia não tinha dado tanta atenção assim.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido