"Isabella"
Ainda sentia o estômago embrulhado quando parei diante do prédio baixo e cinzento do Centro de Detenção Provisória, eu tinha mandado a minha irmã para aquele lugar, não consegui evitar sentir uma estranha satisfação, finalmente tinha atingido Karen do jeito que ela merecia.
Antes de vê-la, fui revistada. Bolsas, documentos, celular. Tudo entregue, tudo anotado. Um agente conferiu meu nome em uma prancheta, outro explicou as regras com voz automática: nada de contato físico, tempo limitado, qualquer alteração de tom encerraria a visita. Assenti em silêncio. Eu não precisava tocar Karen, não haveria abraços, duvido que nesse ponto existisse ainda algum sentimento entre nós que não fosse raiva e rancor.
O espaço de visitas era pequeno e parecia improvisado, com cadeiras e mesas de plástico. Havia outras mulheres ali, algumas falando baixo, outras chorando. Um agente permanecia encostado na parede, braços cruzados, observando tudo.
Karen entrou escoltada, usando roupas simples demais para alguém que sempre se orgulhou da aparência. Sem maquiagem, sem joias, sem postura. O cabelo preso de qualquer jeito e o rosto com os olhos inchados de choro, deixava a minha irmã com uma expressão decadente. Quando me viu, hesitou antes de sentar, podia ler na expressão da minha irmã que a vontade era de me matar ali mesmo.
— Feliz? — perguntou, com a voz quebrada. — Era isso que você queria? Acabar com a minha vida?
Cruzei as pernas com calma, apoiando os cotovelos na mesa, estavamos mais afastadas, não queria que ouvissem a conversa.
— Não, Karen. Eu não acabei com a sua vida, você mesmo acabou com a sua vida, tudo isso nada mais é do que a consequência dos seus atos, está apenas colhendo o que plantou e vamos ser sinceras, você plantou muita coisa.
Ela respirou fundo, olhando em volta, com nojo e desprezo estampados na cara.
— Você armou tudo… me tirou o meu filho…
— Não se preocupe com o seu filho, tenho certeza que a nossa tia está cuidando dele muito bem.
Ela levou a mão ao peito, tentando conter o choro.
— Ele é um bebê… precisa da mãe…
— Bebês precisam de alguém que não seja retirada do quarto por agentes da policia, que não seja uma mentirosa patologica— respondi, num tom baixo, quase didático. — Bebês precisam de estabilidade e não de visitas marcadas por horário e autorização.
Os olhos dela se encheram de pânico, me olhando como se me visse pela primeira vez. Começou a chorar, mas eu não desviei o olhar, pelo contrário, aproximei um pouco mais.
— Você não é assim…
— Você sempre disse que eu era fraca, ingênua, tonta. Você me ensinou a ser a assim, destruiu cada uma das minha ilusões, o que você esperava? Que eu continuasse a ser a irmãzinha boba para sempre? Achou mesmo que eu ia deixar você livre — Sussurei — Nunca.
Ela apertou as mãos, os nós dos dedos brancos, a angustia era palpável, dessa vez não era fingimento, eu podia ver que aqueles sentimentos eram verdadeiros.
— Nada do que eu fiz é crime. Amar mais. Querer mais…Nunca machuquei ninguém,.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido