"Diana"
Com a felicidade, veio também o medo. O medo de perder tudo.
Alguns dias depois, quando Isabella me mandou uma mensagem avisando que Oliver estava na cidade, tentei manter a calma. Eu não podia passar nervoso, não podia me desestabilizar por causa do bebê, mas era impossível controlar o que sentia. O coração acelerou, as mãos suaram, e a sensação de perigo voltou como um fantasma que eu nunca consegui enterrar de verdade.
A polícia nunca tinha me procurado por causa do acidente. E, sabendo que foi Oliver, não precisei de muito para confirmar o que sempre soube, o nome dele jamais chegaria a uma delegacia. O pai o protegeria de tudo e o meu pai também.
Não esperava nada diferente do meu pai. Ele já tinha cumprido tudo o que prometera: me demitiu, me deserdou, me afastou da família. Ainda assim, doeu saber que ele continuava conversando normalmente com Oliver depois do que ele fez comigo. Aquilo foi mais do que abandono. Foi traição.
Minha mãe continuava omissa, sem se importar com nada, apenas minha avó mantinha contato constante. No fim, ela e Augusto eram a única família de sangue que ainda me restava, já que até o César tinha desaparecido.
— Você acha que ele vai tentar fazer alguma coisa, depois de todo esse tempo? — Ícaro perguntou quando percebeu minha agitação.
— Não sei… espero que não. Que ele vá viver a vida dele, mas eu não confio — respondi, sincera.
— Seu irmão pediu mais um segurança. Tem dois homens perto daqui, de olho em quem entra na rua, se você ver um movimento estranho me liga na hora, ou para a policia.
Pensar em Augusto ainda era estranho. Crescemos em rivalidade. Eu tentei tomar o lugar dele, brigamos, nos acusamos, nunca fomos amigos. E agora ele queria me proteger, tinha ficado genuinamente feliz ao saber que eu esperava um menino.
Ícaro saiu para trabalhar, Val foi para a escola, e eu fiquei sozinha em casa. Já fazia dias que era assim. Sozinha, pensando no futuro, tentando encontrar um caminho. Eu não queria viver à sombra de ninguém, tinha contatos, tinha experiência, poderia abrir minha própria empresa. Não seria fácil, mas era possível. Comecei a trabalhar nisso aos poucos, organizando ideias, planos, possibilidades.
Foi em um desses dias comuns, enquanto eu estava sozinha, que meu pai apareceu.
Ele me pegou completamente desprevenida.
Era nosso primeiro encontro desde o acidente. Ele esperou eu me recuperar, não ter mais uma enfermeira em casa. Queria me encontrar sozinha, entrou sem ser anunciado, subiu direto, abriu a porta se fosse dono de tudo. Nenhum segurança o impediu. Claro que não.
— Então é esse o buraco onde você vai morar? — olhou em volta com nojo. — Realmente, você é uma decepção. Falei para a sua mãe que talvez tenhamos que fazer um teste de DNA. Não é possível que você seja minha filha.
Encarei aquele homem que era meu pai. O homem que me criou, que me ensinou a agir nos negócios, que moldou minha postura profissional… sempre deixando claro que eu era menos que meus irmãos. Que precisava correr mais, provar mais, me esforçar mais. Eu sempre tentando agradar, sempre tentando ser a filha perfeita.
Não era por eu ser mulher. Nunca foi.
Era porque eu era a bastarda. A filha da amante.
Mesmo depois de ele ter se casado com a amante, nada disso fazia sentido. E, olhando para ele ali, entendi que nunca fez. Mais do que isso, entendi que eu não permitiria que ele me dominasse outra vez.
— O que você veio fazer aqui? — perguntei, firme. — Achei que tudo já estivesse resolvido. Estou fora da empresa, sem dinheiro, afastada da família. Faltou alguma coisa?
— E não foi suficiente — ele respondeu, com desprezo. — Sua mãe tinha a missão de colocar juízo na sua cabeça, mas foi incompetente. Perdeu as rédeas da filha. É uma vergonha. Vim ver com meus próprios olhos por que você largou tudo para viver nessa casa, no meio dessa favela.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido