"Diana"
Finalmente tinha chegado o dia de ir ao hospital e me livrar da imobilização, não aguentava mais passar dias inteiros entre o sofá e a cama. Precisava da minha liberdade, precisava voltar a me mover, a sentir que tinha controle sobre o próprio corpo outra vez.
Ícaro deu um jeito de me acompanhar, percebia que, nas últimas semanas, ele vinha trabalhando mais do que o normal. Estava visivelmente cansado, às vezes até estressado, embora sempre disfarçasse e garantisse que estava tudo bem.
Meu objetivo, a partir daquele dia, era simples, voltar a me movimentar, já que estava recuperada, e começar a decidir o que faria da vida.
Trabalho eu não tinha mais. E, apesar de ainda ter algum dinheiro guardado, o suficiente para viver um tempo sem fazer nada, essa definitivamente não era a minha pretensão. Durante aqueles dias percebi o quanto sempre dependi da minha família.
Sem trabalhar na empresa e sem morar sob o mesmo teto do meu pai, seguindo as regras dele, eu não era milionária. Não tinha nada no meu nome. Nada além de um carro, que havia sido destruído no acidente.
No hospital, além de retirar a imobilização, eu também tinha marcado alguns exames. Um deles era o ultrassom. Não avisei o Ícaro, pois queria que fosse uma surpresa. Talvez fosse o dia em que descobriríamos se nosso bebê era um menino ou uma menina e me sentia ansiosa.
Depois que finalmente pude pisar no chão novamente, ainda sentindo a perna estranha e contando com o apoio de Ícaro nos primeiros passos, comentei que ainda tínhamos mais um exame e só quando chegamos no outro bloco do hospital que ele percebeu que era um ultrassom, ficando animado, já eu ficava cada vez mais nervosa para saber se estava tudo bem.
Na sala segurei a mão dele enquanto observava a tela. Dentro de mim havia uma mistura de emoções difícil de explicar. Às vezes eu ainda não acreditava que estava grávida, que teria um filho com Ícaro. Minha barriga já começava a despontar e, sempre que me olhava no espelho, era tomada por uma emoção diferente, imaginando o momento que teria meu bebê nos braços, se ele seria parecido comigo ou com Icaro.
A médica sorriu, interrompendo meus pensamentos.
— Está tudo perfeito… conseguimos ver claramente o sexo do bebê. E vocês estão esperando um menino.
As palavras demoraram a fazer sentido. Um menino. Nosso filho.
As lágrimas vieram antes que eu pudesse impedir. Levei a mão ao ventre, emocionada, mas junto da alegria surgiu também um medo silencioso, quase instintivo. Olhei para o Ícaro e vi a emoção estampada no rosto dele. Ele beijou minha mão com tanto cuidado que quase doeu.
— A Val vai adorar saber que é um irmãozinho — eu disse, sorrindo entre lágrimas. — Ela vai ficar louca.
Valentina me cercava de cuidados desde o início, encantada demais com a ideia de a família aumentar, de ser irmã mais velha e eu me sentia tão apega a ela, que já me sentia mãe dela também.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido