Capítulo 106 — Fantasmas e Homens
Lucas Avery
As coisas entre mim e a Natalie estavam simplesmente perfeitas. A minha loira é perfeita demais, em todos os sentidos possíveis. Mas, nos últimos dias, ela andava visivelmente estressada, irritada e pronta para derrubar São Francisco por conta daqueles acionistas cretinos que, além de não respeitarem o luto pela morte do senhor Theodore, ainda tentaram na calada da noite tomar o que era dela por direito no grupo Weston.
Só que, mesmo diante de todas as rixas históricas entre mim e o Adrian, eu não podia ser desonesto: o meu ex-amigo era um filha da puta extremamente competente. Ele era um excelente negociador e sabia exatamente como conduzir aquele tipo de crise corporativa. Levaram exatos quatro dias para que tudo estivesse perfeitamente resolvido e assinado.
Hoje a Natalie já estava muito mais tranquila, sorridente... Na verdade, ela estava sorridente até demais desde cedo, como se soubesse de algum segredo maravilhoso que eu não fazia ideia. Ela me convidou para comemorar a vitória com ela e os outros no bar e eu aceitei de imediato.
Primeiro porque estava doido para finalmente curtirmos um momento juntos, sem a loucura sufocante de documentos, números e processos; e segundo porque a Vic estaria lá. Desde o funeral do senhor Weston eu não a via.
Meus sentimentos pela Natalie são sólidos como uma rocha, eu não tenho dúvida nenhuma do que sinto por ela. Mas eu ainda gosto muito da Victoria. Ela é minha amiga de anos, e eu gosto genuinamente de tê-la na minha vida.
Cheguei ao bar combinado e de início não vi a Vic por lá, então aproveitei cada segundo para namorar a minha loira. Mas aí tudo aconteceu rápido e de forma avassaladora: a Victoria passou mal, nós corremos todos em pavor para o hospital e a notícia ecoou pelo corredor frio da emergência:
— A Vic está grávida, meu amor! Nós seremos titios! — Natalie me disse com um sorriso radiante no rosto.
Olhei para o Adrian no mesmo segundo e a minha mente disparou mil perguntas que eu queria fazer em voz alta: "Como assim?", "Grávida?", "Por que isso aconteceu tão rápido?". Mas segurei cada uma delas para mim. Fazer aqueles questionamentos ali não iria apenas irritar o Adrian, como também poderia causar uma impressão completamente errada e dolorosa para a Natalie.
Augustus nos sugeriu ir embora para dar espaço ao casal e, no fundo da minha alma, o que eu mais queria era entrar por aquela porta, ver a Victoria com os meus próprios olhos, saber se ela estava realmente bem, dar os parabéns pelo bebê e perguntar para ela se era exatamente aquilo o que ela queria para a vida dela.
Só que toda essa preocupação veio embora comigo dentro do carro.
— Qual é o problema, Lucas? — A voz da Natalie chamou a minha atenção no banco do carona.
Desviei os olhos do trânsito por um breve segundo e encarei a profundeza dos seus olhos verdes.
— Nada, amor... Por quê? — Voltei a minha atenção total para a direção.
— Você está estranho desde que saímos do hospital — ela pontuou.
Natalie apertou o tecido da própria blusa com força entre os dedos, um gesto claro de ansiedade que eu notei de imediato.
— É só preocupação com a Vic, amor. Ela desmaiou, teve aquele sangramento...
Natalie soltou o ar pesadamente pelas narinas e perguntou na lata, sem rodeios.
— É só isso mesmo, Lucas? Ou tem mais alguma coisa rondando a sua cabeça?
— Como assim, Natalie? — Perguntei, franzindo o cenho.
Ela deu de ombros, e eu pude ver uma tristeza velada brilhar no fundo dos seus olhos.
— Tipo o fato de você não ter curtido nem um pouco a notícia de que a Victoria está grávida do meu irmão... Porque, dessa forma, as suas chances com ela ficam cada vez mais distantes.
Parei o carro no sinal vermelho no mesmo milésimo de segundo e a encarei, completamente incrédulo.
— Do que você está falando, meu amor?! Eu não quero absolutamente nada com a Victoria! Eu já te disse isso mil vezes!
— Não é o que parece, Lucas — ela rebateu, a voz falhando ligeiramente. — Você não pareceu nada contente com a notícia do bebê e demonstrou uma preocupação excessiva por ela no corredor.
O sinal abriu no trânsito, voltei a dirigir por alguns metros, mas joguei o carro para o acostamento na mesma hora. Assim que desliguei o motor, soltei o meu cinto de segurança, soltei o dela com pressa e a puxei diretamente para o meu colo no banco do motorista.
— Lucas!! — Ela exclamou, espantada com a minha atitude repentina.
E então eu a beijei. Foi um beijo intenso, faminto e carregado de urgência. A minha língua invadiu a boca dela sem pedir licença, explorando cada canto, sentindo o gosto doce da minha mulher enquanto as minhas mãos seguravam a sua nuca com firmeza e paixão.
Natalie suspirou contra a minha boca, entregando-se ao contato. Quando o beijo finalmente acabou, colei a minha testa na dela, mantendo as nossas respirações descompassadas e unidas.
— Me desculpa, meu amor... Me desculpa se eu te passei a impressão errada no hospital. — acariciei a sua bochecha macia com o meu polegar. — Eu não nego de jeito nenhum que estava com saudades da Vic, que queria muito vê-la e que a notícia do bebê me pegou de surpresa. Mas nada disso tem ou jamais terá qualquer intenção romântica, Natalie! A Vic, a Sara e eu somos amigos. Eu me preocupo com as duas da mesma forma, e eu amo as duas exatamente como amigas.
Ela envolveu os seus braços delicados ao redor do meu pescoço e disse com um sorriso pequeno e contido.
— Eu acredito em você, Lu...
Sorri para ela, balançando a cabeça devagar.
— Não, você definitivamente não acredita 100% ainda, e está tudo bem. O babaca em não saber me expressar corretamente fui eu, e eu mereço essa sua desconfiança momentânea.
Reclinei o meu banco totalmente para trás de uma vez, fazendo com que os nossos corpos deitassem juntos na cabine.
— O que você está fazendo, Lucas?! — Ela perguntou, confusa, olhando ao redor através dos vidros.
— Eu vou me desculpar do jeito certo... E vou te provar de uma vez por todas que só existe uma única mulher na minha vida: você.
A beijei novamente, ajeitando o seu corpo com cuidado por cima do meu.
— Lucas... Alguém pode ver a gente aqui... — ela murmurou entre os meus lábios, a voz já manhosa pelo desejo.
— Nós estamos em um acostamento calmo, os vidros do meu carro têm película escura, está tudo perfeitamente trancado. Nós estamos bem, amor.
Intensifiquei o beijo de imediato. Deslizei as minhas mãos com carinho até as costas dela, puxando a sua blusa de seda para cima. Com delicadeza e tesão, liberei os seus seios fartos do sutiã, abocanhando um dos bicos com a boca quente, fazendo a Natalie arquear o corpo no meu colo e soltar um gemido manhoso que ecoou pelo veículo.

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