Capítulo 108 — Proteção e Refúgio
Henry Reeves
Eu continuei montado sobre o corpo do Samuel, cego de uma fúria brutal. Desferi um, dois, três socos pesados e diretos no rosto daquele desgraçado, sentindo os ossos da minha mão colidirem contra a pele dele. O sangue do moleque espirrou, sujando o chão da sala.
— Henry!! Por favor, para! Para, por favor!! Ele é meu irmão! — Sara implorava aos prantos do outro lado da sala, a voz embargada e desesperada.
Samuel tentava em vão erguer os braços para proteger o rosto ensanguentado, encolhendo-se e chorando de dor.
— Eu juro! Eu juro por Deus que nunca mais encosto a mão na minha irmã! Parar, cara, por favor!
Parei o soco que já estava no ar, os pulmões trabalhando como uma fornalha. Respirei fundo, me virei para a Sara e encarei os seus olhos castanhos transbordando em lágrimas.
— Essa porra... Essa não foi a primeira vez que esse cretino bateu em você, não é, Sara?
Ela começou a chorar de forma ainda mais dolorida e escondeu o rosto entre as mãos, sem conseguir me dar uma resposta verbal. Aquele silêncio quebrou a minha alma.
Me virei de volta para o Samuel. Ele estava sangrando pelo nariz e pelo corte na boca, gemendo e chorando de dor no piso. Segurei o colarinho da camiseta dele, sacudindo-o com violência.
— Quantas vezes você já bateu na minha mulher, seu covarde?! Me responde!
O garoto permaneceu quieto, tentando desviar o olhar do meu.
— RESPONDE, PORRA!! — Berrei a centímetros do rosto dele, a voz ecoando pelas paredes do apartamento.
O garoto soltou o ar em um soluço assustado.
— Eu... Eu perco o controle quando fico muito irritado, tá legal?! Ela sempre nega me dar dinheiro e eu preciso pagar os caras da rua! Se eu não pagar essa dívida, os caras vão me matar!
Puxei o rosto dele ainda mais para perto, num aperto mortal em sua camiseta o sufocando levemente.
— Deixa eu ver se entendi o seu raciocínio de merda: você extorque a minha mulher, agride ela fisicamente, tudo isso só para manter a porra do seu vício nojento?! É isso mesmo, seu cretino?!
— Me desculpa! Por favor, me desculpa! — Ele chorava, implorando.
Me levantei num pulo, arrastei o Samuel pelo colarinho como se ele fosse um saco de lixo e o joguei para fora da porta do apartamento. O garoto ficou caído no corredor do prédio, tentando estancar o sangue do nariz.
— Henry... Por favor... Eu preciso de grana, cara! Eu não posso ir pra rua sem a grana! — Ele insistia.
Puxei a minha carteira de couro do bolso, tirei um maço de notas de cem dólares sem nem contar e joguei direto na cara dele no corredor. O garoto avançou no chão para pegar as notas em desespero.
— Pega essa merda toda e some da minha frente antes que eu termine o que comecei, ou eu chame a polícia para que eles façam o trabalho por mim. — ordenei de forma seca.
Bati a porta de madeira com um baque surdo que fez a estrutura tremer.
Quando me virei de volta para o interior da sala, vi a Sara encolhida perto do sofá. Ela estava visivelmente machucada, chorando em um desespero profundo. Tentei dar alguns passos na direção dela para acolhê-la, mas no mesmo segundo ela deu um passo para trás.
— Me desculpa... Me desculpa por tudo isso, Henry... Mas você não devia ter batido no meu irmão desse jeito... E... É melhor você ir embora agora, por favor.
Tentei me aproximar novamente, os meus braços abertos para dar apoio, mas ela recuou mais uma vez, o olhar machucado.
— Por favor, Henry... Eu estou com muita vergonha de você agora... E eu prometo do fundo do meu coração que vou te devolver cada centavo daquele dinheiro...
Ela voltou a chorar cobrindo o rosto. Eu não resisti àquela dor. Avancei sem pedir licença e enrosquei os meus braços fortes ao redor do corpo dela, puxando-a com firmeza contra o meu peito.
Sara tentou se desvencilhar do abraço, empurrando o meu peito de leve.
— Não, Henry... Por favor...
— Eu não vou te soltar, Sara. Não vou te soltar nunca mais nesta vida. — declarei com a voz firme.
— Não fala essas coisas... Por favor, não fala... — ela pediu entre soluços.
Afastei nossos corpos só para ver seu rosto.
— Eu estou dizendo a mais pura verdade, Sarinha.

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