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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 117

Capítulo 117 — O Pavor da Perda

Adrian Foley

Saí do nosso quarto no puro impulso da irritação, os meus passos ecoando pesados pelo corredor silencioso do andar superior da mansão. Sem sequer planejar para onde estava indo, acabei parando em frente à antiga porta do quarto que um dia pertenceu aos meus pais.

Girei a maçaneta e entrei. Caminhei direto até a grande cama de casal centralizada no cômodo, me deitei de costas sobre a colcha e fiquei encarando o grande quadro pintado a óleo que ficava pendurado bem na parede da frente.

A minha mente viajou no tempo. Relembrei a minha infância feliz nesta mesma casa, o tempo em que o Lucas e eu éramos praticamente inseparáveis como irmãos, a imagem da Natalie tão pequena, indefesa e frágil no dia em que o atentado covarde levou os nossos pais... E, logo em seguida, a lembrança do medo irracional que se enraizou profundamente dentro da minha alma a partir daquele dia.

O pavor de perder. O medo doentio de me apegar a alguém e, no final de tudo... Perder. Como perdi a minha avó, como perdi os meus pais, como perdi o meu padrinho Theodore... Como perdi o Lucas.

Fechei os meus olhos com força no silêncio do quarto e senti uma única lágrima quente escorrer pela lateral do meu rosto. A Victoria acreditava do fundo do peito que eu queria sempre controlar tudo à minha volta de forma tirânica, mas a verdade nua e crua é que tudo o que envolve aquela mulher eu simplesmente não consigo controlar.

E é exatamente isso o que mais me irrita. Porque, no final das contas, sou eu quem é completamente controlado por ela, e não o contrário.

Mas dessa vez eu não iria ceder. A vida dela e a do meu filho valiam infinitamente mais do que qualquer discussão de casal.

Puxei o celular do bolso da calça de moletom e disquei para o Henry. O meu melhor amigo atendeu no terceiro toque, a voz transparecendo um nítido tom de sono recente.

— Por favor, não me diz que você precisa de café. Juro, eu nem tomei o meu ainda. — sorri para o deboche do meu amigo.

— Bom dia pra você também. — respondi.

— Bom dia, cara. Agora me diz, o que aconteceu?

Soltei o ar pesadamente, ajeitando a cabeça no travesseiro.

— Aconteceu muita coisa…

— Então começa a falar. O que foi?

Respirei fundo e decidi contar tudo de uma vez. Falei sobre o diagnóstico delicado do Descolamento Coriônico da Vic, sobre a bronca do médico a respeito da pressão baixa e da necessidade de repouso absoluto e sem estresse, e, por fim, sobre a nossa briga feia no quarto há poucos minutos por causa do meu afastamento dela da filial.

Henry ouviu tudo em silêncio absoluto do outro lado da linha e, quando terminei de falar, soltou um suspiro profundo.

— Cara... Eu nem sei o que te dizer sobre o diagnóstico. Acho que só consigo falar que estamos com vocês, e que vai dar tudo certo.

— Obrigado irmão.

— Agora em relação à discussão com a Vic... — ele começou. — Eu entendo perfeitamente o seu desespero em querer proteger os dois, Ade. Você é um cara prático e quer blindar a sua mulher de qualquer risco. Só que você precisa lembrar que a Vic não é um funcionário da holding que você simplesmente demite ou dá uma ordem direta. Ela é a sua esposa. Ela quer sentir que tem voz nas decisões da própria vida. Você precisa aprender a dosar essa sua mania de controle, meu amigo. Você já teve inúmeras provas de que com a sua mulher as coisas não funcionam assim.

Soltei o ar pelas narinas, absorvendo o conselho sincero do Henry.

— Eu sei disso, Henry. Mesmo tentando negar, eu sei disso. Vou conversar com ela mais tarde, e tentar me entender com ela.

— Faça isso meu amigo, lembra sempre que a Victoria é a sua versão feminina. Lide com ela, como gostaria que ela lidasse com você.

Sorri para a lógica do meu amigo. Em seguida, busquei retomar a minha postura profissional de sempre ao me lembrar do compromisso corporativo da noite.

— Obrigado Henry, agora mudando de assunto. Me diz quais são as minhas reais chances de cancelar a nossa presença naquela festa da filial hoje à noite?

— Nulas, Ade — Henry respondeu sem hesitar. — A imprensa inteira de São Francisco já confirmou presença, os investidores da holding já estão na cidade e o anúncio de que nós assumimos o controle oficial da empresa precisa acontecer hoje. Se você não aparecer, as ações despencam antes de segunda-feira.

— Porra... Eu definitivamente não queria expor a Victoria a esse tipo de evento social hoje, Henry. Ela acabou de sair de um hospital.

— Eu te entendo Ade, mas infelizmente não dá. Mas vamos fazer assim — Henry sugeriu com a sua calma habitual. — Nós organizamos o cronograma do evento para que tudo aconteça logo no início da festa. Assim que a recepção abrir, você sobe ao palco, faz o discurso de abertura anunciando que a Holding Foley assumiu a empresa, revela que se casou e apresenta a Victoria oficialmente como sua esposa para a sociedade. Logo em seguida, você tira a Vic de lá e vai embora com ela. O Augustus, a diretoria e eu seguramos todas as pontas no bar e com a imprensa pelo resto da noite. Se alguém perguntar pela saída precoce de vocês, nós justificamos dizendo que a senhora Foley precisava descansar por recomendações médicas.

— Excelente — concordei de imediato. — Mas, por enquanto, eu não quero revelar para a imprensa nem para os acionistas que ela está grávida. Vamos comunicar uma coisa de cada vez. Primeiro nós anunciamos o nosso casamento civil e confirmamos que a cerimônia religiosa será no próximo mês. A novidade do bebê nós revelamos ao mercado só depois da festa do casamento.

— Como você quiser, Ade. A comemoração é sua — Henry respondeu.

Ajustamos mais alguns detalhes operacionais para a logística da noite, até que uma outra realidade amarga me atingiu na memória. A mensagem que recebi do Lucas voltou à minha cabeça.

— Henry... A Diana está de volta a São Francisco — confessei, a voz descendo para um tom gélido.

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