Capítulo 119 — Festa e papel passado
Victoria Clark
Abri os meus olhos devagar, sentindo a claridade suave que invadia o quarto. A primeira coisa que vi foi o rosto do Adrian, repousando a poucos centímetros do meu, dormindo em um sono profundo.
Fiquei ali parada por alguns minutos inteiros, apenas o admirando em silêncio. Um aperto de culpa mansa atingiu o meu peito ao me lembrar da discussão que tivemos mais cedo; ver as marcas de cansaço no rosto dele me fez ter a dimensão exata de tudo o que ele estava carregando nas costas para nos proteger.
Passei a ponta do meu indicador pela pele dele, contornando a linha do maxilar firme, subindo pela bochecha até a curva da sobrancelha. Vi os seus cílios longos se moverem devagar e um sorriso involuntário surgiu nos meus lábios.
Sem sequer abrir aqueles olhos azuis, Adrian sussurrou com a voz rouca de sono.
— Parece que alguém não está mais brava comigo...
Inclinei o meu corpo e desci os meus lábios até os dele, selando a nossa boca em um beijo lento, doce e calmo. Aos poucos, a calmaria foi dando lugar a uma necessidade mais profunda. A língua dele buscou a minha com um desejo contido, as mãos grandes descendo pelas minhas costas até a minha cintura.
Senti quando ele travou os movimentos por um milésimo de segundo, o corpo enrijecendo levemente sobre o colchão.
— Vic... O médico disse que... — ele começou a murmurar contra os meus lábios, a preocupação transparecendo no tom de voz.
— Não vai acontecer nada, amor — cortei o receio dele, olhando bem no fundo dos seus olhos que agora me encaravam. — Eu sei exatamente até onde nós podemos ir. Nós não precisamos ir até o final, só precisamos matar essa saudade maluca que está nos sufocando há dias. Confia em mim.
Adrian soltou o ar pesadamente, os olhos azuis pegando fogo. Ele me puxou para baixo do seu corpo largo com um cuidado extremo, evitando colocar qualquer peso sobre a minha barriga.
Sua boca desceu pelo meu pescoço em beijos quentes e famintos, arrancando os meus primeiros suspiros abafados. Ele levou a mão por baixo do tecido leve da minha camisola, deslizando os dedos com calma pelas minhas coxas até alcançar o meu centro.
O toque era suave, ritmado e preciso. Ele começou a me acariciar por cima da calcinha molhada, fazendo o meu corpo arquear de leve no colchão.
— Adrian... — gemi baixo, cravando as unhas nos ombros musculosos dele.
Ele puxou a peça de renda para o lado sem pressa e substituiu o toque dos dedos pela sua boca quente. O impacto da língua dele no meu ponto mais sensível fez a minha respiração travar por completo.
Adrian começou a me lamber com uma lentidão torturante, alternando sucções leves com movimentos mais firmes, dominando cada reação do meu corpo. Os meus gemidos manhosos começaram a ecoar pelo quarto enquanto a pressão gostosa ia se acumulando no baixo ventre.
Aumentando o ritmo no momento exato, ele me levou direto ao topo, fazendo o meu corpo inteiro estremecer em um orgasmo delicioso e controlado nos seus braços.
Antes que ele pudesse se erguer completamente, eu o puxei pela calça de moletom azul, fazendo-o deitar de costas na cama.
— Minha vez... — murmurei com um sorriso provocativo.
Me ajoelhei entre as pernas dele, puxei o moletom e a cueca para baixo de uma só vez, libertando o seu membro ereto e pulsante. Levei as mãos às suas coxas firmes e desci a minha boca até a cabeça dele, envolvendo-o com a cavidade quente da minha garganta.
— Porra, Victoria... — Adrian urrou baixo, jogando a cabeça para trás no travesseiro, as mãos cravando no lençol.
Comecei a chupá-lo com vontade, deslizando a minha boca por toda a extensão da sua rigidez, usando a língua para intensificar cada movimento. Sentir o sabor dele e ver o grande CEO de Ferro totalmente entregue e sem controle nas minhas mãos era a visão mais erótica do mundo.
O ritmo do meu movimento foi ficando mais rápido, e não demorou para que os quadris dele começassem a se elevar da cama em busca do aperto da minha boca.
— Eu não vou aguentar segurar, Vic... Eu vou gozar — ele avisou em um tom rouco e desesperado, tentando segurar os meus ombros para me afastar.
Segurei os pulsos dele contra o colchão, olhando de baixo para cima, e murmurei sem soltá-lo.
— Pode ir, amor...
Adrian soltou um gemido grave e profundo, perdendo o resto de sanidade que lhe sobrava. Ele se esvaziou por completo na minha boca em jorros quentes. Mantive o contato até o último segundo e engoli tudo sem hesitar, limpando os lábios com a ponta da língua.
Subi o meu corpo devagar sobre o dele, distribuindo beijos pelo seu peito largo, subindo pelo pescoço até alcançar a sua boca novamente, selando os nossos lábios em um beijo profundo e satisfeito.
Quando nos separamos em busca de ar, Adrian me encarou com os olhos entreabertos, um sorriso de canto desacreditado surgindo no seu rosto perfeito.
— Você está ficando perigosamente ousada, senhora Foley...
Gargalhei baixo contra o peito dele.

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