Capítulo 120 — A Senhora Foley
Adrian Foley
Eu ainda estava em choque absoluto com o que tinha acabado de ouvir. Como assim o meu avô vai se casar?! E com a tia da minha mulher?! O que diabos esse velho andou aprontando durante todas aquelas "visitas de cortesia" ao hospital?
Eu um completo idiota imaginando que ele estivesse apenas sendo um cavalheiro gentil por consideração à Victoria, e o velho estava simplesmente articulando um noivado na calada da noite!
— Parem de ficar me encarando com essa cara de bocós e venham sentar logo de uma vez antes que a comida esfrie! — meu avô ordenou com a sua voz forte costumeira, puxando a cadeira para a tia Marie como um verdadeiro cavalheiro.
Nos acomodamos ao redor da grande mesa de jantar. O clima que se estabeleceu foi incrivelmente leve. A tia Marie não parava um segundo de checar a Victoria, querendo garantir que a sobrinha estivesse se alimentando bem, enchendo o prato dela com as melhores opções e perguntando a cada cinco minutos se ela sentia alguma dor ou enjoos.
Ao mesmo tempo, a troca de farpas divertidas entre o meu avô e a Marie continuou durante todo o almoço, com os dois se provocando e divergindo sobre absolutamente tudo.
Me aproximei do ouvido da minha mulher e sussurrei baixinho, sentindo o cheiro doce da pele dela:
— Prevejo exatamente o nosso futuro daqui a alguns anos, senhora Foley...
Victoria soltou uma risada baixa e gostosa, inclinando a cabeça no meu ombro.
— Então seremos incríveis e extremamente felizes. Olha só que lindos, ela provoca, ele retruca e depois de dois minutos estão se acariciando.
Não resisti e dei uma gargalhada na mesa, chamando a atenção do casal terceira idade. Levantei a mão em rendição e deixei eles voltarem a discussão.
Depois daquele almoço memorável, passamos uma tarde incrivelmente tranquila na mansão. A Victoria descansou bastante, respeitando a medicação, e o clima de paz que eu tanto desejava para ela finalmente se fez presente.
Quando a noite começou a cair, todos nós subimos para os nossos respectivos quartos para nos preparar para o evento da filial. Saí do banheiro com a toalha enrolada na cintura, secando os cabelos com outra, quando travei no meio do quarto ao ver a minha mulher parada em frente ao espelho.
A minha respiração trancou na garganta no mesmo milésimo de segundo.
Victoria estava usando um vestido longo de seda azul-noturno. O tecido se moldava com uma perfeição indecente às curvas do corpo dela, desenhando o quadril largo e a cintura fina de um jeito que devia ser proibido por lei.
O decote profundo valorizava o colo e os seios fartos, mas o verdadeiro perigo estava na fenda lateral ousada que subia até a metade da coxa, revelando aquelas pernas maravilhosas.
O meu ciúme possessivo e territorialista acendeu um alerta vermelho instantâneo dentro do meu peito.
— Victoria... Que porra de vestido é esse?! — perguntei, fechando a cara e dando dois passos na direção dela.
Ela se virou no salto alto, me encarando através do espelho com um sorriso sapeca e vitorioso nos lábios.
— É o meu vestido para a festa da sua filial, senhor Foley. Gostou?
— Se eu gostei?! Você está parecendo uma tentação ambulante! — esbravejei, aproximando-me e segurando a cintura dela com firmeza. — Essa fenda é grande demais! Esse decote está mostrando o que só pertence a mim! Você vai colocar um casaco bem pesado por cima disso agora mesmo!
Victoria gargalhou alto no meio do quarto, adorando a minha crise explícita de ciúmes, e passou os braços ao redor do meu pescoço.
— Isso é zelo ou ciúmes? — perguntou me provocando.
— Ciúmes!! — respondi irritado. — E dos grandes.
— Deixa de ser um homem Das Cavernas, Adrian! Eu fiquei os últimos dias penando até achar um vestido que eu gostasse. E esse aqui, eu amei. — ela se afastou para me dar a visão perfeita dela. A puxei de volta.
— Eu gosto de você assim para mim no quarto, não para um bando de acionistas idiotas ficarem babando no salão! — reclinei a minha cabeça e selei os lábios dela em um beijo faminto e possessivo, colando o corpo dela contra o meu peito nu até sentir que a minha autoridade estava devidamente restabelecida.
Quando nos separamos do beijo, arfantes, Victoria segurou o meu rosto entre as mãos e deu um selinho carinhoso.
— Eu sou inteiramente sua, Ade... Hoje e sempre. Agora vai vestir o seu terno para não nos atrasarmos.
Terminamos de nos arrumar e nos encontramos no hall de entrada. O vovô Victor decidiu ir em um carro separado com a tia Marie, prevenindo que, caso ela se cansasse mais cedo da movimentação da festa, eles pudessem retornar à mansão sem interferir no nosso cronograma.
Joshua nos conduziu no carro principal. Acomodado no banco traseiro com a mão da Victoria firmemente entrelaçada na minha, decidi alinhar os detalhes com ela.
— Eu já conversei com o Henry mais cedo e nós definimos a estratégia da noite, Vic — expliquei, a voz séria. — Assim que nós chegarmos, fazemos uma social rápida de vinte minutos, ou um pouco mais. Depois eu vou subir ao palco para fazer a apresentação formal de que a Holding Foley assumiu o controle da empresa. Em seguida, vou te apresentar oficialmente à imprensa e aos acionistas como a minha esposa. Acabando vamos embora imediatamente para casa. O Henry, o Augustus e a diretoria vão conduzir o evento no meu lugar.
Victoria me encarou por alguns segundos e, para a minha absoluta surpresa, respondeu com total calma.

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