Capítulo 121 — A Armadilha nas Sombras
Adrian Foley
Caminhei até o palco principal mantendo a minha mão espalmada com firmeza na cintura da Victoria. O peso suave do corpo dela contra o meu era a minha única ancoragem no meio de tudo aquilo.
Puxei o microfone, fiz um discurso breve, direto e preciso, anunciando que a Holding Foley havia assumido oficialmente o controle da empresa. Em seguida, com o peito estufado de orgulho, apresentei-a oficialmente como a senhora Foley.
Para alguns dos grandes investidores no salão não foi uma surpresa, pois eu já os tinha cumprimentado pessoalmente minutos antes, mas para a grande maioria da imprensa e dos convidados, a notícia caiu como uma verdadeira bomba.
Encerrei as minhas breves palavras sob uma salva de palmas e desci os degraus do palco com a minha mulher ao meu lado.
Inclinei o rosto e sussurrei bem no ouvido dela, sentindo o seu perfume que eu adorava.
— Só mais alguns minutos de cumprimentos, meu amor, e nós poderemos ir embora para a mansão.
Victoria sorriu, assentindo devagar. O vovô Victor e a tia Marie se aproximaram da gente logo em seguida.
— Nós já estamos indo embora, meu garoto — o meu avô avisou, ajeitando o terno. — A Marie precisa descansar e esse falatório todo já deu o que tinha que dar.
— Falta muito pouco por aqui também, vovô — respondi, tranquilizando-o. — Nós já estamos indo logo atrás de vocês.
Eles se despediram com carinho. Assim que os dois se afastaram pelo salão, Victoria se virou para mim:
— Amor, eu preciso ir ao banheiro rapidinho.
Fiz um sinal discreto com a cabeça para o Henry e a Sara, que estavam a poucos metros. Os dois se aproximaram no mesmo instante.
— Sara, você pode acompanhar a Vic ao banheiro, por favor? — pedi.
— Claro, Ade! Vamos lá, Vic — Sara concordou de imediato.
Puxei a minha mulher pela cintura para um beijo rápido.
— Vou ficar te esperando bem aqui, amor. Não demora.
— Não vou demorar — ela assentiu, sorrindo, e seguiu com a Sara em direção ao corredor privativo.
Poucos segundos depois que elas saíram, um garçom jovem vestindo o uniforme do hotel se aproximou da minha mesa, carregando uma bandeja de prata com taças de champanhe e copos de uísque.
— Aceita um drink para comemorar o anúncio, senhor Foley?
— Não, obrigado. Eu não estou bebendo hoje — respondi de forma seca.
O homem não se afastou. Começou a puxar uma conversa totalmente aleatória e sem sentido sobre a festa e insistiu de forma estranhamente persistente.
— Por favor, senhor Foley, é o uísque da reserva especial da casa. Uma dose de cortesia para o dono do evento não faz mal a ninguém.
Franzi o cenho, achando a postura daquele funcionário extremamente inconveniente. Olhei de relance para o Henry, que fez um sinal leve com a cabeça, sugerindo que eu pegasse logo a taça apenas para dispensar o sujeito e encerrar o assunto.
Peguei o copo de uísque com gelo, virei o líquido de uma só vez na garganta e devolvi o copo vazio para a bandeja. O garçom deu um sorriso esquisito, acenou com a cabeça e se retirou rapidamente entre a multidão.
Alguns minutos se passaram. Olhei para o relógio de pulso e a preocupação começou a apitar no meu peito.
— A Victoria está demorando demais no banheiro, Henry. Eu vou atrás dela — falei, dando um passo à frente.
Antes que eu pudesse caminhar, um acionista importante da antiga diretoria parou na minha frente, estendendo a mão para me parabenizar pelo casamento.
— Pode ir conversar com o homem, Ade — Henry disse rapidamente ao meu lado. — Eu vou atrás das meninas no corredor e trago a Vic para você.
— Obrigado, Henry — agradeci com um aceno de cabeça.
Enquanto conversava com o investidor, um calor absurdo e repentino começou a subir pelo meu pescoço. Senti as minhas têmporas pulsarem com força e a minha visão falhou por um milésimo de segundo, como se o salão estivesse rodando. O ar no meu peito ficou pesado.
— Com licença... Preciso de um minuto — murmurei para o acionista, cortando a conversa no meio.
Tentei caminhar a passos firmes em direção ao corredor dos banheiros. As minhas pernas pareciam pesadas, de chumbo. Ao longe, através da névoa que começava a cobrir a minha visão, vi o Augustus e o Willian conversando perto de uma coluna.
Os meus olhos encontraram os do Willian por um segundo; eu tentei erguer a mão para pedir ajuda, mas não sabia se ele tinha entendido o meu desespero.
De repente, senti braços finos e firmes se enroscarem ao redor da minha cintura, sustentando o meu peso.
— Eu te ajudo, meu amor... Vem comigo — uma voz feminina sussurrou perto do meu ouvido.

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