Capítulo 122 — Irmãos de Sangue
Lucas Avery
Não voltei a falar com o Adrian sobre o retorno da Diana, e ela também não me mandou mais nenhuma mensagem de texto desde ontem a noite. O que, tratando-se daquela mulher dissimulada, é infinitamente mais perigoso do que quando ela resolve fazer barulho.
A Natalie percebeu de imediato que havia algo estranho martelando na minha cabeça; a minha garota me conhece bem demais. Pensei em contar tudo para ela, mas achei melhor deixar rolar por enquanto. Ver até onde a cretina da Diana tem coragem de ir e evitar ao máximo dar palco antecipado para as armações dela.
Hoje era a noite da grande festa da empresa assumida pela Holding Foley. A Natalie insistiu para que fôssemos juntos.
— Você sabe perfeitamente que o seu irmão vai odiar me ver lá com você, não sabe, amor?
Natalie deu de ombros com total desdém, como quem não ligava a mínima para a opinião alheia do Adrian.
Encarei a minha mulher por alguns segundos e, pela décima vez desde que saímos de casa, desci os olhos devagar por todo o comprimento daquele vestido deslumbrante. A minha loira estava surreal de linda, elegante e gostosa pra caralho.
Eu nunca fui um cara excessivamente ciumento. Sempre achei que ciúme possessivo era coisa de homem inseguro e com problemas de autoestima. Mas, porra... A minha mulher vestida daquele jeito chamaria a atenção até das estátuas de mármore do evento, imagina a dos homens babando pelo salão.
— Amor, eu preciso muito te dizer uma coisa — comecei, enquanto ela se virava no banco do carona para me encarar. — Eu estou amando e odiando esse seu vestido ao mesmo tempo.
Ela olhou para mim, depois baixou os olhos para a própria roupa, totalmente confusa.
— Por quê, Lucas?
Parei o carro no sinal vermelho, estiquei o braço e a puxei com firmeza pela nuca, deixando as nossas bocas a meros centímetros de distância.
— Porque você está bonita pra caralho. E quando eu digo bonita pra caralho, é pra caralho mesmo!
Me senti um completo idiota admitindo aquilo em voz alta, mas era exatamente o que estava queimando no meu peito.
Natalie arqueou uma sobrancelha para mim, um sorriso provocativo surgindo nos lábios.
— Você está com ciúmes, Lucas Avery?
— Eu estou com ciúmes e muito! Eu estou surtando por dentro de verdade, e eu nunca senti essa merda na minha vida toda.
Ela riu baixo e me deu um selinho demorado. O sinal abriu e voltei a minha atenção para a direção.
— Lu... Você acha mesmo que se outro homem do mundo inteiro me olhar eu vou me importar? Eu esperei anos para ter você comigo, amor. Não é qualquer idiota que consegue ocupar o seu posto. Pode ficar perfeitamente tranquilo.
Ela depositou um beijo carinhoso na minha bochecha e eu coloquei a minha mão espalmada na coxa dela de forma possessiva.
Chegamos ao evento, assim que descemos do carro, grudei a minha mão na cintura da Natalie, deixando claro para qualquer um que cruzasse o nosso caminho que aquela mulher tinha dono.
Merda!, me xinguei mentalmente. Eu estou virando a porra de um homem das cavernas ciumento igualzinho ao Adrian.
Caminhamos juntos pela entrada principal e fomos informados pela recepção de que o Adrian já havia feito o discurso oficial de abertura no palco.
— Queria tanto ter visto a cara do Ade anunciando para todo mundo que a Vic é a esposa dele — Natalie comentou em tom decepcionado.
Inclinei o rosto e beijei a têmpora dela.
— O mais importante é que a farsa daquele contrato acabou de uma vez, amor.
Ela sorriu para mim, entrelaçando os nossos dedos.
— Vamos procurar por ele, quero dar os parabéns ao casal.
Assenti com a cabeça e começamos a circular pelo salão lotado. No meio do caminho, um casal de investidores conhecidos abordou a Natalie e começou uma conversa animada com ela.
Como eu não os conhecia, fiquei ligeiramente alheio ao assunto, varrendo os olhos com atenção por todo o ambiente.
Foi exatamente nesse momento que a minha visão travou.
O Adrian estava encostado perto de uma parede lateral que dava acesso ao corredor de serviço. Ele parecia atordoado, com os movimentos lentos e nitidamente passando mal. Tirei a mão da cintura da Natalie no mesmo instante e foquei toda a minha atenção nele.
Vi uma mulher se aproximar sorrateira, passar os braços pela cintura dele e começar a conduzi-lo para o corredor privativo.
Aquele cretino está saindo com outra mulher aqui na festa?! Assim, na cara de todo mundo?!, o pensamento veio carregado de uma fúria instantânea pela Victoria.
Comecei a dar passos largos na direção deles e foi então que percebi a gravidade da cena: um garçom se aproximou e começou a ajudar a mulher a carregar o Adrian pelo corredor. O meu ex-amigo estava praticamente desacordado, sendo arrastado como um fardo por aqueles dois.
Apertei o passo e senti uma mão firme fechar no meu antebraço. Quando me virei rápido, dei de cara com o Willian.
— Will, o que foi?
Ele me olhou com seriedade e apontou discretamente com o queixo na direção do corredor.
— Aquilo ali na frente... Vai dar uma merda colossal!
Entendi o recado no mesmo segundo. Nós dois começamos a andar rápido, cortando a multidão sem chamar a atenção dos outros convidados.
O meu celular começou a vibrar no bolso; olhei de relance para o visor e vi o nome da Natalie brilhando na tela. Não atendi, silenciei o aparelho e segui com o Will direto para o hall dos elevadores privativos.
Chegamos tarde demais. A porta de aço acabava de se fechar.
— Para onde será que eles foram? — Willian me perguntou, ofegante.
— Para os quartos do hotel, eu conheço a estrutura deste prédio — respondi na hora.

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