Capítulo 124 — Vaca Atolada
Victoria Clark
A sensação de finalmente ser apresentada perante toda a elite de São Francisco como a senhora Foley ainda aquecia o meu peito de uma forma linda. Estar ao lado do Adrian, ver a forma como ele me olhava com devoção e me tratava com tanto cuidado só me fazia ter a certeza de que eu o amava mais a cada dia.
Mas eu precisei ir ao banheiro e acabei deixando o meu marido sozinho por alguns instantes no meio daquele salão lotado.
A Sara e eu fomos rápidas, mas na saída do corredor fomos interceptadas por uma funcionária da filial. A garota começou a falar sem parar, dizendo que já desconfiava do nosso relacionamento há tempos, dando parabéns pelo casamento e contando, aos risos, que as outras funcionárias estavam em choque com a notícia e se mordendo de inveja.
Eu e a Sara acabamos nos envolvendo na conversa bem-humorada por alguns minutos, até que o Henry apareceu com passos apressados.
— Meninas, vamos voltar? O Adrian já estava começando a ficar preocupado com a sua demora, Vic.
— Vamos sim, Henry — respondi, sorrindo.
Nos despedimos da moça e seguimos com o Henry até o ponto do salão onde tínhamos deixado o meu marido, mas o espaço estava vazio. Olhamos ao redor, varremos o salão com os olhos e nada.
Perguntamos a alguns garçons, aos funcionários da recepção e até a dois acionistas que tinham acabado de falar com ele, mas ninguém fazia ideia de onde o Adrian tinha ido parar.
O celular do Henry começou a vibrar. Ele pediu licença e se afastou no mesmo segundo em que o Augustus e a Natalie se aproximaram da gente, perguntando se tínhamos visto o Willian e o Lucas, que também tinham sumido da festa.
Uma pontada estranha de intuição me alertou de que havia algo muito errado acontecendo. Sem que ninguém percebesse, dei a volta por trás de uma coluna e segui o Henry, que falava em tom baixo e tenso com o chefe de segurança particular.
— Preciso que tudo aconteça de forma extremamente discreta. É no oitavo andar, quarto 804. O Adrian está lá e a mulher também.
O meu sangue ferveu na mesma fração de segundo. Dei um passo à frente, parando diante do Henry.
— Como é que é a história, Henry?!
O meu amigo virou o rosto para mim com os olhos arregalados de pavor.
— Vic, calma! Não é absolutamente nada do que você está pensando...
Eu nem esperei ele terminar a frase. A fúria tomou conta de cada fibra do meu corpo. Dei meia-volta em passos firmes e ríspidos em direção aos elevadores privativos. O Henry e o segurança vieram correndo logo atrás de mim, mas assim que a porta metálica se abriu, entrei de uma vez, apertei o número oito e metralhei o botão de fechar.
Henry esticou o braço tentando alcançar a porta, mas as folhas de aço se fecharam na cara dele.
Apoiei as costas na parede do elevador enquanto a cabine subia.
— Respira, Victoria. Respira fundo. Pensa no bebê. Foca só no seu filho... E não na vontade incontrolável que você está sentindo de matar o pai dele agora mesmo.
Fui repetindo aquelas palavras como um mantra até que a campainha soou e as portas se abriram no oitavo andar. Saí em passos duros pelo corredor, procurando os números até encontrar a placa 804. Bati com força na madeira, esperando que uma vadia qualquer ou o próprio Adrian abrisse para que eu pudesse voar no pescoço de quem quer que fosse.
Mas a porta foi aberta pelo Lucas Avery.
Aquilo me deixou ainda mais cega de raiva. Até o Lucas estava ali, no meio daquela merda toda, acobertando o cretino do meu marido! Empurrei a porta e passei por ele como um furacão.
No entanto, assim que pisei no centro do quarto, o cenário diante dos meus olhos desmontou todas as minhas suposições. O Adrian estava largado de costas na cama, imóvel e pálido como um cadáver, sob um lençol jogado.
Do jeito que ele estava apagado ali, ou o meu marido tinha virado um coelho hiperativo que desmaiou de cansaço após a transa, ou ele tinha sido pesadamente dopado.
E bem ao lado da cama, presa pelos braços pelo Willian, estava a Mallory, vestindo apenas uma lingerie preta vulgar.
Todo o meu estresse evaporou, dando lugar a uma frieza cirúrgica. Curvei os lábios num sorriso que fez até o Lucas dar um passo atrás. Caminhei a passos lentos e firmes na direção daquela mulher, parando a centímetros do seu rosto.
— Você não aprende mesmo, não é, sua vaca? Está com tanta vontade assim de ser comida? Pois pode deixar... Hoje eu vou fazer de você um prato bem apetitoso. Um prato que é extremamente famoso lá no Brasil.
Em um movimento rápido e certeiro, enfiei a minha mão nos cabelos compridos dela e puxei com força para trás, fazendo-a soltar um grito agudo de dor.
— Sabe como é que se chama esse prato, queridinha? Vaca atolada. E hoje eu vou fazer questão de te atolar até a porra do pescoço!
Willian continuou segurando a mulher com firmeza pelas costas enquanto eu descarregava toda a minha fúria reprimida com t***s e puxões firmes.
— ME SOLTA! SUA LOUCA! EU VOU TE PROCESSAR POR AGRESSÃO! EU VOU ACABAR COM VOCÊ NA JUSTIÇA! — Mallory berrava, o rosto vermelho de ódio. — Você só é corajosa assim porque tem um homem me segurando!
— Will, solta essa vadia agora mesmo — ordenei, sem desviar os olhos dela.
— Vic, não! Pensa no bebê, por favor! — Willian rebateu, preocupado.
— Nós dois vamos ficar perfeitamente bem, Willian. Quem não vai ficar nada bem é essa cretina. Solta ela agora!
Willian soltou os braços da Mallory. No mesmo segundo em que a mulher deu um passo para avançar em mim com as unhas, eu não recuei um único milímetro. Firmei os pés no chão, ergui o braço direito, fechei a mão em um punho cerrado e desferi um soco seco, limpo e pesado bem no meio da cara dela.
O estalo do impacto ecoou pelo quarto. Mallory soltou um grito estridente de dor, curvando-se para a frente e levando as duas mãos ao nariz, de onde o sangue começou a jorrar entre os seus dedos.

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