Capítulo 125 — Laços Restaurados
Adrian Foley
A minha consciência foi retornando em ondas lentas e dolorosas. A minha cabeça parecia pesar uma tonelada, as têmporas pulsavam como se houvesse uma britadeira alojada dentro do meu crânio e os meus olhos lutavam para focar em qualquer ponto de luz.
Pisquei várias vezes seguidas, tentando reconhecer o teto acima de mim. Olhei de relance ao redor e percebi que estava em uma suíte de hotel de alto padrão. No mesmo instante, senti o tecido fino do lençol cobrindo o meu quadril e me dei conta de que estava apenas de cueca.
As lembranças caóticas da noite anterior invadiram a minha mente em um estrondo: o garçom insistente no salão, a dose de uísque com gosto estranho, o calor insuportável no corpo, as pernas falhando no corredor e, por fim... A imagem asquerosa da Mallory montada em cima de mim, tirando as minhas roupas e prometendo destruir a minha vida diante da imprensa.
Senti o peso suave de um corpo deitado bem ao meu lado na cama.
O desespero mais puro e amargo me atingiu em cheio. Comecei a me xingar mentalmente de todos os nomes possíveis por ter sido tão incrivelmente burro e descuidado. O rosto da Victoria surgiu diante dos meus olhos com uma dor dilacerante.
A Victoria nunca vai acreditar em mim...
Droga, a minha mulher não pode passar por um nervoso desse tamanho, ela vai perder o nosso bebê!
Eu preciso sair desta cama agora, mas a porra do meu corpo não me obedece!
Forcei os músculos dos meus braços com toda a força de vontade que me restava para tentar me afastar, mas foi exatamente nesse segundo que um perfume suave invadiu as minhas narinas.
Não era aquele floral barato e enjoativo da Mallory que quase me fez vomitar no corredor. Era um aroma doce, delicado e acolhedor de baunilha com lavanda. O cheiro único que pertencia à única dona de todo o meu ser.
A minha visão finalmente se estabilizou por completo. Virei o pescoço devagar sobre o travesseiro e ali estava ela.
Victoria dormia profundamente, o rosto sereno repousando ao meu lado, as feições em perfeita paz. Uma onda colossal de alívio e gratidão varreu o meu peito, dissolvendo o pânico em questão de segundos.
Os meus braços finalmente responderam aos meus comandos; passei as minhas mãos pelas costas macias dela e a puxei com todo o amor do mundo contra o meu corpo, depositando um beijo carinhoso e demorado no topo da sua cabeça.
O meu movimento fez a Vic se mexer sob as cobertas. Ela soltou um suspiro manhoso, abriu os olhos castanhos devagar e ergueu o rosto para me encarar com um sorriso calmo.
— Bom dia, meu amor.
Sorri de canto, deixando o ar escapar com leveza antes de descer os meus lábios até os dela em um selinho demorado e doce.
— Bom dia, minha vida... Você pode, por favor, me contar exatamente o que aconteceu depois que eu apaguei ontem?
Victoria ajeitou o corpo no meu abraço e encaixou o rosto com conforto na curva do meu pescoço. Ela começou a narrar tudo com calma: explicou sobre a droga pesada que colocaram na minha bebida, sobre o fato de o Lucas e o Willian terem notado que eu estava passando mal de longe e terem corrido atrás de mim pelo corredor privativo.
— Espera aí... — interrompi, a voz saindo ligeiramente rouca de surpresa. — O Lucas? O Lucas Avery foi atrás de mim?
— Ele mesmo — Victoria assentiu com a cabeça contra a minha pele.
Ela continuou contando como o Lucas interceptou o garçom na saída do quarto, encurralou o homem, desferiu um soco certeiro nele e o forçou a confessar todo o plano da Mallory. Contou que os dois entraram na suíte e renderam a cretina que estava esperando a imprensa.
E, por fim, com a maior naturalidade do mundo, ela detalhou como invadiu o quarto e deu uma surra memorável na Mallory.
— Você fez o quê, Victoria?! — perguntei, a minha voz subindo um tom na hora pela preocupação.
Ela deu de ombros com total tranquilidade.
— Eu atolei a vaca, ué! Eu disse que ia fazer dela um prato típico brasileiro bem famoso e atolei a cretina até o pescoço!
Não consegui me segurar. Uma gargalhada baixa e gostosa escapou do meu peito, fazendo a cama chacoalhar.
— Pelo visto você realmente adorou aquele almoço no restaurante brasileiro, não é, senhora Foley?
— Fiquei com pena de comparar um prato tão maravilhoso e apetitoso como aquele com uma mulherzinha tão asquerosa — ela retrucou, o tom de voz ficando levemente irritado pela lembrança. — Mas a minha mente fez a associação na hora e eu achei que combinava perfeitamente com ela!
Segurei o queixo delicado dela com os dedos, inclinei o meu rosto e a tomei em um beijo profundo, quente e apaixonado, agradecendo mentalmente por tê-la ali comigo. Quando nos separamos, passei o polegar pela bochecha corada dela.
— Você é absolutamente maravilhosa, meu amor... E eu confesso do fundo da alma que queria muito ter estado acordado para ver a cara dela quando você a desmontou.
Victoria abriu um sorriso largo e cheio de orgulho.
— Mas se a mulher já estava devidamente rendida pelo Willian e o Henry já estava subindo com a polícia — continuei, fechando a cara de leve — Você não deveria ter feito isso, Vic.
O sorriso no rosto dela morreu no mesmo segundo, e os seus olhos castanhos faiscaram na minha direção.
— E posso saber exatamente por que não, Adrian?

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