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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 126

Capítulo 126 — Retornos e Assombrações

Lucas Avery

Ter agido rápido ontem à noite para tirar o Adrian daquela armadilha suja não foi uma escolha calculada; foi puro instinto. No segundo em que vi aquele garçom arrastando o meu ex-amigo pelo corredor, todos os anos de mágoas e desentendimentos simplesmente desapareceram da minha cabeça.

Alugar a suíte ao lado da dele no hotel foi a decisão mais natural do mundo, e a Natalie, com toda a sensibilidade e grandeza que carrega no peito, nem sequer pensou em questionar. Ela entendeu na hora que a minha prioridade era garantir que o irmão dela estivesse seguro até o efeito daquela droga passar.

Quando a mensagem da Victoria chegou de manhã cedo, convidando todo mundo para tomar um café reforçado na mansão Foley, confesso que um nó apertado de ansiedade se formou no meu estômago.

Eu não fazia a menor ideia de como seria a reação do Adrian ao me ver cara a cara pela primeira vez depois de tudo. Me preparei para a típica postura defensiva dele, para a arrogância costumeira ou, no mínimo, para um agradecimento seco e protocolar de negócios.

Só que o Adrian quebrou todas as minhas expectativas no meio daquele corredor.

Ele estendeu a mão, engoliu o orgulho dele e me chamou de irmão.

E agora, cá estamos nós dois. Dois homens feitos, de terno e camisa social, abraçados no meio de um corredor de hotel, chorando sem o menor pudor e sem nos importarmos com quem quer que pudesse passar por ali. O peso de anos de silêncio, distância e dor simplesmente ruiu sob a força daquele aperto.

Aos poucos, fomos afrouxando os braços. Encostei a minha testa na dele por um breve segundo, sentindo a respiração pesada do meu amigo se misturar com a minha, ergui a mão e dei dois tapinhas carinhosos na bochecha dele, quebrando a tensão.

— Porra, Ade... Como é bom ter você de volta na minha vida, cara! — soltei o ar com um sorriso aberto, mas mantive o olhar fixo no dele. — Mas você sabe perfeitamente que nós dois ainda temos uma conversa muito séria e longa para colocar em pratos limpos, não sabe?

Adrian assentiu com um aceno firme de cabeça, limpando o rastro de uma lágrima no canto do olho com o dorso da mão.

— Eu sei disso, Lu. Eu sei muito bem. Mas nós não vamos fazer isso hoje. Vamos deixar para conversar sobre o passado em breve, com calma e no momento certo.

— Combinado — concordei de imediato.

Nós dois caímos na risada juntos, rindo da nossa própria comoção. Adrian não se aguentou, deu um passo à frente e me puxou para mais um abraço rápido e apertado pelos ombros, dizendo com a voz ainda embargada de emoção.

— Você não faz ideia da falta absurda que você me fez nesses últimos anos, meu irmão.

— Você também fez uma falta desgraçada, seu cabeça-dura — respondi, rindo contra o ombro dele.

Nos separamos definitivamente e eu joguei o meu braço direito por cima dos ombros largos do Adrian, puxando-o para caminhar comigo pelo corredor.

— O senhor Victor vai ficar feliz pra caralho quando souber que nós finalmente paramos com essa palhaçada de guerra fria!

— Aquele velho vai fazer uma festa de três dias e ainda vai dizer que foi ideia dele — Adrian rebateu com um sorriso largo, e nós dois começamos a andar lado a lado em direção aos elevadores, rindo alto das velhas manias do avô dele.

Estávamos tão absortos naquele reencontro que nem percebemos que tínhamos deixado as nossas mulheres para trás, até que um som muito claro de pigarro feminino ecoou no corredor:

— Hum, hum!

Travamos os nossos passos no mesmo segundo e olhamos por cima dos ombros.

A Victoria e a Natalie estavam paradas lado a lado em frente à porta das suíte, ambas de braços cruzados sobre o peito, sobrancelhas arqueadas e nos encarando com uma mistura impagável de deboche e falsa indignação.

— Nós estamos extremamente felizes por vocês dois, de verdade — Victoria tomou a frente, com aquele tom de voz autoritário e charmoso dela. — Era exatamente isso o que nós mais queríamos neste mundo... Mas será que os dois bonitões aí não estão se esquecendo de absolutamente nada pelo caminho?

Natalie balançou a cabeça devagar, completando a provocação.

— Parece que a amizade deles renasceu e a memória deles evaporou junto, Vic!

Adrian e eu nos entreolhamos e caímos na gargalhada no meio do corredor. Demos meia-volta em passos sincronizados, marchando diretamente na direção delas.

Antes que a Natalie pudesse dar um passo para trás, eu a envolvi pela cintura e a levantei do chão, jogando o corpo dela no meu colo de uma vez enquanto ela soltava uma risadinha gostosa.

— Lucas! O que você está fazendo?! Me põe no chão agora mesmo!

Ao meu lado, o Adrian fez exatamente a mesma coisa com a Victoria, erguendo a esposa com todo o cuidado nos braços enquanto ela protestava entre risos.

— Adrian Foley! Eu sei andar perfeitamente, me larga!

— Não largo de jeito nenhum — Adrian respondeu, selando os lábios da Vic com um beijo estalado antes de caminhar comigo com as nossas mulheres no colo direto para o elevador.

O trajeto até a mansão foi a coisa mais divertida e barulhenta que vivemos em muito tempo. Como estávamos todos juntos, o Adrian decidiu que nós iríamos no meu carro para não precisarmos de motorista particular.

Ele, com a mania de controle de sempre, assumiu o banco do carona na frente ao meu lado e mandou as duas meninas para o banco traseiro. A viagem inteira foi embalada por piadas antigas de infância, a Natalie e a Vic rindo das nossas histórias vergonhosas do passado e nós dois revivendo memórias que estavam trancadas há anos.

Quando dobrei a esquina do condomínio e embiquei o carro pelos grandes portões de ferro da mansão, estacionamos no pátio de pedra no exato instante em que outros dois veículos encostavam ao nosso lado: o carro do Henry e da Sara, e o carro do Augustus e do Willian.

Assim que descemos do veículo, o Adrian e eu ainda estávamos rindo alto de uma implicância boba sobre quem era o pior motorista na adolescência.

Henry desceu do seu carro, ajeitou os óculos escuros no rosto e, no segundo em que bateu os olhos no Adrian e em mim caminhando ombro a ombro e dando risada juntos, ele paralisou no meio do pátio e soltou um berro que ecoou por todo o jardim.

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