Capítulo 129 — Perdendo o controle
Adrian Foley
— Vou te dizer o nome da mulher que acabou de me ligar: Diana Bowers, isso responde sua pergunta.
As palavras do Lucas ecoaram na minha mente como uma detonação em câmara lenta. Diana Bowers. A família Bowers. A porra da empresa que pagou pelo atentado que tirou a vida dos meus pais e dos pais da Natalie.
O ar sumiu dos meus pulmões. O copo de uísque que já estava trincado sob a força dos meus dedos não suportou a fúria cega que explodiu no meu peito. Num movimento bruto e involuntário, arremessei o cristal com toda a força contra a parede do escritório.
O barulho dos estilhaços se espalhando pelo chão se misturou ao meu grito carregado de ódio puro:
— DESGRAÇADA! AQUELA VADIA DESGRAÇADA!
— Adrian, se acalma, cara! Pelo amor de Deus! — Henry deu um passo rápido na minha direção, erguendo as mãos para tentar conter o meu avanço.
— ME ACALMAR, HENRY?! — gritei de volta, sentindo as veias do meu pescoço saltarem. — Como nesse caralho você quer que eu me acalme sabendo que aquela vadia e a família dela destruíram a minha vida?!
Tudo começou a se encaixar na minha cabeça como um quebra-cabeça doentio. A forma calculada como ela se aproximou de mim na faculdade, o jeito doce e forçado que usou para entrar na minha vida, a insistência em conhecer meu avô, meu padrinho e Natalie...
E, no fim, quando eu a peguei na cama com o Lucas, a máscara caindo. Lembrei com clareza aterrorizante da risada dela, do deboche nos olhos ao me chamar de herdeirinho de merda, pisando sem dó no sentimento ingênuo que eu acreditava ter por ela na época.
Ela nunca quis nada comigo. Ela queria ver a ruína do que restou dos Foley.
— Ade, por favor, me escuta! — Lucas avançou, segurando os meus ombros com força para tentar me travar no lugar. — A gente vai caçar cada um deles se eles realmente forem os culpados, mas você precisa respirar!
Eu estava completamente cego. Me desvenciliei do toque dele com violência, empurrei uma das poltronas pesadas para o lado e virei a mesa de centro de madeira maciça, fazendo papéis e pastas voarem pelo ar.
O barulho da destruição atraiu passos rápidos pelo corredor. A porta do escritório se abriu com um estrondo e Victoria, Natalie, Willian e Sara entraram afoitas.
— Adrian! O que está acontecendo aqui?! — a voz desesperada da Vic cortou o cômodo.
Ela tentou correr na minha direção no mesmo segundo, mas o Lucas foi mais rápido e a interceptou, segurando-a pelos braços com firmeza.
— Não chega perto agora, Vic! Fica aqui!
Eu não conseguia ouvir nada. A fúria tinha tomado o controle de todo o meu sistema. Dei três passos rápidos até a parede lateral e comecei a desferir socos pesados e brutais direto na alvenaria, um atrás do outro.
O estalo dos meus ossos contra a parede sólida pouco importava diante da queimação interna que me rasgava por dentro. Dei outro murro, e mais outro, até ver o sangue quente começar a manchar a tinta clara.
Por um segundo terrível e imperdoável, eu me esqueci por completo de onde estava. Esqueci da fragilidade da Victoria, esqueci do repouso que ela precisava, esqueci do risco que qualquer susto representava para o nosso filho.
Só voltei à realidade quando o som estridente e doloroso do choro da Victoria quebrou o transe da minha loucura.
— Adrian, para! Por favor, para! — ela soluçava alto, se debatendo contra o aperto do Lucas, enquanto a Natalie tentava abraçá-la e acalmá-la ao mesmo tempo.
Girei o corpo devagar, o peito subindo e descendo freneticamente, as mãos latejando e pingando sangue no tapete. Quando os meus olhos finalmente focaram no rosto pálido da minha mulher, em choque, com os olhos castanhos transbordando um desespero genuíno e apavorado, o pânico mais frio que já senti me atingiu em cheio.
— Amor... Eu... — a minha voz falhou, quebrando em um sussurro culpado.
Victoria aproveitou a distração do Lucas, se soltou do aperto e correu na minha direção sem hesitar. Ela se jogou contra o meu peito, jogando os dois braços ao redor do meu pescoço e afundando o rosto na minha camisa.
— Para, Ade... Por favor, para! Não se machuca assim, eu não aguento te ver assim!
Envolvi o corpo pequeno dela com os meus braços trêmulos, tomando o extremo cuidado de não encostar a mão ensanguentada nas suas roupas, e a apertei contra mim.
— Me desculpa, minha vida... Me perdoa — sussurrei com a garganta travada, enterrando o rosto nos cabelos dela e beijando a sua têmpora repetidas vezes. — Eu não queria te assustar, meu amor... Eu perdi a cabeça. Eu perdi completamente o controle.
Meu avô apareceu na soleira da porta, com a respiração ofegante e os olhos arregalados ao ver o cenário de guerra no cômodo.
— Mas que diabos de loucura é essa aqui dentro?! Adrian?!
Henry caminhou rápido até o meu avô, colocando uma das mãos no ombro dele e o puxando com delicadeza de volta para o corredor.

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