Capítulo 130 — O Retorno do Passado
Victoria Clark
A manhã de domingo tinha começado com um cenário que parecia saído diretamente de um sonho perfeito. Ver o Adrian e o Lucas caminhando ombro a ombro pelo jardim, rindo das mesmas piadas bobas e deixando para trás anos de um rancor que parecia intransponível, foi o melhor presente que eu poderia ter recebido.
Ter a nossa família, tanto a de sangue, quanto a que escolhemos, reunida ao redor da mesa do café trazia uma sensação de paz que há muito tempo eu não experimentava.
Até mesmo a crise de ciúmes possessivo do meu babaca Foley tinha me arrancado risadas sinceras. Lembrar da cara indignada dele quando o Willian subiu com a gente para o quarto, questionando o Augustus com a maior seriedade do mundo sobre como ele permitia aquilo, ainda me fazia sorrir sozinha.
Eu estava construindo um verdadeiro castelo de felicidade na minha cabeça, acreditando ingenuamente que, depois do susto do hospital e da prisão daquela infeliz da Mallory, nós finalmente teríamos dias de calmaria para curtir a minha gestação.
Mas o meu castelo ruiu com a violência de um terremoto assim que pisamos de volta na sala principal.
O barulho seco e estrondoso de coisas quebrando e gritos ecoando de dentro da biblioteca fez o meu coração disparar na garganta. Nós quatro corremos em desespero pelo corredor. Quando empurrei a porta de madeira e coloquei os olhos no que estava acontecendo, o ar simplesmente sumiu dos meus pulmões. O meu peito se abriu em uma dor física, desesperadora.
Eu nunca tinha visto o Adrian daquele jeito. O homem inabalável, a fortaleza de ferro que sempre mantinha o controle de qualquer situação ao seu redor, estava completamente desestruturado, cego de ódio, esmurrando a parede de alvenaria até a pele das mãos se rasgar em sangue.
Eu raramente me entregava às lágrimas com facilidade; sempre me orgulhei de manter a cabeça fria diante das adversidades da vida. Mas ver o meu marido naquele estado de pura dor e descontrole emocional acabou com todas as minhas defesas.
Nós subimos para o quarto em silêncio. Limpei cada corte dos nós dos dedos dele com o cuidado que dedicaria a uma criança ferida, sentindo as minhas mãos tremerem enquanto as lágrimas teimavam em cair sem permissão.
Depois que terminei o curativo, me sentei no colo dele, deixando que o calor do seu abraço e o som ritmado do seu coração me devolvessem aos poucos a estabilidade.
Quando senti que o tremor do meu próprio corpo tinha desaparecido por completo e que a respiração dele estava finalmente calma, ergui o queixo para encará-lo nos olhos,
— Agora você vai me contar tudo, Adrian... O que foi que aconteceu naquele escritório que fez você perder o controle desse jeito?
Adrian soltou o ar devagar pelas narinas, fechando os olhos por um segundo antes de me responder.
— Você já passou por estresse demais, Victoria. O seu desmaio no bar, a queda de pressão, o susto no hospital, a Mallory... Eu prometi ao médico e a mim mesmo que cuidaria para que você tivesse dias de paz absoluta a partir de hoje. E a primeira coisa que eu faço é quebrar o escritório na sua frente e te fazer chorar. Eu não quero colocar mais peso nas suas costas.
Ajeitei o meu corpo no colo dele, segurando o seu rosto com as minhas duas mãos e franzindo a testa.
— Pois fique sabendo, senhor Foley, que eu vou ficar infinitamente mais estressada, ansiosa e descompensada se você me mantiver no escuro! Me diz a verdade, Adrian. O que vocês conversaram que te fez perder a razão daquela maneira?
Adrian não respondeu com palavras de imediato. Ele ergueu a mão enfaixada até a minha nuca e puxou o meu rosto com delicadeza na direção do seu, colando os seus lábios nos meus em um beijo profundo.
O contato começou lento, doce e carregado de carinho, mas rapidamente foi ganhando uma intensidade urgente, quase desesperada. A língua dele buscou a minha como se estivesse tentando se agarrar à única coisa real e segura no meio de uma tempestade. Os braços fortes me apertaram contra o seu peito largo, transmitindo um calor que arrepiou toda a minha pele.
Quando nos separamos em busca de oxigênio, Adrian encostou a testa na minha, a respiração quente batendo no meu rosto.
— Eu vou te contar tudo, Vic... Eu prometo pelo nosso filho que vou te colocar a par de cada detalhe. Mas não posso te entregar tudo de uma vez agora, não enquanto as investigações ainda não estiverem cem por cento concluídas.
— Como assim investigações, Adrian?

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