Capítulo 131 — O jogo virou
Adrian Foley
A Victoria tinha total razão: mantê-la no escuro era a pior escolha que eu poderia fazer. A mente dela trabalhava rápido demais e a ansiedade de não saber a verdade com certeza faria um estrago muito mais perigoso na saúde dela e na do nosso bebê.
Só que jogar todo aquele balde de sangue, vingança e o histórico do atentado sobre as costas da minha mulher, exatamente agora que ela acabava de sair de uma internação, também não era uma opção plausível.
Por isso, eu precisei ser cirúrgico. Pincelei o passado, contei o suficiente para deixá-la ciente do perigo sem detalhar as suspeitas sombrias que me fizeram esmurrar a parede da biblioteca.
No meio da minha explicação, a palavra "amor" foi o gatilho perfeito para acender a fúria da minha esposa. Precisei ser rápido e certeiro para reafirmar a verdade mais pura da minha existência: nunca existiu e jamais existirá outro amor na minha vida que não seja a Victoria Clark.
Quando ela me questionou sobre o retorno da Diana, respondi com toda a gravidade que a situação exigia:
— Significa que a Diana Bowers está instalada aqui mesmo em São Francisco, Victoria. E, pelo tom da ligação que ela fez para o celular do Lucas mais cedo... Ela está muito mais perto do que eu gostaria.
Victoria piscou os olhos castanhos devagar, a expressão mudando de magoada para uma frieza atenta.
— Perto, o quão perto? E por que exatamente isso seria tão ruim, Adrian? Você agora é um homem muito bem casado, e o Lucas está totalmente comprometido com a Natalie. É simples: é só vocês dois ignorarem a existência dessa mulher, pelo próprio bem de vocês e, principalmente, pelo bem dela.
O tom de voz da minha mulher não era apenas um conselho prático; era uma ameaça velada, perigosa e extremamente territorialista.
— Nem eu e muito menos o Lucas queremos qualquer tipo de contato com essa cretina, Vic. Não depois de tudo o que aconteceu no passado e muito menos agora que eu descobri...
Travei a minha língua no mesmo milésimo de segundo. Quase deixei escapar a suspeita de que a família Bowers foi a mandante do assassinato dos meus pais e dos pais da Natalie.
— Descobriu o quê, Adrian? — Victoria me chamou, os olhos atentos e desconfiados.
Puxei o ar com calma, buscando contornar o deslize.
— Amor... Eu posso te garantir com toda a certeza do meu coração que eu não quero e jamais vou permitir que aquela mulher chegue a um metro de distância de mim, de você ou da nossa família. Confia em mim.
Victoria relaxou a postura tensa. Ela deu um passo à frente, passou os dois braços macios ao redor do meu pescoço e encostou o queixo no meu peitoral.
— Tudo bem, Ade. Eu acredito em você.
Um sorriso de canto, carregado de puro alívio, surgiu nos meus lábios diante da cumplicidade inabalável da minha mulher. Aproximei a minha boca do ouvido dela e murmurei com a voz rouca.
— Eu te amo...
— Eu te amo muito mais — ela respondeu na hora, em um tom nitidamente provocativo e divertido.
Arqueei uma das sobrancelhas.
— Não sabia que nós estávamos competindo, senhora Foley.
Victoria passou as unhas pela minha nuca, arrepiando toda a minha espinha.
— Isso daqui não é uma competição, senhor Foley... É apenas uma constatação indiscutível de fatos.
Soltei uma risada baixa e rouca antes de selar a nossa boca em um beijo profundo e apaixonado. Victoria se rendeu ao meu toque em questão de segundos, entreabrindo os lábios e permitindo que a minha língua tomasse posse da sua boca com intensidade.
Passei os meus braços com firmeza pela cintura dela, levantando o seu corpo do chão com extremo cuidado. Caminhei a passos lentos e firmes pelo quarto até a beirada da cama.
Depositei o corpo dela com delicadeza sobre o colchão macio e me posicionei por cima das suas pernas, sustentando o meu peso nos cotovelos e nos joelhos para não pressionar a barriga dela de forma alguma.
— Ade... — ela choramingou manhosa contra os meus lábios, deslizando as mãos pelas minhas costas. — Eu quero você... Eu preciso de você agora.
— O bebê, Vic... O seu repouso. — resmunguei de volta, lutando com o resto de sanidade que me sobrava.
— Eu confio em você de olhos fechados, amor — ela sussurrou, encarando o fundo dos meus olhos. — Eu sei perfeitamente que você vai ser o homem mais cuidadoso deste mundo comigo.
Não precisei de mais nenhuma palavra. A confiança cega daquela mulher era a minha maior fraqueza e a minha maior força. Intensifiquei o ritmo do beijo enquanto as minhas mãos começavam a despir o corpo da minha esposa com lentidão e reverência.
Retirei a sua blusa leve, a sainha de malha e deslizei as minhas próprias roupas para o chão, deixando-a vestindo apenas uma lingerie fina de renda.
Acariciei cada centímetro da pele dela, distribuindo beijos quentes pelo pescoço, descendo pelo colo e contornando os seios fartos com a ponta da língua. Ela suspirava contra a minha nuca, arqueando o quadril em resposta a cada estímulo das minhas mãos.
Com delicadeza, tirei sua calcinha e me encaixei devagar entre as coxas dela. Entrei nela com uma lentidão calculada, sentindo o calor e o aperto delicioso que só ela tinha. Victoria soltou um gemido sôfrego, cravando as unhas nas minhas costas enquanto eu iniciava um movimento calmo, ritmado e constante, sem qualquer brusquidão.
A entrega entre nós era absoluta. A cada estocada suave, ela me puxava para mais perto, beijando a minha boca, dividindo a respiração ofegante até que a pressão no baixo ventre começou a se acumular.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo