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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 138

Capítulo 138 — Dívidas do Passado

Adrian Foley

O ar dentro daquela sala de diretoria pareceu subitamente denso, pesado e rarefeito. A simples menção àquele período sombrio da faculdade sempre foi o gatilho perfeito para fazer o meu sangue ferver em ódio e me dar uma vontade incontrolável de quebrar a cara do homem à minha frente.

Só que hoje, depois de tudo o que tínhamos enfrentado nas últimas quarenta e oito horas, e sabendo que a Diana Bowers estava rondando as nossas vidas outra vez, aquela fúria cega deu lugar a uma necessidade urgente de verdade e lucidez.

Encostei as costas na cadeira executiva, cruzei os dedos sobre a mesa e sustentei o olhar firme do Lucas.

— Eu estou ouvindo, Lucas. Puxa essa cadeira, senta aí e me conta essa história de uma vez por todas.

Lucas soltou um suspiro pesado, puxou a poltrona e se sentou de frente para mim. Ele apoiou os antebraços sobre as pernas, encarou o chão por breves segundos para organizar as ideias e começou a falar com a voz carregada de uma firmeza cortante.

— Faltavam exatamente quarenta e oito horas para a entrega final e apresentação daquele projeto de graduação. Eu estava voltando tarde da biblioteca da universidade quando passei pelo corredor lateral do bloco de economia e dei de cara com a Diana. Ela estava encostada na parede aos beijos com o Jason, aquele playboy da turma dela.

A revelação me atingiu como um soco seco no estômago, mas mantive a feição de pedra.

— A Diana já me traía descaradamente dentro do campus?

— Sim, Adrian. E no segundo em que eu vi aquela palhaçada, eu avancei nos dois, joguei o Jason contra os armários de ferro e olhei bem nos olhos daquela cretina. Eu dei um ultimato nela: disse que ela tinha exatamente quarenta e oito horas para procurar você e confessar toda a sujeira. Se ela não contasse, eu mesmo iria até você e abriria os seus olhos.

— E por que diabos você não veio direto falar comigo naquela mesma noite, Lucas?! — questionei, a minha voz subindo um tom pela irritação inevitável da lembrança. — Por que esperar todo esse tempo e me deixar no escuro?!

Lucas ergueu os olhos e me encarou com uma dor antiga estampada no rosto.

— Porque você estava a dois dias da banca final, Adrian! O prêmio de excelência acadêmica que estava em disputa era o seu sonho! Eu sabia perfeitamente o que aquele momento significava para a sua vida, para o seu orgulho e para honrar a memória do seu pai conquistando o que um dia ele também havia conquistado. O seu projeto era impecável, a sua estratégia de mercado era imbatível. Eu também estava concorrendo com o meu próprio projeto, mas eu sabia muito bem que o seu trabalho era infinitamente superior. Eu não podia jogar a bomba da traição da sua namorada nas suas costas na véspera do dia mais importante da sua vida acadêmica e destruir o seu foco psicológico!

Engoli em seco, sentindo um nó amargo se formar na minha garganta. Ele tinha tentado me proteger da dor para não me desestabilizar.

— E depois disso? — perguntei em tom mais baixo.

— Naquela mesma noite, voltei para a casa da fraternidade — Lucas continuou, gesticulando com as mãos. — Tomei um drinque que deixaram na bancada e fui para o meu quarto dormir. Acontece que eu apaguei completamente. Quando acordei no dia seguinte com a luz do sol, olhei para o lado e estava sem roupa nenhuma na cama... E a Diana estava deitada em cima de mim, nua, rindo da minha cara. Ela tinha tirado fotos nossas juntos e ameaçou me destruir, dizendo que se eu abrisse a boca sobre o Jason, ela mostraria aquelas fotos para você e inventaria que nós dois tínhamos um caso secreto há meses.

Fechei as mãos em punhos sobre a mesa, ouvindo o relato daquela armação sórdida.

— Eu mandei aquela louca para o inferno e a expulsei do meu quarto aos empurrões — Lucas prosseguiu, a respiração ficando pesada. — No dia seguinte, ela me mandou uma mensagem dizendo que estava no quarto dela e que aceitava apagar as fotos se nós conversássemos. Fui até lá na intenção de acabar com a chantagem de vez. Mas assim que passei pela porta... Fui atingido por trás e senti uma injeção profunda na lateral do meu pescoço.

— Uma injeção? — arregalei os olhos, o choque me dominando.

— Algum entorpecente químico pesadíssimo. O meu corpo paralisou por completo em questão de segundos. Eu ouvia as ofensas nojentas que a Diana falava no meu ouvido, zombando da morte dos seus pais, te chamando de herdeirinho órfão de merda... E o meu cérebro entorpecido repetia as palavras no piloto automático sem que eu conseguisse mover um único músculo para calar a boca daquela desgraçada. A câmera já estava gravando e transmitindo ao vivo para todo o circuito interno do campus. Quando você arrombou a porta cego de ódio, ela se jogou por cima de mim para fingir que estávamos nos agarrando.

A lembrança daquela porta se abrindo, da imagem dele com ela e das palavras cruéis ecoou na minha cabeça com um peso totalmente novo. Não era uma traição do meu melhor amigo; era uma emboscada fria de uma psicopata.

— E o projeto, Lucas? — perguntei, a voz saindo quase em um sussurro tenso. — Como diabos o meu projeto foi parar registrado no seu nome no dia seguinte?

​Capítulo 138 — Dívidas do Passado 1

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