Capítulo 139 — Secretária ou espiã?
Victoria Clark
Passar o dia inteiro trancada em repouso dentro de casa foi o teste de paciência mais difícil da minha vida. Depois daqueles quatro dias angustiantes afastada do Adrian, a simples ideia de ficar horas longe dele me dava nos nervos.
A casa era enorme, confortável e cheia de mimos, mas nada preenchia o vazio da ausência do meu marido.
Quando ele finalmente cruzou a porta à noite, cansado do expediente na holding, não perdi tempo: depois do jantar, fiz toda a manha do mundo só para vê-lo me adular até a hora de dormir.
Essa era, sem dúvida, a melhor parte de ter um homem completamente apaixonado ao seu lado. Bastava uma vozinha mansa, um biquinho manhoso e um olhar pidão para eu conseguir exatamente o que mais amava: ficar aninhada no calor dos braços dele a noite inteira.
Na manhã de terça-feira, no entanto, a paz quase foi pelos ares antes mesmo de sairmos da cama.
Eu estava na poltrona penteando meus cabelos e Adrian estava terminando de ajeitar a gravata em frente ao espelho quando soltou a notícia com a maior naturalidade do mundo.
— O Henry já deve estar com a primeira leva de currículos do RH na minha mesa hoje cedo. Preciso contratar uma nova secretária executiva com urgência para cobrir o seu afastamento.
Travei a escova no meio do meu cabelo. Virei o pescoço devagar, estreitando os olhos na direção dele.
— Como é que é a história, Adrian Foley? Uma secretária nova?
Ele se virou, arqueando uma sobrancelha com aquele ar presunçoso.
— Sim, Vic. Você está de repouso absoluto por ordens médicas e a minha mesa executiva não roda sozinha. Com a Mallory fora, e você afastada eu preciso de alguém para gerenciar a agenda, as reuniões da filial e a triagem de documentos.
Levantei da poltrona com postura impecável e cruzei os braços sob o peito, marchando na direção dele.
— Pois muito bem. Vamos estabelecer os critérios de seleção agora mesmo, senhor Foley. O RH só vai aprovar a candidata se ela cumprir rigorosamente o meu checklist de segurança nacional.
Adrian cruzou os braços também, segurando o riso.
— E posso saber quais seriam esses seus critérios tão técnicos, senhora Foley?
— Primeiro: ela precisa ser casadíssima, com no mínimo três filhos e bodas de prata celebradas na igreja. Segundo: precisa ser desprovida de qualquer atributo estético chamativo. Resumindo, Adrian: feia. Bem feia. E terceiro: de preferência da terceira idade, com problemas de coluna e que use óculos fundo de garrafa!
Adrian soltou uma gargalhada alta, balançando a cabeça em pura negação.


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