Capítulo 140 — Chegaram
Victoria Clark
Adrian ficou em silêncio por alguns instantes, processando a proposta com a sua mente estratégica. Por fim, um meio sorriso aprovador curvou os lábios dele.
— Pode. — Bati palminhas satisfeita. — Mas… — ele interrompeu a minha comemoração. — Que fique claro que aceitei porque é uma excelente ideia. Ela é de extrema confiança, já conhece o fluxo da empresa e o fato de ser sua melhor amiga e namorada do meu melhor amigo blinda a sala de qualquer gracinha.
— Se você vai se sentir melhor dizendo que aceitou porque a ideia é boa e não porque eu pedi. Por mim tá tudo bem. O importante é que enquanto eu estiver longe, nenhuma piriguete se aproxima. — falei jogando o cabelo por cima do ombro com ar vitorioso.
— Você é terrível Victoria.
— Mas você me ama mesmo assim. — pisquei para ele.
Adrian deu dois passos à frente, envolveu a minha cintura com as mãos firmes e me puxou contra o seu peito, fitando os meus olhos com uma intensidade divertida.
— Você foi a melhor coisa que me aconteceu nesta vida, Victoria... Mas você também é a mais perigosa.
Arqueei a sobrancelha, fingindo indignação.
— Eu?! Como assim perigosa, seu ingrato?
Adrian desceu os lábios até a curva do meu pescoço, deixando um beijo quente e demorado que me arrepiou inteira antes de responder.
— Perigosa sim, porque você tem o dom assustador de arrancar de mim absolutamente tudo o que quer.
— Ué senhor Foley, você acabou de dizer que não foi por mim.
— Eu menti. — ele disse em um sério. — Você consegue de mim exatamente tudo. Qualquer dia desses eu acordo dopado em cima de uma mesa de cirurgia clandestina porque você cismou que queria um rim meu.
Joguei a cabeça para trás, soltando uma gargalhada gostosa que ecoou pela suíte.
— E por que diabos eu iria querer um rim seu, Adrian? Me diz!
Ele me encarou com a maior seriedade do mundo.
— Não faço a menor ideia, mas é exatamente essa a sensação que eu tenho. De que você tem o poder absoluto de conseguir tudo de mim sem que eu consiga te dizer um único não.
— Acho maravilhoso que você tenha essa plena consciência — brinquei, segurando o rosto dele e selando sua boca em um beijo apaixonado.
Saímos da mansão logo em seguida. Como combinamos, Adrian fez questão de me levar pessoalmente até o consultório do Patrick para a nossa primeira consulta oficial de pré-natal.
O clima no consultório era acolhedor. Patrick nos recebeu com um sorriso amigável, revisou todos os exames de sangue que fiz no hospital e fez questão de reforçar todas as medidas preventivas para o meu quadro de pressão instável.
— Vamos ver como está esse Foleyzinho aí dentro?
O médico perguntou, apontando para a maca.
— Como você ainda está bem no comecinho da gestação, Victoria — Patrick explicou com a sua habitual calma profissional — O útero ainda está muito baixo na bacia para conseguirmos uma imagem nítida ou captar o áudio com clareza pela parede do abdômen. Nós vamos realizar o ultrassom transvaginal. Assim eu avalio a fixação exata do saco gestacional e já conferimos como estão os batimentos com máxima precisão.
Assenti com a cabeça, me acomodando na maca com o lençol cirúrgico e apoiando as pernas nos suportes. Adrian se aproximou no mesmo segundo, posicionando-se ao lado da minha cabeceira e entrelaçando os seus dedos firmes nos meus, sem soltar a minha mão por um único milésimo de segundo.
Patrick preparou o transdutor.
— Que merda é essa?! — Adrian perguntou horrorizado olhando para o aparelho nas mãos do médico. — Você vai enfiar isso na minha mulher? Tá maluco Pat? — eu e o médico rimos do meu marido.
— Tô maluco sim Ade. Mas é de deixar você abrir a boca no meu consultório. — Adrian resmungou e eu apertei sua mão.
O médico ignorou o Ade e realizou o procedimento com extremo cuidado e delicadeza para não me causar o menor desconforto. Ele ajustou os comandos no painel do aparelho e fixou os olhos na tela ao lado.
Por alguns instantes, o consultório ficou imerso apenas no silêncio tenso da nossa expectativa. Até que…

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